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Menos países, mais hotéis. É a estratégia da Vila Galé para crescer

Menos países, mais hotéis. É a estratégia da Vila Galé para crescerEstar em menos países, mas com mais hotéis. É esta a estratégia da Vila Galé, o segundo maior grupo hoteleiro português que encontrou no Brasil o seu principal mercado externo. Aí, diz o administrador com o pelouro do Marketing, Gonçalo Rebelo de Almeida, conseguir tornar rentável uma operação que tradicionalmente dava prejuízo. E, com cinco resorts e três hotéis de cidade, conquistou uma notoriedade elevada, estimando crescer 7% em receitas em 2016. Portugal continua, ainda assim, a ser o principal mercado, com três novas unidades na calha e uma projeção de crescimento superior a 10%.

terça, 14 março 2017 13:17
Menos países, mais hotéis. É a estratégia da Vila Galé para crescer

Briefing | A Vila Galé anunciou recentemente dois novos hotéis, em Elvas e em Braga. O que presidiu à escolha destas localizações?

Gonçalo Rebelo de Almeida | Além de Elvas e de Braga, temos um segundo hotel no Porto, que já está mais avançado. Já tinha sido anunciado, mas o licenciamento demorou mais do que o previsto e as obras só avançaram no verão, pelo que só deve estar pronto no final do próximo ano. São 65 quartos, junto à Ribeira, num edifício que praticamente só tinha fachada e que estamos a recuperar.

Briefing | No Porto já detêm o maior hotel da cidade. O que justifica uma segunda unidade?

GRA | O Porto está com uma procura e uma taxa de ocupação muito boas. Deve estar mesmo a fazer as melhores taxas de sempre, embora a procura ainda esteja relativamente concentrada entre abril e outubro, mas com espaço para crescer nos restantes meses. A cidade ganhou uma nova dinâmica. O centro foi reabilitado, há mais oferta cultural, aumentaram as ligações aéreas. E os hotéis que têm aparecido são relativamente pequenos, pelo consideramos que havia mercado para uma segunda unidade.

Briefing | Lisboa também estava no vosso horizonte. Abandonaram a ideia?

GRA | Não desistimos, mas não se tem conseguido concretizar porque os valores dos imóveis voltaram a subir muito, entraram numa fase em que a rentabilidade é praticamente inexistente. Além disso, não há muitos edifícios com dimensão para um hotel como o que pretendemos – precisamos pelo menos de 50, 60 quartos para justificar o investimento.

Briefing | Mas continua a haver espaço para mais hotéis em Lisboa?

GRA | Lisboa tem taxas de ocupação na ordem dos 70%. E, quando as cidades têm esta taxa de ocupação, isso significa que há espaço para mais produtos. Sendo que não podemos esquecer uma realidade que não é desprezível e que é a do alojamento local, que representa já 30 a 40% da oferta. Obviamente que estamos cá há 30 anos e a história tem-nos dito que isto é cíclico, que não há projeções que sejam para sempre. O negócio não dá para todos todo o tempo. Mas acreditamos que temos espaço. Até para marcar a nossa presença no centro de Lisboa.

Briefing | Essa presença é importante para a marca Vila Galé?

GRA | Sim, seria importante estar no centro. Tem um ganho em termos de posicionamento da marca. E em termos de negócio seria complementar à oferta do Ópera, que tem um perfil mais executivo, de eventos e de grupos. O que perspetivamos para o centro de Lisboa é um hotel com um perfil de boutique, para turistas individuais ou em casal.

Briefing | O Vila Galé é o segundo maior grupo hoteleiro português. Ser primeiro é uma ambição?

