Entrevistas

Como pôr a criatividade a falar com a tecnologia? O João explica

Pôr a criatividade a falar com a tecnologia. É o objetivo da Academia de CódigoPôr a criatividade a falar com a tecnologia. É este o grande objetivo da Academia de Código, que criou o Coding Bootcamp, um curso que pretende requalificar profissionais para a área das tecnologias através do ensino de código. João Magalhães, CEO da Academia de Código, explica ao Briefing como podem as marcas beneficiar destas competências.

sexta-feira, 27 novembro 2015 13:09
Como pôr a criatividade a falar com a tecnologia? O João explica

Briefing | Como surge a Academia de Código?

João Magalhães | A Academia de Código surgiu em 2014, como um projeto de impacto social, destinado a ajudar a resolver o problema de desemprego em Portugal, requalificando profissionais para a área das tecnologias através do ensino de código. Simultaneamente, queremos ajudar o mercado a dispor dos profissionais que precisa, sabendo que muitas empresas em Portugal não crescem como poderiam devido à dificuldade de encontrarem e reterem programadores. Para além do Coding Bootcamp para adultos, que vai agora para a segunda edição, já lançámos também um projeto piloto chamado Academia de Código Júnior, que visa ensinar as crianças do primeiro ciclo das escolas básicas a programar através de softwares criados com esse propósito e da interação com robots.

Briefing | A Academia de Código acaba de abrir inscrições para a 2.ª edição do curso. Qual o balanço?

JM | O balanço não podia ser mais positivo. Para o primeiro curso, que está a decorrer até 11 de dezembro, tivemos 600 candidaturas de pessoas das mais variadas áreas profissionais. Desde que abrimos as inscrições para o segundo curso, que terminam a 29 de novembro, já vamos com mais de 1.000 inscrições.

Briefing |O que motivou a abertura de candidaturas a todos os desempregados?

JM | Primeiro quisemos provar o modelo e demonstrar que é possível ensinar as linguagens da programação a pessoas que não têm um background de engenharia informática e que nunca programaram uma linha de código na vida. Começámos pelos jovens licenciados com menos de 30 anos e temos tido excelentes resultados porque desenvolvemos uma metodologia de ensino própria e desenhámos métodos de ensino à medida de novos públicos. Mas porque o problema do desemprego em Portugal não afecta só os jovens licenciados, mas todo o espectro de idades e de qualificações, no nosso segundo curso decidimos alargar o desafio e estender as inscrições a pessoas mais velhas e também às que nunca concluíram uma licenciatura.

Briefing | Qual o perfil dos candidatos?

JM | Basta que tenham mais de 18 anos, estejam inscritos no Centro de Emprego e residam no município de Lisboa.

Briefing | Quais as empresas parceiras da Academia que vão oferecer estágios aos participantes?

JM | Até ao fim de janeiro, todos os alunos do primeiro Coding Bootcamp que terminem o curso vão estar colocados em estágios profissionais. Neste momento, estamos em negociações com várias empresas, que vão desde algumas das start-ups mais bem sucedidas em Portugal (Uniplaces, Talkdesk, etc.) a grandes consultoras de TI, passando por agências criativas de web development.

Briefing | Quais as mais-valias das competências de código?

JM | Aprender código tem inúmeros benefícios ao nível do desenvolvimento das competências de raciocínio lógico e, como qualquer nova linguagem, dá acesso a um maior leque de possibilidades de comunicação com outras áreas. Mas a grande mais-valia no longo prazo, para estes alunos, é o aumento da sua empregabilidade. Neste momento, estima-se que a falta de programadores em Portugal antes à volta dos 10.000. E tendência é para aumentar.

Briefing | E como podem as marcas beneficiar destas competências? E as agências?

JM | Com o crescente uso de aparelhos mobile e o boom do consumo de informação online, todas as marcas querem ter boas estratégias de marketing digital e aplicações que as suportem. Quer as marcas, quer as agências que desenvolvem estratégias e campanhas para as marcas, precisam cada vez mais de conseguir pôr a criatividade a falar com a tecnologia. Isso não é possível sem o domínio de linguagens de programação. Uma coisa que notámos nas nossas candidaturas é o aumento de profissionais da área de marketing à procura de adquirir conhecimentos de código - precisamente porque sentem essa limitação. Da mesma forma que antes um criativo que dominasse mais softwares de Design conseguia expressar-se melhor e tinha uma maior empregabilidade, hoje muitos criativos querem ser mais versáteis e crescer profissionalmente através das linguagens web.

Briefing | Para promover o curso foi lançada uma campanha. Qual o conceito?

JM | O conceito é desenvolver uma linguagem nova para falar de uma área que tipicamente era hermética e algo cinzenta, tentando chegar a perfis de pessoas que não teriam, de outra forma, qualquer apelo pela programação. Criamos todo um léxico novo, que usamos na campanha mas também transportamos, depois, para a sala de aula. Outro aspecto desse esforço de aproximação é a introdução de referências da pop culture nas nossas campanhas - desde o Darth Vader aos Daft Punk - como teasers para captar a atenção, e não só dos mais jovens.

Briefing | O que pretende transmitir?

JM | Pretende transmitir proximidade, irreverência e muito entusiasmo. Proximidade, para nos demarcarmos do tom de voz tipicamente alienante que as tecnologias conseguem ter face à população que não vem dessa área. Irreverente, porque sabemos que o que estamos a fazer é algo que nunca foi tentado antes e também porque qualquer pessoa que esteja disposta a mudar radicalmente de área - seja um veterinário ou um engenheiro de som, como temos alguns a frequentar o primeiro curso - para vir estudar código, será alguém que vai responder ao desafio, alguém que terá de ter também algo de irreverente em si. Por fim, a questão do entusiasmo tem a ver com o facto de, tanto o processo de recrutamento, como o curso em si serem muito exigentes em termos de capacidade de trabalho e, sem entusiasmo pela aprendizagem, os nosso code cadets não conseguem aguentar. Por isso queremos, logo desde a campanha, influenciar a qualidade e a adequação dos candidatos que nos procuram.

Briefing | Em que suportes a campanha está veiculada?

JM | A campanha tem sido veiculada sobretudo através de suportes digitais, mas também usamos alguns suportes de proximidade como mupis e presença em eventos.

Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

segunda-feira, 30 novembro 2015 13:39

bt nl

2050.Briefing

O Outdoor Honesto

À Escolha do Consumidor

Edições Especiais

Assinatura Mensal
Edição MensalE-paper

Facebriefing