Entrevistas

A Catarina quer que se fale mais de direitos humanos

A Catarina quer que se fale mais de direitos humanosA apresentadora de televisão Catarina Furtado sabe que as temáticas relacionadas com os direitos humanos não "vendem" tanto como outras ditas mais "light", mas está empenhada em contrariar esta tendência. Esse é um dos objetivos do Prémio Comunicação Corações Capazes de Construir, cuja razão de ser explica, em entrevista ao Briefing.

sexta, 06 junho 2014 12:20
A Catarina quer que se fale mais de direitos humanos

Briefing | O que a levou a lançar o Prémio Comunicação Corações Capazes de Construir?

Catarina Furtado | O prémio faz parte do conjunto de projetos do nosso Plano de Atividades enquanto associação e organização não governamental para o desenvolvimento que têm ver com a nossa intervenção em matérias de educação, informação, comunicação e advocacy porque acreditamos que desta forma ajudamos a promover e a construir um país mais justo e solidário onde os Direitos Humanos sejam tema de informação. Acreditamos na educação para a cidadania e para os Direitos Humanos e os meios de comunicação têm um papel fundamental nessa construção conjunta.

O prémio é um incentivo aos jornalistas e às agências de publicidade e comunicação para que se debrucem mais sobre estas questões. Agregar o prémio à realização das conferências anuais (este ano será a terceira), bem como às campanhas que desenvolvemos e a que nos associamos, parece-nos uma forma de ir consolidando a associação, a par de outros projetos de intervenção direta na sociedade (atendimento gratuito, atribuição de bolsas de estudo a raparigas com bom aproveitamento escolar mas com imensas dificuldades financeiras, entre outros). Só essa consolidação nos permitirá apoiar um maior número de jovens e mulheres, numa perspetiva de igualdade de género e oportunidades e no combate à discriminação e violência, os verdadeiros objetivos da Corações Com Coroa.

Briefing | Quais os objetivos da associação com esta iniciativa?

CC | A ideia é valorizar, no sentido de destacar a sua realização, os trabalhos jornalísticos e de campanha que, com melhor qualidade, reportem temas e assuntos que são caros à associação e que, no fundo, são o seu objeto e a razão da sua existência: os Direitos Humanos, o desenvolvimento, a discriminação, a violência com base no género, a inclusão social. Também desejamos que essa seja uma forma de chamar a atenção dos próprios meios de informação para esses assuntos que são tão sistematicamente remetidos para segundo plano nas agendas e nas opções editoriais. Achamos que a responsabilidade dos meios de comunicação é muito grande na construção de um país mais igualitário e informado e por isso estamos assim à disposição de trabalhar em conjunto.

Briefing | Uma das categorias é Jornalismo. Diria que as temáticas da igualdade e da inclusão são suficientemente abordadas no jornalismo nacional?

CC | Não são, pelo menos tanto quanto julgamos que seria necessário, nomeadamente, nos meios de informação generalistas. Os Direitos Humanos têm vindo a merecer um destaque mais generalizado, mas não são suficientemente trabalhados, o que também reflete, ao mesmo tempo, a realidade preocupante que é o seu desrespeito, tão evidente em tantas partes do mundo e até em Portugal. Sei que muitas vezes os meios de comunicação social, por questões financeiras, optam por abraçar notícias ditas "mais light", porque as temáticas dos direitos humanos não "vendem " tanto. A meu ver temos de tentar contrariar esta tendência sob pena de deixarmos os grandes valores da cidadania, igualdade e solidariedade completamente esquecidos o que nos transformará numa sociedade cada vez mais umbiguista.

Briefing | A outra categoria é Campanha. Em que medida é que as agências criativas podem contribuir para a difusão destes mesmos valores?

CC | Num registo, evidentemente, diferente daquele que é próprio do jornalismo, as campanhas podem ter e têm, frequentemente, um papel decisivo na consciencialização das pessoas para os problemas, nomeadamente, para aqueles que mobilizam uma associação como a Corações Com Coroa.

Briefing | Qual a importância da parceria com a Sonae MC para a realização destes prémios?

CC | A parceria com a Sonae MC tem, para nós, uma importância vital, uma vez que foi o seu patrocínio de princípio e pecuniário que garantiu a atribuição dos prémios na sua primeira edição (o ano passado) e que garantirá a deste ano. O nosso desejo é que o seu apoio se mantenha no futuro.

Briefing | Na sua opinião, as empresas estão sensibilizadas para estas temáticas ou ainda há muito trabalho a fazer?

CC | Há muito trabalho a fazer na área da responsabilidade social das empresas. Todos, individualmente e em coletivo, temos um papel decisivo na construção da nossa sociedade. Todos podemos fazer mais desde que tenhamos vontade (e uns vontade política) e desde que estejamos informados. A responsabilidade social tem de estar no ADN das empresas assim como a preocupação com as questões de género (como uma maior participação das mulheres em cargos decisivos, de chefia e administração das empresas). É importante as empresas sentirem que estão a participar ativamente na construção da nossa sociedade não confundindo caridade com solidariedade.

Briefing | Que papel poderão as marcas e o marketing desempenhar a este nível?

CC | É um papel importante porque podem associar-se de um forma genuína, preocupada e criativa na passagem das mensagens absolutamente determinantes para as questões dos Direitos Humanos. Existem muito bons exemplos de parcerias felizes entre marcas e causas. A maneira como se trabalham as temáticas para que cheguem de uma forma mais eficaz à sociedade civil é fundamental e pode passar por esta parceria técnica das associações com o input do marketing. Os assuntos têm de ser bem embrulhados, com todo o rigor e seriedade, mas com uma boa dose de originalidade e capacidade de comunicar. Aproveito para convidar os leitores da Briefing para partilharem a Campanha "Continuamos à espera" no FB e para que nos façam uma visita no site da Coracoescomcoroa.org e, quem sabe, decidam fazer-se sócios ou sócias...

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