Entrevistas

A produtora do "Study in Lisbon" tem um FIM. E o Rui conta-o

A produtora do "Study in Lisbon" tem um FIM. E o Rui conta-o Um misto de paixão pela narrativa e oportunidade de mercado. É assim que o managing partner Rui Malvarez explica a criação da FIM numa altura em que o investimento publicitário "não é o de outros tempos", mas onde há espaço para criação de "narrativas originais".

quinta, 17 novembro 2016 13:00
A produtora do "Study in Lisbon" tem um FIM. E o Rui conta-o

É nesse território que a produtora do "Study in Lisbon" quer ser revelante posicionando-se como "o verdadeiro parceiro das agências e das marcas na produção de filmes que marquem os seus públicos".

Briefing | A Forever in Movies chegou ao mercado há 1 ano. O que motivou a abertura de uma produtora?

Rui Malvarez | Um misto de paixão pela narrativa e de oportunidade de mercado. De tudo o que fiz profissionalmente nada me deu mais prazer do que criar um filme a partir de um texto meu, quando trabalhei noutra produtora, e poder testemunhar o impacto que a mensagem teve nas pessoas. Quando no ano passado senti que havia espaço no mercado para uma produtora com foco na criação de narrativas originais, que não fosse apenas e só mais uma executante técnica, decidi lançar a FIM. Já tinha vários anos de experiência em produção e marketing e a minha formação nesta área ajudou-me a perceber as necessidades das marcas e a definir como prioritária a criação de filmes que gerem resultados. Somos um verdadeiro parceiro das agências e das marcas na produção de filmes que marquem os seus públicos.

Briefing | O investimento voltou ao mercado publicitário?

RM | O investimento não é o de outros tempos, mas existem mais oportunidades para as novas produtoras. As grandes máquinas de produção continuam a filmar as maiores produções de TV, têm anos e anos de experiência e muita notoriedade, mas existe todo um novo mercado de conteúdo relevante para a internet e projetos especiais (VR, video-mapping, etc) que obrigou a distribuir o budget das marcas por novas áreas e a abrir portas para se produzirem filmes com estruturas mais flexíveis. Apesar de um investimento mais reduzido e fragmentado, é imperativo torná-lo relevante. Por isso, tentamos sempre dissuadir as marcas de criar para ocupar espaço, levando-as a criar para gerar o melhor resultado e impacto.

Briefing | E decide apresentar-se com o filme "Study in Lisbon" que já conta com mais de 8 mil partilhas. O que representa este resultado?

RM | Este resultado é impressionante e representa aquilo que a FIM quer ser: relevante na criação de narrativas visuais. Este é um sucesso da nossa equipa, cada um teve um papel importantíssimo neste desafio. Entre as três principais páginas de Facebook que partilharam o filme, já atingimos cerca de 800.000 visualizações e 15.000 partilhas! O mais importante de tudo isso é que o público-alvo desta campanha, os estudantes internacionais, são os principais impactados e têm feito milhares de comentários a enaltecer Lisboa, identificando amigos e colegas de todo o mundo. Quando a Câmara Municipal de Lisboa e a Invest Lisboa nos desafiaram, o principal objetivo era chegar a um bom número de partilhas e likes mas a verdade é que superámos todas as expectativas e criámos um filme viral de que muito nos orgulhamos e com extrema eficácia junto do target. É importante referir que neste projeto tivemos um grande voto de confiança por parte do cliente que nos validou o guião, locations e protagonista sem uma única alteração! Penso que parte do sucesso também se deve a isso mesmo, termos um cliente sensível ao facto de acreditar que quem produz filmes sabe o que está a fazer.

Briefing | O "Study in Lisbon" tem já uma versão crítica. Como reage a FIM?

RM | Reagimos com o fair play que a situação exige e mesmo sem concordarmos com o discurso, sabemos que uma "spoof version" é sempre sinal de que criaámos algo com valor.

Briefing | Qual o foco da produtora?

RM | O foco é criar narrativas relevantes que gerem resultados, aliando a originalidade da história à estética. Para isso, preocupamo-nos em perceber os clientes e os seus objetivos, este deve ser o primeiro passo antes de definirmos qualquer caminho. Daí dizermos que os nossos filmes têm sempre um princípio, meio e fim, ou seja, são pensados para fazerem sentido e gerarem resultados.

Briefing | Como a Forever in Movies capta a atenção das marcas? Como se promove?

