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Trendy e sustentável? O Domingos diz que é possível, na C&A

Trendy e sustentável? O Domingos diz que é possível, na C&AA C&A assumiu um compromisso com a sustentabilidade e a inovação, estando, por isso, cada vez mais, a apostar na moda circular e no desenvolvimento de produtos socialmente responsáveis. Hoje, é "o maior vendedor de algodão orgânico no mundo". "O nosso lema é simples: preocupamo-nos que o cliente possa comprar os nossos produtos sem ter de pensar no impacto ambiental e social que os mesmos poderão ter", afirma o diretor geral da C&A para Portugal e Espanha, Domingos Esteves, que fala à Briefing dos planos e do posicionamento da marca.

terça-feira, 25 julho 2017 12:18
Trendy e sustentável? O Domingos diz que é possível, na C&A

Briefing | A C&A tem apostado na "moda circular". Em que consiste este posicionamento e em que medida é diferenciador?

Domingos Esteves | Na C&A sempre nos preocupámos com o lado ambiental e social da nossa atividade. É muito importante para nós garantir que os nossos produtos são fabricados da forma mais justa e sustentável possível, permitindo a todos os envolvidos no processo (desde o agricultor, passando pela fábrica e até ao cliente final) prosperar e contribuir para um ambiente mais equilibrado. Resultado disso é o facto de, há mais de 11 anos, apenas trabalharmos com algodão orgânico certificado, o que faz de nós o maior vendedor de algodão orgânico no mundo.

Tendo em conta este histórico da marca, a aposta na moda circular surgiu de forma muito natural. O nosso lema é simples: preocupamo-nos que o cliente possa comprar os nossos produtos sem ter de pensar no impacto ambiental e social que os mesmos poderão ter. Por isso, o nosso objetivo com a aposta na moda circular é garantir que, cada vez mais, a indústria da moda respeita a natureza e todos os envolvidos no processo de produção e distribuição, ajudando as pessoas a ter uma vida melhor. Para que as roupas que os nossos clientes compram sejam produzidas tendo mais consequências positivas do que negativas.

Podemos dizer que este é um posicionamento diferenciador no setor, na medida em que, para garantir a produção de uma t-shirt 100% reciclável como a que lançámos recentemente, por exemplo, é necessário alterar-se o modo como as peças se fabricam, como são utilizadas e como se reutilizam.

Briefing | Que benefícios esperam desta aposta?

DE | Esperamos poder contribuir cada vez mais para a luta contra os desafios que a nossa sociedade enfrenta mundialmente e que se têm mostrado irreversíveis, como é o caso das mudanças climáticas e da escassez de recursos. Queremos mostrar que a moda pode ser social e ambientalmente responsável, ao mesmo tempo que trendy e elegante. E pretendemos envolver todos os intervenientes do processo produtivo e de compra dos nossos produtos nesta mudança de mentalidade. Desde o produtor de algodão até ao cliente final, passando pelos trabalhadores das nossas fábricas ou pelos colaboradores em loja, acreditamos que todos devem entender a importância da moda circular e contribuir para uma moda mais consciente e sustentável. Por isso, a longo prazo, esperamos ter uma oferta mais variada de produtos certificados pela Cradle to Cradle nas nossas coleções, para além das T-shirts que lançámos recentemente.

Briefing | O lançamento da coleção de t-shirts 100% recicláveis e socialmente responsáveis valeu à C&A a certificação Cradle to Cradle Gold. O que representa esta distinção?

DE | Representa o reconhecimento de um longo trabalho, que é muito importante para a C&A. A moda circular é uma causa em que acreditamos verdadeiramente e que consideramos ser um passo essencial para reduzir o impacto que indústrias como a nossa têm causado no meio ambiente e na vida das pessoas.

Na prática, a certificação Cradle to Cradle é um programa que avalia a sustentabilidade de um produto no seu conjunto, ao longo de todo o ciclo de vida, tendo por base várias categorias de análise, entre as quais a saúde e a preservação do meio ambiente. Ao serem distinguidas com a certificação Cradle to Cradle Gold, as nossas T-shirts foram reconhecidas como sendo produzidas de forma natural, com produtos considerados nutrientes biológicos - concebidos para serem reutilizados, transformados em novos produtos ou convertidos em adubo de forma segura.

