Entrevistas

O João trocou o Mac por um Surface. E explica porquê

O João trocou o Mac por um Surface. Sabe porquê?Sem bons clientes não há boas campanhas. E o papel das agências é dizer aos anunciantes que uma boa ideia ainda é o que interessa para promover um produto ou uma marca. É este o entendimento de João Gomes de Almeida, diretor criativo da 004, que conquistou uma campanha da Microsoft para 11 países.

quarta-feira, 16 novembro 2016 13:02
O João trocou o Mac por um Surface. E explica porquê

Um projeto com tanto significado que o levou a trocar o Macbook por um...Surface.

Briefing | Como aconteceu a conquista desta campanha da Microsoft para 11 países?

João Gomes de Almeida | Foi um processo muito natural e é fruto de um namoro de alguns meses entre a 004 e a Microsoft. A Microsoft percebeu que podíamos ser os parceiros criativos indicados para este projeto e desafiou-nos a responder a este briefing de Windows.

O que começou por ser uma campanha para Portugal evoluiu para uma campanha feita em 11 países, com 11 línguas distintas e vários meios e formatos de comunicação. Mas quanto a isto o mérito é 100% da equipa da Microsoft Portugal, que batalhou imenso para que tudo isto fosse possível.

Não sou o tipo de publicitário que não sabe reconhecer o mérito aos clientes. Bem pelo contrário. Sem bons clientes não há boas campanhas na rua – quem diz o contrário ou é cego ou é mentiroso.

Briefing | Que significado tem para a agência?

JGA | A 004 tem praticamente 20 anos, mas só há menos de um ano é que evoluiu de um atelier de design para uma agência criativa de serviço integrado. Durante este ano trabalhámos vários projetos interessantes, desde ativação de marca até anúncios de TV, passando pelo rádio, digital e ponto de venda. Não é fácil conseguir tanto em tão pouco tempo.

Este projeto, no entanto, teve obviamente um gosto especial. Não é todos os dias que uma agência de capital e ADN 100% português é responsável por uma campanha para 11 países, ainda por cima, para uma marca tão importante, inovadora e valiosa como o Windows.

Foi um projeto que significou tanto para nós que eu próprio acabei por me converter. Após vários anos de Apple e vários Macbooks depois, passei a usar um Surface.

Briefing | O que diz do estado atual da criatividade nacional?

JGA | Viemos de uma crise e isso ainda se nota. Nota-se que os budgets estão lenta e progressivamente a crescer, mas ainda há muito medo de arriscar em ideias mais inovadoras ou se preferirmos (odeio a expressão) "fora da caixa".

Mas há muito boas agências a fazerem bom trabalho em Portugal. Se olharmos para as várias conquistas das agências portuguesas, este ano, nos festivais internacionais de criatividade percebemos isso.

Acho que o importante é não esquecermos o mais importante e é isso que as agências não podem parar de dizer aos anunciantes: uma boa ideia ainda é o que realmente interessa para promover uma marca, produto ou serviço.

Briefing | Temos potencialidade para exportar criatividade sem ter de exportar criativos?

JGA | Em primeiro lugar, não vejo mal nenhum em exportarmos criativos. Bem pelo contrário, parece-me perfeitamente normal alguém querer ter uma carreira internacional. Não acho nem de louvar, nem de desprezar – é simplesmente uma escolha pessoal e que só a cada criativo diz respeito. Eu sempre optei por ficar cá e fui trilhando o meu caminho...

Quanto à pergunta em específico. Acredito piamente que Portugal pode ser um país exportador de ideias criativas à escala global. Temos boas cabeças e cidades que estão na moda, temos uma posição geográfica central e somos muito bons diplomatas (não só na ONU mas também nos negócios).
O que me questiono é o seguinte: queremos nós ser um país exportador de criatividade? Se a resposta for sim, então, enquanto mercado, devíamos unir-nos e fazer alguma coisa.

Briefing | Esta conquista surge quando está quase a completar um ano como diretor criativo. Foi um ano de "F*@#ing Ideas"?

JGA | Foi um ano realmente louco. Transformar um atelier de design numa agência focada na publicidade é um desafio que não é fácil mas que – como se nota – está a ser bastante recompensador.

Mas nós na 004 não gostamos de ficar presos ao presente e muito menos ao passado. É por isso que já estamos a planear um 2017 recheado de grandes ideias.

Briefing | Do ponto de vista, dos resultados qual o primeiro ano da nova vida da 004?

JGA | Foi um ano em que começamos por manter o nosso workflow de design, continuando a atender os nossos clientes que já estavam na casa.

Depois foi um ano em que fizemos um bocadinho de tudo: lançámos o novo Samsung S7 para a NOS com uma ativação que se tornou viral, fizemos o filme de lançamento do Totogolo em Angola, criámos o filme "Partilha um Sorriso" para a ZAP também em Angola, reposicionamos e fizemos uma campanha 360 para a Galileu e agora criámos esta campanha para a Microsoft que está presente em 11 países. Nada mau, pois não? A boa notícia é que temos mais projetos a sair e dos quais ainda não podemos falar. Fiquem à espera, que haverá boas notícias em breve.

Briefing | Quais as expectativas para 2017?

JGA | Podia dizer um chorrilho de lugares comuns, mas vou optar antes por dizer isto: a minha maior expectativa para 2017 é que uma série de CMO e Brand Managers leiam esta entrevista, se entusiasmem com a mesma e me decidam convidar para trabalhar as suas marcas. Para que tal seja possível e para que não tenham que andar a googlar o meu e-mail deixo-o ficar aqui: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar..

Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

segunda-feira, 21 novembro 2016 13:52

bt nl

À Escolha do Consumidor

Assinatura Mensal
Edição MensalE-paper

Facebriefing

Melhores Briefing