RM | Com trabalho. A nossa área, como todas as áreas criativas, vive de portfólio. A melhor forma de nos promovermos é mostrando trabalho que atesta o nosso discurso. De que serve dizer que nos preocupamos em criar narrativas que marquem, que gerem resultados, se depois temos filmes que não impactaram positivamente o target? Por isso, promovemo-nos através dos nossos filmes e dos seus resultados. Em apenas 10 meses de existência produzimos filmes para a TAP, Tresemmé, Dove, Lidl e Study in Lisbon que nas redes sociais têm resultados acima da média. Claro que em alguns deles, como é o caso da TAP e da Tresemmé, o sucesso deve-se também às agências Wingman e Full Six, respetivamente.

Briefing | E como se distingue das demais produtoras a operar no mercado português?

RM | O background de gestão e marketing dos sócios da FIM, a capacidade de criar um storytelling de grande valor criativo e a experiência de produção da equipa são os três pilares que nos distinguem na forma como gerimos os clientes, realizamos e produzimos os filmes. Um quarto pilar diria que é a flexibilidade, ou seja, tentamos sempre arranjar um caminho para viabilizar um filme em que acreditamos, mas nunca deixamos que a qualidade fique comprometida. Se o budget não permite o nível de qualidade que defendemos, então preferimos não fazer. Digamos que salvaguardamos aquilo que criamos, não é uma postura arrogante, mas acreditamos que só o bom trabalho traz bom trabalho.

Briefing | Quais os maiores desafios à produção em Portugal?

RM | Tendo em conta o nosso posicionamento e a nossa vontade de criar conteúdo relevante para a web, o maior desafio é conseguir passar a ideia de que o meio que veicula o filme não dita o seu valor, ou seja, que por um filme ser para a internet não é automaticamente mais barato de produzir. Este é o principal desafio, mudar a perceção de valor dos clientes e fazê-los ver que as exigências de produção são as mesmas, independentemente do meio. Noutros países já se conseguiu passar esta ideia, mas em Portugal ainda vivemos com uma perceção errada e isso prejudica o nível das produções e, muitas vezes, a qualidade e o resultado que poderiam gerar. Por outro lado, ainda existe uma grande fatia de empresas que mantém algum conservadorismo no investimento dos meios, não perceberam o real valor que os meios digitais podem gerar, continuando a fazer investimentos avultados nos media tradicionais. Felizmente a FIM tem feito TV e Web, mas somos grandes adeptos de narrativas de continuidade e a Web é o melhor meio para veicular essas produções.

Briefing | Qual a especialidade da Forever in Movies?

RM | A nossa especialidade são as narrativas visuais sob a forma de filme ou animação digital, que sejam inspiradoras e, ao mesmo tempo, orientadas para os resultados.

Briefing | O storytelling é a melhor técnica para envolver os consumidores?

RM | O storytelling é fundamental. Mas não pode viver isolado. Por exemplo, quando nos apaixonamos por um filme, no cinema, não o fazemos meramente com base na sua história. Um filme é um trabalho de equipa, é um somatório de vários talentos e é este somatório que cria o envolvimento. São os guionistas, produtores, realizadores, diretores de fotografia, técnicos de som, atores, compositores, diretores de arte, e muito mais. Esta sinergia do trabalho de cada um tem de funcionar para que se consiga envolver os consumidores.

Briefing | E o que esperar do futuro da produção?

RM | Acredito que durante os próximos anos vamos assistir ao crescimento da aposta nos projetos de vídeo no planeamento de marketing das marcas, a eficácia deste tipo de conteúdo está provada, mas ainda existe espaço para mais produção. Vamos produzir cada vez mais para mobile e perceber os desafios que isso levanta para que o conteúdo seja eficaz tendo em conta as condições e a forma como é veiculado. A técnica vai ser importante, mas a democratização e o fácil acesso aos meios de captação e edição pode saturar o mercado do ponto de vista de oferta de produções menos exigentes, o que obrigará à diferenciação através da criatividade, talento e do pensamento estratégico para os resultados. E é aqui que a FIM se posiciona. O VR poderá dar um salto impressionante através da criação de projetos mais imersivos e a animação digital (2D e 3D) continuará a crescer como técnica complementar, assumindo cada vez mais protagonismo em áreas específicas.

Briefing | Quais os objetivos para o próximo ano?

RM | Existem três objetivos que a FIM quer atingir no próximo ano: aumentar a equipa mantendo a motivação e dedicação que a caracterizam neste momento; crescer em volume e valor começando a dar os primeiros passos rumo à internacionalização; continuar a sentir o prazer de criar narrativas mantendo a paixão que nos levou até aqui e que nos faz esquecer que tudo isto é trabalho.

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segunda, 21 novembro 2016 13:50

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