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Crescer a 300%? A Grow “pensa em grande”

Crescer a 300%? A Grow “pensa em grande”"Think bigger than any office" é o lema da F& F Grow, Agência moçambicana criada em 2012 por dois portugueses, Pedro Froes e Eurico Freitas. Partiram para Moçambique com vontade de crescer e fazer crescer e os últimos resultados dão conta de que estão a ser bem sucedidos: em 2015 cresceram 300% face ao ano anterior.

quinta, 21 janeiro 2016 11:53
Crescer a 300%? A Grow “pensa em grande”

Briefing | O que vos levou a apostar em Moçambique?

Pedro Froes | Em 2012, quando finalizei o projeto na Partners Angola, viajei por alguns países e cidades com a necessidade de entender melhor o que se passava no mercado internacional. Passei pela África do Sul; Moçambique; China e Estado Unidos. Três meses depois, quanto aterrei novamente em Lisboa, vinha com vontade de voltar a apostar em África, neste caso Moçambique.

Nesse mesmo ano o meu sócio – Eurico Freitas – e eu voltámos a Moçambique para estudar melhor o mercado e perceber quais as reais necessidades, oportunidades e qual o diferencial que poderíamos trazer ao mercado. Acima de tudo, notámos que existia muita oferta, mas que as grandes contas eram detidas por apenas 3 ou 4 agências e que existia espaço para qualidade e serviço.

Vínhamos com vontade de "crescer e fazer crescer", com um conceito focado nos resultados e na entrega do que nos propúnhamos fazer.

Briefing | Passados três anos, que balanço fazem da aposta?

PF | Uma aposta certa. O ano passado crescemos cerca de 300% relativamente a 2014 e fomos a única agência nacional e independente premiada no Festival de Maputo, mas acho que a melhor resposta é um pequeno texto que temos no nosso website: "Começámos sem escritório e com os nossos computadores pessoais. A única coisa que tínhamos era um sonho e uma equipa com mais de 30 anos de experiência entre África e Europa. Ganhámos alguns clientes, mudámos para uma pequena garagem e escrevemos na parede 'think bigger than this small office'. Este foi o ponto de partida e, claro, o nome da agência não poderia ser outro. Começámos a crescer e agora trabalhamos orgulhosamente grandes players de mercado. Hoje somos maiores do que fomos mas continuamos com o mesmo comprometimento. Sim, a nossa história continua a ser escrita da mesma forma 'crescer e fazer crescer' e hoje temos escrito na parede 'think bigger than any office'."

Briefing | Foi difícil penetrar e serem aceites como uma agência local?

PF | Inevitavelmente. Quando viemos não tínhamos portefólio de agência e nem um único cliente. Sendo um projeto de vida, não foi fácil passar essa mensagem quando inúmeras agências, portuguesas e não só, vêm e vão com promessas difíceis de cumprir. Mas no fim, o atendimento/resposta, criatividade, estratégia e equipa local ditam a aceitabilidade do mercado às novas entradas. Quase 3 anos depois podemos dizer que a GROW é reconhecida como uma agência de Moçambique e para Moçambique.

Em 2015, para além de termos mantido a carteira de clientes como por exemplo, a Mitsubishi; FUSO; Fiat; Bolsa de Valores; Tropigália; Embaixada de Portugal, ganhámos ainda as contas do Capital Bank e da Europcar. Desenvolvemos também projetos para as Cervejas de Moçambique; CMH (Companhia Moçambicana de Hidrocarbonetos); REN (Redes Energéticas Nacionais); SuperBock; Sumol+Compal; Banco de Moçambique; STV (Grupo Soico); Tranquilidade Seguros; União Europeia; Aeroportos de Moçambique; Petrotec Moçambique, Água Matisana, Nestlé, Source Capital, GAIN, entre outros.

Briefing | Como descreveria o mercado moçambicano?

