Entrevistas

O fado marca? Perguntem à Joana

Joana Esparteiro, fundadora da Fados Fora de Portas Introduzir momentos portugueses nos eventos e na vida das marcas e das pessoas. Esta a missão da Fados Fora de Portas, empresa criada por Joana Esparteiro que trocou o mundo das agências publicitárias, onde era gestora de clientes, por um projeto próprio. Mas não perdeu o espírito, pois acredita que o fado tem potencial como ferramenta de ativação de marcas: "Ao nível dos conteúdos, o fado fala-nos do dia-a-dia, de sentimentos, da vida. Afinal, de que é que as marcas falam hoje em dia?"

quarta, 11 fevereiro 2015 13:04
O fado marca? Perguntem à Joana

Briefing | O que a levou a deixar uma carreira na publicidade?

Joana Esparteiro | Ainda não sinto que deixei uma carreira na publicidade. Escolhi trabalhar em publicidade e sempre o fiz por gostar muito. O passo de deixar de trabalhar em agências para me dedicar a um projeto meu foi obrigatório para o início da Fados Fora de Portas. A determinada altura senti que este projeto precisava da minha dedicação a 100% para arrancar com mais energia e tomei a decisão de me desligar da publicidade para me aplicar neste novo desafio.

Briefing | Da publicidade aos eventos. É um passo natural ou foi um salto?

JE | Foi um passo natural. Durante o meu percurso enquanto gestora de clientes passei por várias áreas dentro da comunicação. Desde o design, passando pelos eventos e depois pela publicidade. Tive experiências muito enriquecedoras nas várias agências por onde passei e muitas vezes a separação das áreas em cada projeto era ténue. Ter tomado a decisão de me dedicar à Fados Fora de Portas aconteceu porque desenvolvi essa ideia e acreditei nela. Não foi tanto por sentir que estava a dar um salto. Acabou por ser um passo natural porque transportei conhecimentos e experiências das áreas onde já trabalhei para trabalhar melhor num projeto gerido inteiramente por mim.

Briefing | E porquê o fado?

JE | O fado aparece na minha vida de repente mas de uma forma muito intensa. Sempre gostei de ouvir fado mas de um dia para o outro o interesse foi cada vez maior e passei a ir muitas vezes aos fados. Conheci vários músicos e fadistas e fui questionando e percebendo as dinâmicas de gestão quando estes fadistas eram contratados para espetáculos em eventos (nomeadamente quando se tratavam de fadistas sem vínculo a um manager e que eram, e continuam a ser, contactados pessoalmente para atuar em eventos). Talvez me tenha interessado tanto porque nessa altura trabalhava marcas que defendiam muito os valores da portugalidade e conseguia imaginar espetáculos de fado a encaixar na perfeição nos eventos das marcas que trabalhava. Fui percebendo o que se fazia com fado nos eventos e senti que se podia fazer mais e melhor. Achei que estes momentos com fado podiam ser mais promovidos junto de mais pessoas.

Briefing | Qual a proposta da "Fados fora de portas"?

JE | A Fados Fora de Portas faz a promoção e gestão de espetáculos de fado em eventos empresariais ou particulares.

Costumo dizer que este projeto não traz nada de novo ao fado enquanto património musical porque é levado a cabo por uma equipa de fadistas tradicionais que cantam e tocam nas mais conceituadas casas de fado de Lisboa, mas que traz muitas novidades na introdução de momentos de fado nos eventos.

Muitas vezes, as agências, as empresas, os hotéis e os particulares chegavam aos fadistas (que não têm a sua carreira gerida por um manager) através de conhecimentos pessoais: alguém que conhece alguém e que recomenda um fadista que ouviu cantar numa casa de fado. Este método continua a funcionar mas tem as suas limitações, nomeadamente, ao nível da gestão porque muitas vezes são os próprios fadistas que gerem a sua própria presença no evento e a contratação dos músicos.

A Fados Fora de Portas apresenta-se como uma empresa de gestão de espetáculos de fado que faz desde a escolha do fadista (apresentando ao cliente várias hipóteses), passando pela proposta de uma tipologia de espetáculo adaptada ao evento e fazendo, claro, toda a gestão com a equipa de artistas.
Para além disso, focamo-nos numa estratégia de new business e de captação de clientes, o que faz com que a hipótese de ter fado num evento aumente pois esse trabalho não era feito individualmente pelos fadistas que apenas recebiam e respondiam a pedidos efetivos.

A proposta da Fados Fora de Portas é introdução de mais momentos portugueses nos eventos e nos momentos das marcas e das pessoas.

Porque é que uma marca portuguesa que faz um evento tem um saxofonista a tocar jazz na receção dos convidados em vez de ter uma sonoridade tão nossa como uma viola e uma guitarra portuguesa? A cultura portuguesa também cresce um bocadinho com estes cunhos de portugalidade aqui e ali.

Briefing | Qual a recetividade? Que balanço até aqui?

JE | A recetividade tem sido muito boa. E o balanço é, sem dúvida, muito positivo. Sempre acreditei muito neste projeto mas foi uma ótima surpresa ter feedbacks tão positivos em tão pouco tempo.

As agências e as empresas (incluem-se os hotéis, por exemplo) reconhecem vantagens ao centralizarem os pedidos na Fados Fora de Portas e temos sentido que, cada vez mais, surgem mais pedidos depois de fazermos o primeiro espetáculo. É bom perceber que oferecemos ao cliente uma boa solução quer ao nível da gestão quer ao nível da qualidade dos nossos espetáculos.

Para além disso, somos muito versáteis na apresentação de tipologias de espetáculo e proporcionamos momentos tão especiais como cantar um fado com uma letra escrita especialmente para uma marca ou uma empresa ou mesmo para noivos, pais ou avós num dia especial. Os espetáculos são pensados em função do tipo de evento e podem ser de 3 minutos ou de uma noite inteira. É tudo pensado exclusivamente para aquele momento e para aquele cliente e isso torna cada espetáculo mais especial.

Briefing | Voltando ao mundo da publicidade, há potencial para usar o fado como plataforma de ativação de marcas?

JE | O fado é uma arte que é património dos portugueses e, como tal, deve ser utilizado com todos os cuidados e precauções necessários à proteção deste património cultural. Mantendo esta prudência na utilização do fado enquanto forma de ativação de marcas, penso que há um potencial imenso e muito por explorar ao nível criativo. Ao nível dos conteúdos, o fado fala-nos do dia-a-dia, de sentimentos, da vida. Afinal, de que é que as marcas falam hoje em dia?

O fado marca? Perguntem à Joana

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quarta, 11 fevereiro 2015 14:11

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