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A Ministério dá segurança aos Filmes. Palavra de Alberto Rodrigues

A Ministério dá segurança aos Filmes. Palavra de Alberto RodriguesTer a menor dose de improviso possível, não falhar prazos e fazer o melhor com o orçamento proposto. São os trunfos da Ministério dos Filmes. Isto porque as marcas procuram segurança. É o que diz o fundador e produtor executivo, Alberto Rodrigues, que vê com preocupação a diminuição de anunciantes no mercado nacional. A solução: mais organização e poder para os profissionais desta área.

segunda-feira, 14 dezembro 2015 13:08
A Ministério dá segurança aos Filmes. Palavra de Alberto Rodrigues

Briefing | A Ministério nasce em 1999. O que mudou na área da produção nestes 16 anos?

Alberto Rodrigues | Agora é preciso estar atento a muito mais coisas. Os filmes tinham uma vida exclusiva para televisão, mas hoje as campanhas têm também uma vida online, onde é preciso ter muito cuidado em relação ao que se liberta, porque as pessoas podem dar opinião quase em direto. Mudou, sobretudo, a capacidade de resposta e a visibilidade das coisas.

A passagem do filme para o vídeo foi, para a Ministério dos Filmes, uma grande revolução – a última vez que filmámos em película foi em outubro de 2013. Tivemos uns tempos de teimosia, mas de repente os laboratórios acabaram e deixámos de ter onde revelar o trabalho. Foi uma transição difícil, principalmente porque os realizadores são um pouco puristas. Hoje em dia tudo é feito em vídeo, no entanto existe a dúvida – e se um dia formos à procura destes ficheiros e tiverem desaparecido? Por isso, nos EUA estão a optar por fazer cópias em película dos filmes gravados em formato digital.

O processo de pós-produção é agora mais rápido e a comunicação é mais fácil. Atualmente, não consigo explicar como era produzir sem telemóvel, ninguém acredita.

Briefing | Mas essa facilidade não acaba por proporcionar mais exigência e urgência por parte dos clientes?

AR | Um filme publicitário tem, em média, três semanas entre a adjudicação e a entrega. Há muito poucos casos em que demora mais do que isso. Para um dia de rodagem, um filme de 30 segundos, que é 60% ou 70% do mercado publicitário durante o ano, três semanas a um mês é o tempo suficiente para fazer um projeto. E há também o caso de anunciantes que têm de responder a provocações e/ou a promoções, não podendo, portanto, dispor de mais tempo, correndo o risco de perder o timing certo. A grande preocupação neste momento é que há cada vez menos anunciantes.

Briefing | E havendo cada vez menos anunciantes que alternativas restam à produtora?

AR | É preciso tentar que os anunciantes que ficam confiem na Ministério dos Filmes. Dedicamo-nos em exclusivo ao mercado português, e não temos nenhum departamento de service, nem nunca pensámos nisso. Temos dois realizadores e, felizmente, trabalho com cadência e em número suficiente para a estrutura que temos. É rezar para que os anunciantes não diminuam mais. Mas, havendo menos anunciantes a concorrência é maior, e é visível o aumento de produtoras nos últimos anos. Isto porque as estruturas encolheram e o que, normalmente, acontece é que as pessoas passam a estabelecer-se por conta própria. Ainda bem que o há, porque gera emprego, mas preocupa, obviamente. Um país deste tamanho que perdeu, num ano, entre 12 a 15 anunciantes de peso reduziu, e de que maneira, as probabilidades de trabalho durante o ano. Mas continua a existir, está é diferente.

No entanto, nota-se que as marcas voltaram a comunicar, depois dos últimos três anos que foram um pouco confusos e em que ninguém sabia o que fazer por razões económicas.

Briefing | Perante este aumento de concorrência, como a Ministério dos Filmes se distingue de outras produtoras no mercado nacional?

AR | Pelos realizadores. Seja o Marco Martins ou o Zé Pedro Sousa, ambos têm um cunho muito especial, são muito competentes e trabalhadores. Além disso, a equipa de produção da Ministério dos Filmes é composta por pessoas que lá trabalham há muitos anos, dentro do mesmo formato e com a mesma exigência, e isso conta como resultado final. No fundo, acho que os clientes confiam em nós pela qualidade, por respeitarmos os prazos, por sermos realistas. Embora, às vezes, nos apelidem de caros, eu consigo provar que o valor pago está nos filmes, não está noutro lado. Os trunfos da Ministério passam pela organização, pela produção, pelo talento dos realizadores, e por uma preocupação em deixar tudo resolvido na pré-produção dos filmes, ou seja, ter a menor dose de improviso possível para o dia da rodagem, para que as coisas aconteçam à hora programada. Acho que aquilo que os clientes procuram é a segurança. Isto é, numa altura em que investir tem de ser cada vez mais pelo seguro esta é a bandeira da Ministério – não falhar os prazos, fazer o melhor possível com o orçamento proposto, e aí soma-se o talento dos realizadores.

Briefing | Continuam condicionados por verbas mais modestas ou esta realidade tem vindo a alterar-se?

AR | Há coisas que não mudam. A economia encolheu e começou-se a viver outra realidade. Agora é difícil convencer um cliente que pagou um determinado valor por um filme a pagar mais. Além disso, fala-se muito mais que as condições financeiras melhoraram do que aquilo que notamos no dia-a-dia. Acho que os orçamentos encolheram. Os filmes têm um preço e há clientes que têm consciência disso. O que é perigoso são aqueles que compram e sabem que o estão a fazer abaixo do preço do mercado.

Briefing | Há uma tendência para aproveitar esta fragilidade?

AR | Há, infelizmente há. Mas acho que não tem tido grandes resultados. Há muitas produtoras que já faliram. A Ministério dos Filmes está a tentar que a Associação de Produtores de Filmes de Publicidade se organize e que os profissionais desta área tenham algum espaço onde possam partilhar casos. Já se fez isso na Bélgica, os produtores uniram-se e os que praticavam dumping foram excluídos do mercado.

Briefing | Voltando ao digital. Veio potenciar ou desvalorizar?

AR | As nossas campanhas derivam muito da televisão e não somos muito contactados para fazer exclusivamente digital. Normalmente, as campanhas que fazemos são all media, ou seja, um filme é feito para televisão mas vai para todo o lado – congressos, festivais, internet. O nosso trabalho é 99% televisão e o que vai para o online deriva daí, geralmente em formatos maiores do que a média dos anúncios em televisão. Mas acho que o digital é um complemento e veio valorizar.

Esta entrevista pode ser lida na íntegra na edição impressa do Briefing.

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segunda-feira, 14 dezembro 2015 15:01

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