PF | Ainda pequeno, muito específico e cada vez mais exigente. Acima de tudo, e essa é a grande aposta nacional, se não existir classe média e poder de compra, não existem anunciantes. Sem anunciantes/players não existe concorrência e sem concorrência não existe evolução.

O mercado publicitário tem inevitavelmente crescido, mas para já ainda se restringe em grande parte à província de Maputo, ou seja, onde está grande parte do poder de compra. É esse o paradigma que tem de mudar e tem vindo a mudar. O centro e norte do país têm um grande potencial e acreditamos que irá crescer no médio longo prazo. Moçambique é enorme e aqui falam-se mais de 40 dialetos. Um desafio muito interessante para a comunicação quando pensamos no mercado nacional. Moçambique não é só Maputo, é muito mais.

Briefing | É um mercado concorrencial? Quem são os vossos concorrentes?

PF | Como em qualquer mercado emergente, existem, para além das agências locais, inúmeras agências internacionais, independentes ou não, a entrar ou a tentar no mercado.

Segundo a AMEP – Associação Moçambicana de Empresas de Marketing, Publicidade e Relações Públicas – desde 1992 até aos dias de hoje, foram concedidos cerca de 150 alvarás para agência de publicidade, sendo que o mercado se resume a 20 ou 25 e desses números 9 ou 10 têm expressão. Embora o mercado ainda não seja mensurável, acreditamos já estarmos entre as 7 primeiras em investimento de media.

Na nossa concorrência estão desde agências locais de grande expressão como é o caso da GOLO ou as internacionais como a DDB ou a OGILVY.

Briefing | Do ponto de vista do investimento em publicidade, qual tem sido a evolução?

PF | Moçambique é um país que cresce na ordem dos 7% e pensamos que o mercado publicitário acompanha o crescimento, tanto a nível quantitativo como qualitativo.

Estando o consumidor mais exigente, obriga a que os anunciantes e agências recorram a novas, melhores e mais eficazes forma de comunicar e isso implica mais investimento. É um processo normal em qualquer país e muito mais nos emergentes.

De qualquer forma, e sendo um mercado ainda pequeno, é indispensável o planeamento estratégico de campanhas e de media com vista à otimização de budgets em prol da eficácia. Um desafio diário.

Os grandes anunciantes passam essencialmente pelas telecomunicações, banca, refrigerantes, cervejas e automóvel, sendo estes os setores que mais investem.

Briefing | Em termos de media mix, assiste-se também ao crescimento do digital?

PF | Sem dúvida. No mundo ocidental tivemos várias fases. Aqui praticamente saltámos diretamente para o mobile. Segundo a Sapo Moçambique, no final de 2014 existiam cerca de 2 milhões de utilizadores de smartphones no país e estima-se que, em 2017, 50% dos residentes urbanos estarão online. Relativamente a redes sociais, por exemplo, o Facebook já conta com mais de 1 milhão de contas abertas com IP nacional e tem crescido a 2 dígitos por ano. É um bom indicador.

Briefing | Há outros mercados no vosso horizonte? Angola ou a África do Sul, por exemplo?

PF | Há sempre outros mercados em mente, principalmente em África. Temos clientes que têm operações em vários mercados e que nos têm abordado, mas cada coisa a seu tempo.

Briefing | E Portugal interessa-vos?

PF | Embora Moçambique seja a nossa casa, costumamos dizer que existimos de Moçambique para Moçambique e de Moçambique para o Mundo. Não fechamos portas, mas a prioridade é Moçambique.

Briefing | Que expetativas para 2016?

PF | As oscilações cambiais e algumas incertezas ou atrasos no arranque nos grandes projetos nacionais preveem um início de ano difícil. De qualquer forma estamos com boas perspetivas. Temos clientes consolidados e acreditamos continuar a crescer em 2016 e a fazer cada vez mais a diferença.

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sexta, 22 janeiro 2016 12:49

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