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A Manuela fez da Imperial um caso de sucesso. Ser mulher influenciou?

 A Manuela fez da Imperial um caso de sucesso. Ser mulher influenciou?Desde que, em 2001, assumiu a liderança da Imperial, Manuela Tavares de Sousa fez crescer a empresa de chocolates, inovando no produto e diversificando na geografia. Acredita que um gestor masculino poderia conseguir os mesmos resultados, mas também acredita que há traços femininos, como a perspicácia e a agilidade mental, que são uma mais-valia para o processo decisão empresarial.

segunda, 16 março 2015 13:06
A Manuela fez da Imperial um caso de sucesso. Ser mulher influenciou?

Briefing | Assumiu em 2001 a liderança da Imperial. O que a fez aceitar o desafio?

Manuela Tavares de Sousa | O desafio era grande, uma vez que estávamos numa altura, tal como hoje, em que as empresas portuguesas – e a Imperial não era exceção – tinham de apostar na inovação e na investigação de produtos e de processos, como forma de adicionar valor ao seu negócio e de poderem ser sustentáveis no futuro. A oportunidade de trabalhar na indústria do chocolate também exerceu um fascínio natural. O mundo do chocolate é verdadeiramente místico e, para mim, veio a tornar-se numa verdadeira paixão.

Briefing | Fez crescer a empresa entretanto. Qual o "segredo" para o sucesso?

MTS | Desde que assumi a liderança da empresa, a Imperial registou, de facto, um crescimento expressivo, tendo o "segredo" residido na aposta constante no lançamento de produtos diferenciadores – que conquistaram posições de liderança em vários segmentos no mercado português – e na diversificação dos mercados geográficos. A empresa assumiu como bandeiras da sua atividade a inovação, a qualidade e a internacionalização.

Briefing | Ser mulher teve alguma influência nesse caminho da Imperial?

MTS | Embora, na minha opinião, a liderança feminina apresente determinadas singularidades que podem contribuir muito positivamente para a gestão das organizações, não acho de todo que seja de concluir que o facto de ser mulher teve influência na trajetória de crescimento da Imperial. Outro gestor ou gestora, com uma boa capacidade de liderança e com as competências adequadas a esta função, teria, certamente, alcançado bons resultados.

Briefing | A gestão é unissexo ou muda consoante o género do gestor?

MTS | Acho que a gestão muda mais em função do estilo de liderança da pessoa e das suas competências do que do género. É certo que homens e mulheres têm características diferentes, mas cada pessoa, cada gestor, é individual e único.

E essa é talvez a grande diferença a registar, sendo que ambos podem produzir resultados semelhantes.

Briefing | Na sua forma de estar nos negócios, que influência tem o facto de ser mulher?

MTS | É uma resposta difícil, até porque como já lhe referi, uma boa gestão não depende do género.

Mas poderia acrescentar que, de uma maneira geral, as mulheres que ocupam cargos de topo são possuidoras de capacidades chave ao nível dos processos de negociação, quer pela perspicácia que detêm como pela agilidade mental, o que lhes permite saber interpretar bem os interlocutores que têm pela frente e ajustar facilmente as estratégias de negociação, selecionando a abordagem mais adequada para encontrar soluções win-win. E este é seguramente um dos aspetos cruciais na gestão dos mais diversos processos do dia a dia de uma organização.

Briefing | Sentiu alguma dificuldade em chegar ao topo? Sente que, de alguma forma, as mulheres têm mais dificuldade ou serão elas que se condicionam?

MTS | Nunca senti isso. Acredito que para se ter sucesso é necessária uma aquisição contínua de conhecimento e o desenvolvimento de pensamento crítico, um espírito de permanente abertura à mudança, criatividade, saber gerir a relação com os outros, agilidade intelectual e habilidade para lidar com novas situações. Seja homem ou mulher.

Briefing | É a favor da discriminação, da dita discriminação positiva?

MTS | Sou essencialmente a favor da igualdade de género. Penso que as mulheres não precisam de descriminação positiva. Precisam, isso sim, de verdadeira igualdade no acesso a cargos de chefia. A descriminação positiva, na minha opinião, cria alguma artificialidade já que a progressão nas carreiras deve ser feita apenas por mérito.

Briefing | O tecido empresarial português (e não só) beneficiaria se houvesse mais mulheres no topo? Porquê ou porque não?

MTS | Cada vez mais as organizações reconhecem que a liderança no feminino tem particularidades que contribuem para o seu sucesso, fomentando ideias e a obtenção de diferentes perspetivas, que acrescentam valor às empresas. As mulheres que ocupam cargos de chefia possuem um forte perfil analítico, uma grande sensibilidade na gestão de processos e relações interpessoais e uma grande capacidade de planeamento.
O cada vez maior número de mulheres a liderar empresas de sucesso ou a ocupar cargos de relevo em organizações nacionais e internacionais é uma realidade e um fator muito positivo para a sociedade em geral, uma vez que permite contribuir com ideias e valores diferentes, que acrescentam valor no processo de decisão. É um claro reforço da diversidade.

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terça, 17 março 2015 12:01

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