Sermos a primeira marca de moda a receber esta certificação a nível mundial deixa-nos, claro, bastante orgulhosos, ao mesmo tempo que é uma motivação para continuarmos a trabalhar no caminho da moda e da economia circular.

Briefing | A C&A Portugal não tem, para já, uma grande presença nos meios digitais, numa altura em que as redes sociais estão no auge. São canais que não servem os propósitos da marca?

DE | Procuramos ter presença nos canais digitais de acordo com aquilo que são as necessidades da marca a cada momento e em cada mercado. Temos contas nas redes sociais, tanto a nível internacional como local, e temos vindo a trabalhar para impulsionar a nossa presença nas mesmas e também no nosso website.

Briefing | Que ferramentas privilegiam para comunicar?

DE | Privilegiamos muito a comunicação em loja e o contacto direto com o nosso consumidor, além da publicidade impressa, TV, rádio e da assessoria mediática. O trabalho com influenciadores, sobretudo a nível digital, é algo que temos também vindo a aprofundar cada vez mais e que se tem revelado muito interessante para atingir os novos públicos e dar a conhecer a marca C&A. Paralelamente, privilegiamos muito ações que nos permitam estar presencialmente com líderes de opinião relevantes para o setor em que a marca atua. Precisamente por isso, realizamos dois eventos anuais internacionais para apresentação das novas coleções, para os quais convidamos sempre influenciadores nacionais, que têm a oportunidade de conhecer melhor a marca, numa experiência muito personalizada.

Briefing | Especificamente para comunicar o trabalho desenvolvido recentemente no âmbito da sustentabilidade, têm algumas ações previstas? Quais?

DE | A comunicação do nosso trabalho ao nível da sustentabilidade é algo que fazemos continuamente ao longo do ano, através da comunicação permanente em loja, comunicação digital, campanhas e promoções específicas para os produtos associados ao algodão orgânico ou com a criação de um catálogo sobre Bio Cotton, onde apenas divulgamos os nossos produtos de algodão orgânico. Paralelamente, desenvolvemos também muita comunicação junto dos colaboradores das nossas lojas, para que estes conheçam bem o trabalho desenvolvido pela marca em termos de sustentabilidade e todos os produtos de que dispomos a este nível, com o objetivo de melhor aconselhar o cliente.

Briefing | Sendo uma empresa com mais de 150 anos, torna-se importante renovar a marca? Qual tem sido a estratégia da C&A no mercado português?

DE | A C&A é uma marca com muitos anos de história (mais de 175) e que está presente em Portugal há mais de 25 anos. Acreditamos que somos uma marca bastante consolidada neste mercado e com um público muito fiel, que nos conhece, que reconhece a qualidade dos nossos produtos e que visita as lojas com frequência. Nos últimos anos, a nossa estratégia em Portugal tem passado muito por dar a conhecer a marca a outros públicos, com os quais não temos uma relação tão próxima. Investimos na remodelação de várias lojas, com o objetivo de melhorar a experiência de compra dos consumidores e de proporcionar um serviço de elevada qualidade. Ao mesmo tempo, assumimos um compromisso com a sustentabilidade e o meio ambiente, no qual queremos continuar a envolver os nossos clientes, consciencializando-os para a importância de uma moda sustentável, circular e consciente. A aposta no algodão orgânico ou o desenvolvimento das nossas T-shirts 100% recicláveis são um exemplo deste posicionamento, que pretendemos manter e continuar a trabalhar.

Briefing | Ponderam ter loja online?

DE | Já temos e-commerce disponível para vários países em que estamos presentes. Para Portugal, o desenvolvimento da mesma está dentro dos nossos planos futuros.

Briefing | A marca tem 34 lojas físicas em Portugal. Estão previstas novas aberturas? Quais os objetivos da marca para os próximos tempos?

DE | Vamos abrir duas novas lojas em Portugal ainda este ano, em Telheiras e em Loulé, ambas em setembro. Estas lojas, além de estarem localizadas em zonas do país estratégicas para a marca, terão um novo conceito associado. