Entrevistas

Qual a escala d'O Benefício? O Ricardo responde

Qual a escala d'O Benefício? O Ricardo respondeChama-se O Benefício e apresenta-se como uma editora que acredita que nem sempre a escala é o caminho para o sucesso. Isto porque a convicção é de que essa é exatamente uma das razões pela qual muitos projetos ficam na gaveta. É por isso que coloca no mercado apenas 100 unidades do produto desenvolvido, de forma a "acrescentar valor a quem cria e a quem produz". O cofundador Ricardo Nunes explica como.

sexta, 20 janeiro 2017 12:34
Qual a escala d'O Benefício? O Ricardo responde

Briefing | Qual o papel da Benefício?

Ricardo Nunes | O Benefício é uma marca que funciona como uma editora que acredita que nem sempre a escala é o caminho para o sucesso e que com o elogio do trabalho não industrializado pode potenciar a qualidade e a diferenciação dos seus produtos. O Benefício é um agregador e um curador, que não esmaga quem cria e quem produz, mas acrescenta valor provocando uma disrupção no modelo do baixo custo. Pretende-se assim uma aposta clara na alta qualidade do produto português e com a garantia que respeitam valores como o comércio justo, a ecologia e o impacto positivo na economia local.

Briefing | Qual a mais-valia de uma marca se associar à Beneficio?

RN | O regime de cocriação (lado a lado com o produtor e/ou criador) permite não só alcançar a disrupção em termos de posicionamento da marca, mas também acrescentar valor ao desenvolvimento de novos produtos, pois parte das receitas alcançadas é reinvestida na capacidade de acrescentar valor e maior qualidade, incrementando a elasticidade do preço dos produtos manufaturados através da chancela do Benefício. Em termos latos, poderemos afirmar que a mais-valia essencial será o acesso a uma plataforma de comunicação, distribuição e de desenvolvimento de produto.

Briefing | Quem suporta os custos de desenvolvimento do produto?

RN | O Benefício tem dois modelos de desenvolvimento de produto, o interno, como no caso da primeira série, na qual editámos o mesmo e todos os custos de desenvolvimento foram assumidos por nós, e o externo, como no caso da segunda série que vai ser desenvolvido em regime de cocriação, no qual existe numa primeira fase um "business plan" que é discutido pelas duas entidades em questão, sendo que o investimento, assim como a taxa de retorno é acordada entre as partes envolvidas.

Briefing | Porquê apenas 100 unidades? Isso traz retorno à marca?

RN | Para nós a escala é uma das razões pelas quais muitos projetos ficam na gaveta. A nossa missão é clara, temos de desenvolver produtos de alto valor acrescentado, apenas colocamos no mercado 100 unidades, sendo que as mesmas são personalizáveis (com a possibilidade de customização do nome e escolha de número de série). O retorno pode ser medido sobre várias perspetivas, sendo que para nós será sempre primordial editar boas ideias que têm um impacto positivo na vida das pessoas. O ato de comprar vai ter de passar a ser menos de impulso e mais qualitativo. Este é o nosso modelo, viabilizar a inspiração dos outros, que tantas vezes não floresce devido à dificuldade que a maior parte dos criativos e produtores têm: burocracia, distribuição e mais importante alguém que acredite no poder das boas ideias. As marcas que se associam ao nosso projeto fazem-no sob a umbrela da nossa marca, podendo testar num mercado global o valor da sua ideia e produto, dedicando o seu tempo apenas naquilo que é essencial, a ideia e a sua execução com a qualidade que a mesma merece.

Briefing | E quando o retorno para a Benefício?

RN | O retorno para a nossa marca é por demais evidente, uma vez que este modelo de funcionamento dá-nos acesso a uma bolsa de talento inesgotável. Esta é a nossa maior disrupção, unir pessoas, ideias, negócios, mundos, pequenas empresas em torno de uma ideia maior, é possível fazer diferente e de forma mais ágil (uma união de micro empresas pode formar uma grande empresa, sem a estrutura pesada que caracteriza as grandes operações). De forma conceptual, poderemos afirmar que nossa visão estratégica e modelo económico, denominada "economia de colmeia", baseia-se no princípio e num processo de criação de valor estruturado assente na exploração não intensiva do talento. A analogia com a colmeia surge da necessidade da constante renovação de inúmeros produtos que no final criarão volume pela diversidade e não pela escala.

Briefing | A Benefício vai manter-se nos produtos alimentares?

RN | A essência do Benefício é por nós consubstanciada no claim da marca: "Ninguém sabe o que é, mas vai ser incrível!". Esta é a nossa visão e modus operandi, para nós o limite será sempre o valor da ideia e não o género do produto. Podemos revelar que a segunda edição do Benefício já se encontra em fase de planeamento e promete ser uma completa disrupção em relação ao atual produto, ou seja, não vai ser um produto agroalimentar.

Briefing | A Benefício diz já ter chegado ao Reino Unido, Alemanha, Suíça, Bélgica, Suécia e Espanha. Em que sentido? Exportaram para esses países ou têm clientes nessas geografias?

RN | O Benefício vende desde o primeiro dia de atividade (31 de outubro de 2016) e para nós o mercado global é o destino das séries de produto que almejamos produzir, desde que as mesmas corporizem os nossos valores e métodos de produção artesanal. Foi com muita alegria que verificámos ao longo destes últimos dois meses que cerca de 15% dos nossos clientes são provenientes das geografias supracitadas. Esta era a prova que necessitávamos para validação do nosso princípio: se demonstrarmos aos potenciais clientes que o nosso produto é único e especial, o preço e a origem do produto não será importante, mas sim a história e a forma como é feita, e nisso, somos diferentes, porque cada peça nossa é única e irrepetível. Lançamos aqui o desafio a todos os que têm projetos e boas ideias, falem connosco (Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.), estamos aqui para aprender e crescer convosco.

Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

bt nl

Assinatura Mensal
Edição MensalE-paper

Facebriefing

Melhores Briefing