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Uma “bomba” de lápis? Isso é relevância e a Fuel explica porquê

  Uma “bomba” de lápis? Isso é relevância e a Fuel explica porquêA criatividade da Fuel para o Público para assinalar o aniversário do ataque ao Charlie Hebdo assumiu a forma de uma "bomba" feita de lápis. Foi enviada para 20 jornais e alguns houve que a devolveram. Mas deu que falar nos media da especialidade. Marcelo Lourenço, codiretor criativo da agência, explica que o segredo está na relevância.

quarta, 10 fevereiro 2016 13:46
Uma “bomba” de lápis? Isso é relevância e a Fuel explica porquê

Briefing | Qual foi o desafio que vos foi lançado pelo Público?

Marcelo Lourenço | A liberdade de expressão é um tema muito importante para o Público, daí o envolvimento e o destaque que o jornal deu ao atentado ao Charlie Hebdo na altura do ataque. Um ano depois, o desafio lançado pelo Público era como marcar esta data e trazer o tema da liberdade de expressão novamente aos media.

Briefing | Como chegaram à caixa de lápis?

ML | Mais do que um atentado a um único jornal, os terroristas atacaram a própria liberdade de expressão, um valor essencial da moderna democracia. Se deixarmos de escrever e desenhar livremente por medo de represálias como essa, os terroristas venceram. Daí que a nossa arma mais poderosa, a única com que podemos combater os terroristas, é a coragem de continuar a expressar-nos livremente – e no caso do Charlie Hebdo, de continuar a desenhar. Quando este raciocínio ficou pronto, a ideia da "bomba" de lápis nasceu naturalmente.

Briefing | Apesar do digital, isto significa que a imprensa ainda tem peso social?

ML | A imprensa continua tendo um papel essencial no mundo moderno – principalmente a imprensa que já entendeu que é preciso adaptar-se ao novo mundo digital. O Público é um dos jornais que tem liderado a nova era do jornalismo multimédia, a transformar-se num produtor de conteúdo relevante.

A "Charlie Hebdo Box" é a prova disso: com um investimento mínimo mas com uma relevância gigantesca, o Público conseguiu chamar a atenção para um assunto que merecia ser tratado com a devida importância.

Briefing | E o que diz do próprio Charlie Hebdo?

ML | O Charlie Hebdo, um pequeno jornal francês com tiragem limitada, faz isso com uma competência brutal: goste-se ou não do humor praticado pelo Charlie Hebdo, ele consegue influenciar a pauta dos noticiários. O seu cartoon mais recente, o que mostra o miúdo sírio que morreu afogado a crescer e a transformar-se num violador, beira o mau gosto mas trouxe de volta às notícias o tema dos refugiados – e fez toda a gente voltar a falar sobre o miúdo sírio, uma imagem que já caíra no esquecimento.

Briefing | Que leitura fazem do acolhimento que está a ter nos media internacionais do setor?

ML | A reação foi polémica como o próprio Charlie Hebdo: a caixa foi enviada para 20 dos maiores jornais do mundo e enquanto alguns jornais nos deram os parabéns, outros devolveram a caixa sem nem sequer a abrir (por questões de segurança). A Charlie Hebdo Box foi eleita "Ad of the Week" no prestigiado The Drum, entrou no top 20 do Creativity e o vídeo que explica a ação foi visto e compartilhado milhares de vezes.

Briefing | Esta é a prova de que simplicidade é eficácia?

ML | Diria que a relevância é o segredo da eficácia.

Briefing | Estamos perante um trabalho candidato a prémios? Vão inscrevê-lo?

ML | Estamos todos muito felizes com a campanha e com o facto de ela trazer para os media a discussão sobre a liberdade de expressão. Claro, uma campanha com um buzz tão forte à volta dela aumenta as suas chances nos festivais de publicidade e, sim, pretendemos inscrevê-la. Sempre lembrando que o que vence ou não nos festivais é sempre um mistério.

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sexta, 12 fevereiro 2016 14:14

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