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Ir a Cannes por correio? Os Young Lions da NOSSA explicam

Ir a Cannes por correio? Os Young Lions da NOSSA explicam Rui Simões e Maria Bessa, da NOSSA, são os primeiros portugueses a conquistar um leão nos Young Lions, a competição do festival internacional de criatividade Cannes Lions dedicada aos jovens criativos. Com um "bronze" na mala, atribuído na categoria de Design, dizem que chegaram a Cannes por correio. É que foi com o briefing dos CTT que os jovens criativos rumaram nesta experiência. Agora, contam à Briefing como foi estar entre "os melhores".

sexta, 01 julho 2016 12:51
Ir a Cannes por correio? Os Young Lions da NOSSA explicam

Briefing | Como foi conquistar a oportunidade de representar Portugal nos Young Lions?

Rui Simões | Foi uma enorme alegria, claro. Como já tinha sido quando fomos selecionados para o bootcamp dos Young Lions em Portugal, onde fizemos parte das cinco duplas finalistas. E olhando para a excelente qualidade dos trabalhos apresentados nessa competição, a vitória significou ainda mais para nós. E encarámo-la exatamente como uma grande oportunidade.

Maria Bessa | Foi incrível! A experiência no bootcamp foi muito boa, estar com vários criativos no mesmo espaço a trabalhar, conhecermos pessoas na área e conseguir responder ao briefing num espaço de tempo tão curto. Foi um bom desafio. E claro que poder representar Portugal em Cannes tornou tudo ainda melhor.

Briefing | Qual o briefing que levou à vitória?

RS | Respondendo à segunda pergunta, o briefing foi passado pelos CTT, que nos pediu um naming e uma identidade visual para um serviço, e ainda uma peça de Direct Mail criativa e inovadora sobre esse serviço. Resumindo: chegámos a Cannes por correio.

Briefing | Acabam de trazer bronze dos Young Lions, sendo a primeira dupla a conquistar um leão nesta competição. A que sabe esta distinção?

RS | Ainda estamos a saborear. Principalmente tendo em conta que todos os países partiram para a competição em pé de igualdade. O mesmo briefing, o mesmo tempo e as mesmas condições de trabalho. O único critério era a ideia e a sua execução. E estávamos a competir com aqueles que, na teoria, são os melhores jovens criativos dos seus países. E ficar em terceiro, no meio de tantas duplas com tão bom trabalho, só nos pode deixar felizes.

MB | É muito bom voltar com um prémio de Cannes. Toda a experiência é incrível. Tivemos de fazer o equilíbrio perfeito entre assistir às conferências, ir às festas e trabalhar. O sono foi claramente o sacrificado, mas valeu a pena.

Briefing | Que retorno esperam obter a nível profissional?

RS | O primeiro impacto tem sido muito positivo. Temos sido mencionados em várias publicações e recebido várias mensagens. Isto para dizer que o reconhecimento da indústria é importante para qualquer criativo, mas principalmente para os jovens. Começámos logo por senti-lo através do pessoal da agência, que utilizou todos os emojis festivos que existem. O reconhecimento deles também é essencial para nós, porque no fundo, também os estávamos a representar. Em relação ao resto, vamos ver. O prémio em si não muda as nossas ambições profissionais. É um degrau importante, mas não nos vamos encostar à espera que ele nos faça a carreira.

MB | Os prémios acabam por valorizar o nosso trabalho e esse reconhecimento é importante no nosso percurso profissional. Como temos poucos anos de experiência é bom mostrar que queremos aprender, crescer e fazer bom trabalho. E termos sido reconhecidos e ganho alguma visibilidade, dá-nos motivação para querer continuar a melhorar.

Briefing | Qual a importância para indústria criativa portuguesa?

RS | É muito bom Portugal ter representantes capazes de ombrear com os melhores. Sejam as agências portuguesas ou os criativos portugueses espalhados pelo mundo, que continuam a somar prémios ano após ano. E claro, para os jovens como nós, ganhar (mesmo que um bronze) numa competição como os Young Lions também ajuda a colocar Portugal no mapa. Tudo isto é a prova que a criatividade portuguesa não fica a dever nada a ninguém. Nesta indústria, e digam o que disserem, os prémios são importantes. Para nós criativos, para as agências e até para as marcas, que obviamente preferem trabalhar com os melhores.

MB | Sim, este ano provou mais uma vez que Portugal tem potencial e qualidade criativa. Havia algumas duplas de portugueses a competir por outros países e isso mostra que os portugueses conseguem estar entre os melhores.

Briefing | E que conselhos dão para os jovens criativos?

RS | Que aproveitem estas oportunidades para se mostrarem. No caso dos Young Lions em particular, é uma competição que existe todos os anos e que pode dar uma exposição brutal. É só participar e fazer um trabalho que nos deixe contentes. Esse foi sempre o nosso critério. Mesmo que não tivéssemos ganho, estávamos contentes com o que tínhamos feito, e que o íamos acrescentar ao nosso portfolio. Nem que seja por isso, para ter mais uma boa peça para o portfolio. E um conselho mais prático: em Cannes, é importante comer bem ao jantar. Para aguentar melhor a noite.

MB | Participem na competição Young Lions, a experiência do bootcamp em Lisboa é muito boa e ter a oportunidade de poder ir a Cannes viver o festival é uma experiência que todos os criativos deviam viver.

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