GRA | Não nos preocupa minimamente. Temos excelentes relações com o primeiro, o grupo Pestana, mas seguimos estratégias de crescimento muito diferenciadas. Em Portugal, temos praticamente o mesmo número de camas, sendo que o Pestana começou mais cedo a expansão internacional e com um leque mais alargado de destinos. Nós queremos estar em menos sítios, mas com mais hotéis. O nosso objetivo não é ter um hotel em cada país, é escolher um país onde possamos ter três, quatro, cinco hotéis e ganhar algumas sinergias. Como temos vindo a encontrar sempre mais oportunidades, continuamos a apostar no Brasil, onde temos mais um projeto anunciado, o Vila Galé Touros, perto de Natal.

Briefing | É mais um resort. Continua a haver procura?

GRA | No Brasil, temos crescido mais em resorts, porque é onde consideramos que há mais oportunidades, embora também tenhamos hotéis de cidade, no Rio, em Salvador e em Fortaleza. As pessoas não têm ideia, mas o Brasil, com aquela dimensão, com aquela extensão de costa, tem 25 a 30 resorts. Menos do que uma praia de Cancun... Quer os grupos brasileiros, quer os internacionais, têm optado por hotéis nas cidades e poucos investiram em resorts porque tinham a tradução de dar prejuízo. É verdade que têm custos operacionais elevados, que são difíceis de gerir, mas nós conseguimos encontrar um tipo de produto e torná-lo rentável. E hoje em dia somos a principal marca de resorts no Brasil, temos uma notoriedade muito grande.

Briefing | Mas, se havia a tradição de darem prejuízo, como os tornam rentáveis?

GRA | Fomos dos primeiros a propor o modelo all inclusive, porque já tínhamos essa experiência de Portugal, dos resorts no Algarve. Obviamente que têm dimensões diferentes, mas conseguimos aplicar uma parte dos nossos conhecimentos e dos nossos processos, embora com algumas diferenças porque em termos logísticos, por exemplo, o Brasil tem algumas dificuldades. Aqui quase não é preciso fazer stocks porque temos entregas diárias; lá temos de ter uma capacidade de armazenamento e de gestão de stocks mais complexa. E há custos que são mais elevados do que cá, como a energia e a água. Mas acabamos por conseguir tornar a operação sustentável e rentável.

Briefing | Tendo em conta a estratégia do grupo, há mais planos para o Brasil?

GRA | Andamos a ver alguns hotéis em São Paulo. Como mercado emissor e uma das principais cidades, era importante por uma questão de presença da marca. Os preços estavam absurdos, mas, com a crise, há muitos edifícios que eram de escritórios e que estão a ficar vazios, pelo que eventualmente poderá haver oportunidade de comprar um e convertê-lo em hotel.

Briefing | E noutras geografias?

GRA | Além de Lisboa, também andávamos a ver Madrid e Barcelona, mas são mercados em alta, onde está bom é para vender, enquanto no Brasil está melhor para investir. Estamos a falar de projetos que levam algum tempo a fazer e cujo retorno é a médio, longo prazo, pelo que temos de olhar para ciclos mais longos.

Também já estudámos Cabo Verde e Moçambique e chegámos a olhar para Cuba, mas nada se concretizou. Não quer dizer que tenhamos perdido o interesse. Moçambique está em standby. Cabo Verde continua a ser uma possibilidade. E Cuba também, mas vamos ver o que se vai passar com a abertura aos Estados Unidos. Até agora, a gestão dos hotéis estava entregue, em regime de concessão, a cadeias espanholas, como a Barceló e a Meliá.

Havia também uma canadiana. Mas assim que se começou a falar na abertura, as cadeias hoteleiras do mundo inteiro ficaram a pensar. Cuba recebe uns quatro milhões de turistas por ano, milhão e meio dos quais do Canadá. É só fazer as contas: os Estados Unidos facilmente lá metem dois a três milhões e as cadeias estão atentas. Em termos de notoriedade, é estar a concorrer para gerir um hotel com a Sheraton, a Marriott ou a Hyatt...

Esta entrevista pode ser lida na íntegra na edição impressa da Briefing.

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sexta, 17 março 2017 13:51

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