Entrevistas

Um museu da publicidade? Uma “ideia absolutamente fascinante” que vai ser realidade

 Um museu da publicidade? Uma “ideia absolutamente fascinante” que vai ser realidadeOriginais de Fernando Pessoa e Ary dos Santos, autocarros de dois andares com publicidade, estúdios que permitirão vestir a pele de protagonistas de anúncios históricos. É com estes exemplos que João Monsanto, presidente da agência Laranja Mecânica, levanta o véu sobre o futuro Museu da Publicidade, de que é um dos mentores. O lançamento não oficial acontece esta sexta-feira à noite, na Cinemateca de Lisboa.

terça-feira, 03 maio 2016 13:25
Um museu da publicidade? Uma “ideia absolutamente fascinante” que vai ser realidade

Briefing | O que o levou a mobilizar-se em prol de um museu da publicidade?

João Monsanto | A ideia de criar um museu é a ideia de defender um património histórico e cultural. Um património físico e humano. Logo é uma ideia absolutamente fascinante para qualquer pessoa que sempre trabalhou e adorou publicidade.

A publicidade tem o mérito de juntar arte e técnica e no seu conjunto criar e transmitir ideias capazes atrair e apaixonar transversalmente populações inteiras. Assim, esta ideia é, só por si, altamente motivadora. Por isso, além dos fundadores, cada vez mais pessoas e instituições que se juntam a este projeto.

Briefing | Há quanto tempo anda a germinar este projeto?

JM | A ideia foi apresentada há mais de dois anos a um conjunto de publicitários que a abraçaram. Desde aí que se tem trabalhado, primeiro na constituição da Associação Museu da Publicidade (AMUSP), e depois na definição do projeto e em contactos para a sua viabilidade.

Briefing | Será um museu dedicado à publicidade em geral ou made in Portugal?

JM | O Museu será dedicado à publicidade produzida em Portugal. Porém, será indiscutivelmente compreensível e atrativo para qualquer cidadão do mundo. É fácil entender que se trata de publicidade portuguesa mas não obrigatoriamente produzida para marcas portuguesas. Esperamos que o público, ao correr os corredores do Museu, perceba, com o que vai vendo, ouvindo, sentindo e experimentando, a evolução não só do país mas do mundo ao longo dos últimos séculos.

Briefing | Com que espólio parte?

JM | Temos efetuado um levantamento de publicidade audiovisual em colaboração com a Cinemateca e temos já a oferta de variadíssimas peças físicas e virtuais. Estamos também em contacto com meios e outras entidades públicas e privadas para colaborarem connosco. Iremos também em breve lançar na internet uma campanha de recolha de peças publicitárias para incorporar o espólio.

Briefing | Tem reunido contributos de agências e criativos?

JM | Por enquanto têm colaborado apenas as agências e os criativos mais próximos do próprio projeto. Estamos também em contacto com a APAP e o Clube de Criativos para virmos a cooperar. Aliás, gostaríamos muito que o Museu, enquanto entidade independente e abrangente, tivesse a capacidade de juntar e ter o apoio de todas as associações profissionais e de classe nas áreas do marketing, do design, da publicidade, da produção, da web, etc..

Briefing | E que apoios tem?

JM | Temos mantido, até agora, esta iniciativa muito discreta e fechada. Não queríamos abordar o mercado para angariar apoios antes de termos um conjunto de condições estabelecidas. Isto não impediu que já tenham existido contactos de anunciantes e com anunciantes com o objetivo de apoiar o projeto. Destaque também para a área do ensino, onde, por exemplo, a UAL - Universidade Autónoma de Lisboa se juntou de imediato à iniciativa.

Briefing | Para quando a concretização e onde?

JM | O Museu? Já começou. Hoje um Museu não se confina às paredes de um qualquer edifício. É muito mais do que isso. Começa por ser o resultado de uma comunhão de vontades. Depois, mesmo antes de qualquer espaço físico ou virtual, tem de se tornar vivo, encontrar referências e mostrá-las a todos, independentemente do espaço que virá a ocupar. Por isso "Uma Noite no Museu" - Mostra de Filmes Publicitários dos anos 30 a 70, é, de certa forma, a inauguração não oficial do Museu.

Briefing | Que tipo de museu será?

JM | O Museu da Publicidade será "constituído" por três museus. O museu virtual, apoiado por uma plataforma digital capaz de recolher peças e exibi-las num formato similar a um fórum. Contamos lançar a primeira versão em setembro/outubro; até lá o Facebook, que já tem cerca de 1.400 fãs, está a servir como ponte de comunicação com o público. Depois, o museu físico, que está atualmente em processo de negociação do espaço com um município e também a ser cuidadosamente pensado para que seja uma referência nacional e internacional não só nos conteúdos como na sua forma arquitetónica, e que irá contar com uma componente tecnológica elevada, nomeadamente na área da realidade aumentada. Teremos originais de Fernando Pessoa e Ary dos Santos, autocarros de dois andares com publicidade nos jardins, estúdios que permitirão aos visitantes vestirem a pele de personagens marcantes em anúncios históricos, castings, etc... Julgamos possível inaugurá-lo até final de 2017. E, finalmente, o museu vivo, composto por todas as iniciativas do próprio museu. Exposições temporárias, workshops, laboratórios, etc.. farão do museu uma permanente atividade de animação e formação cultural e académica, quer dentro, quer fora de portas. Este "museu" já começou e não mais vai parar.

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terça-feira, 03 maio 2016 15:28

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