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Os conselhos do ex-assessor de Obama

Os conselhos do ex-assessor de ObamaComunicar aberta e honestamente. É este o conselho que o ex-assessor de Barack Obama Sean Smith deixa ao governo português tendo em conta o atual contexto do País. Da sua experiência na gestão das campanhas presidenciais norte-americanas diz que as empresas têm muito a aprender com os comunicadores políticos no que concerne a gestão de crises de reputação.

terça-feira, 01 julho 2014 12:59
Os conselhos do ex-assessor de Obama

Atual líder global da área de Reputação Corporativa e Gestão de Crise da consultora Porter Novelli, Sean Smith colaborou na gestão de crises de grandes proporções, como os ataques terroristas nos Estados Unidos, a crise ambiental do Golfo do México, o surto do vírus H1N1. Está hoje em Lisboa para falar sobre "Gestão da Reputação num Contexto Mediático Volátil", no ISCEM.

Briefing | O que explica a volatilidade do atual contexto mediático?

Sean Smith | A economia dos media está a mudar. A estabilidade do velho modelo desapareceu para sempre. Os antigos formatos de media estão a tentar sobreviver e os novos estão a tentar ocupar esse lugar. Acima de tudo, a social de media é uma força disruptiva.

Briefing | Neste contexto, a reputação é um valor ainda mais importante?

SS | A reputação de uma empresa é o seu bem mais valioso. Tudo decorre daí – vendas, quota de mercado, reputação, capacidade de atrair e reter os melhores talentos.

Briefing | De que modo é diferente – ou não – gerir uma crise para um organismo político, um governo, por exemplo, ou para uma empresa?

SS | Há um modo correto de gerir crises e o padrão é o mesmo para empresas, campanhas políticas e governos. É preciso ter planos preparados que permitam agir rapidamente e é preciso que cada um saiba qual é o seu papel e quais são as suas responsabilidades. Depois é preciso agir com celeridade, precisão e transparência e de uma forma que seja consistente com a história e os valores da empresa ou organismo em causa.

Briefing | Diria que as empresas estão preparadas para gerir uma crise de reputação?

SS | A maioria não está. Muitas vezes, as empresas não investem nos preparativos, na antecipação da crise e só percebem que o deviam ter feito quando estão perante uma verdadeira crise. Além disso, muitas empresas ainda não se adaptaram à social media.

Briefing | E valorizam a comunicação como uma ferramenta estratégica?

SS | Algumas sim, mas muitas não. As que não valorizam é muitas vezes porque pensam que o marketing é comunicação ou porque não veem o retorno do investimento. Mas, no atual ambiente de media volátil, é mais crucial do que nunca ter uma estratégia de comunicação robusta.

Briefing | E os governos?

SS | Os governos tipicamente valorizam a comunicação porque estão, com mais frequência do que as empresas, sob os holofotes da opinião pública. Estão habituados a interagir com a media que é responsável pela cobertura da agenda política. É uma área em que os comunicadores políticos têm muito a oferecer aos seus homólogos do sector privado.

Briefing | Que conselho daria a um governo de um país como Portugal que está em vias d sair de uma crise económica?

SS | Só posso aconselhar a que comunique aberta e honestamente, reiterando os passos que estão a ser dados para resolver a crise. E, se há um papel que o público em geral possa desempenhar na saída da crise, aconselho a comunicar que papel é esse e a congregar o público para um objetivo comum.

Briefing | Da Segurança Nacional à Porter Novelli. Qual é o desafio?

SS | Tal como na Segurança Nacional, o meu papel na Porter Novelli é ajudar a resolver grandes problemas. As empresas vêm ter connosco quando enfrentam desafios grandes e complexos e precisam do nosso conhecimento. Gosto de ser capaz de responder a esse apelo, de colocar os meus anos de experiência em cima da mesa, de mergulhar nos negócios dessas empresas e de colocar a criatividade ao serviço dessa tarefa. Quando a solução é encontrada, desenvolvemos uma estratégia de comunicação que explica a solução de uma forma que maximiza uma reação positiva e o apoio do público.

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sexta-feira, 04 julho 2014 14:10

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