Entrevistas

David contra Golias

David contra GoliasÉ uma marca 100% espanhola mas com ambições noutras geografias. Em Portugal, por exemplo, onde se quer afirmar como uma marca low margin. É assim a bq, tecnológica que não tem medo de gigantes como a Apple e a Samsung, orgulhosa da tecnologia made in Europa ainda que tenha de fabricar na China. Em entrevista, o diretor-geral adjunto, Rodrigo del Prado, dá conta da estratégia para o mercado nacional.

sexta-feira, 04 julho 2014 12:16
David contra Golias

Briefing | O que levou a bq a expandir-se para o mercado português?

Rodrigo del Prado | Pelas semelhanças culturais e proximidade geográfica que nos permite operar de forma idêntica e com os mesmos prazos que com o mercado espanhol. Os portugueses estão bastante recetivos aos produtos tecnológicos e são de forma geral early adopters, o que os torna particularmente interessantes para a bq.

Briefing | Que objetivos de negócio traz?

RdP | Ter em Portugal o nosso segundo mercado e ser capazes de replicar os bons resultados do mercado espanhol, onde estamos em segundo lugar no segmento de dispositivos Android desbloqueados. Temos uma previsão de faturação de 12 milhões de euros em 2014 correspondentes à venda de 100 mil dispositivos e a um aumento de cerca de 35% comparativamente ao ano anterior.

Briefing | Como se propõe conquistar mercado em Portugal?

RdP | Dando a conhecer a nossa oferta diferenciadora (dispositivos com a melhor relação qualidade-preço e com um serviço técnico de valor reconhecido) num mercado com as características e no estádio de evolução como é o caso do mercado português. Demonstrando que mais do que uma marca low cost, como muitas vezes somos catalogados, preferimos afirmarmo-nos como uma marca low margin. Isto significa que trabalhamos para colocar no mercado dispositivos de gama média/alta, a um preço muito competitivo, para que os nossos clientes tenham total liberdade no momento de escolher equipamento e tarifário (podendo usar em simultâneo 2 cartões SIM de operadores distintos) sem renunciar à qualidade nem à performance.

Briefing | Num mundo dominado por marcas como a Apple e a Samsung, como se propõe afirmar a tecnologia made in Europa?

RdP | O desenvolvimento tecnológico made in Europa não fica nada a dever à tecnologia asiática ou americana. E nós somos o claro exemplo disso. Estamos a lançar os primeiros smartphones desenhados e desenvolvidos 100% em Espanha, o Aquaris E, e somos concorrentes diretos nas primeiras posições do segmento de smartphones desbloqueados a gigantes como a Apple e a Samsung. E no caso da impressão 3D, a Witbox, única no mercado mundial, desenhada e fabricada 100% em Espanha, é comercializada a nível mundial em mais de 15 países. Como é óbvio as grandes marcas fazem parte de empresas gigantescas, com outras capacidades e estruturas, mas também isso faz com que sejam menos ágeis e necessitem mais recursos e mais margem do que nós para sobreviver e manter a sua posição dominante. O fato de não termos essa mesma exigência permite-nos comercializar os nossos produtos com características semelhantes mas com um preço bastante mais reduzido. E há outro importante fator a ter em conta: as marcas que comercializam telefones de gama alta estão a competir um pouco como na Fórmula 1. Competem entre si para ver qual é o que tem mais e melhores especificações que, muitas vezes, nem sequer são valorizadas pela maioria dos clientes. No caso da bq, procuramos fazer uma seleção das especificações mais importantes para os nossos utilizadores e focalizamos o nosso trabalho em produzir dispositivos que reúnam as melhores especificações possíveis dentro de um determinado rango de preço. É uma questão de encontrar o melhor equilíbrio nessa relação. E no que diz respeito ao fabrico, infelizmente porque ainda é aí que está concentrado o tecido empresarial da indústria mobile, as marcas terão que continuar a ir à China, sejam elas asiáticas, americanas ou europeias.

Briefing | Do ponto de vista da comunicação e do marketing, qual a estratégia para o mercado português?

RdP | Estamos a trabalhar para intensificar a nossa presença nos canais de distribuição já que é uma das regras fundamentais, que os portugueses possam aceder à marca e aos nossos dispositivos com facilidade. E no pós-venda queremos continuar a prestar uma boa assistência aos nossos clientes e para isso temos equipas inteiramente dedicadas ao mercado português. Apostamos no boca a boca, conhecido também como WOM, uma estratégia que só pode ser levada a cabo quando uma marca tem elevados índices de satisfação por parte dos seus clientes. E essa é uma realidade tanto em Espanha como em Portugal onde, segundo um estudo publicado pela Deco Proteste, a bq é a segunda marca, a seguir à Apple com o maior índice de satisfação e fiabilidade.

Estamos ainda abertos a acordos com operadores, à semelhança do que acontece já em Espanha, para que comercializem os nossos produtos com os seus serviços mas sempre como dispositivos desbloqueados.

Briefing | Que investimento publicitário está previsto?

RdP | Não nos podemos afirmar como verdadeiros anunciantes. Como referi anteriormente um dos pilares da nossa estratégia passa por manter satisfeitos os nossos clientes. Uma estratégia que está a colher os seus frutos no mercado espanhol e que estamos a replicar no mercado português. Para isso destinamos a maior parte dos nossos orçamentos de marketing e comunicação à melhoria permanente do nosso serviço de assistência ao cliente. E como trabalhamos com margens bastante reduzidas é complicado fazer, após este processo, elevados investimentos publicitários.

Briefing | Que papel assume o digital e as redes sociais nessa estratégia?

RdP | Na bq temos muito ADN português. A nossa estratégia digital passa por estreitar ainda mais os laços que unem o país com a marca. Queremos estar presentes em Portugal, fazendo eco da experiência local, e para isso, através dos canais online (web e redes sociais) trabalhamos para proporcionar experiências, conteúdos exclusivos e potenciamos a escuta ativa das opiniões, necessidades e sugestões dos utilizadores portugueses.

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sexta-feira, 04 julho 2014 14:11

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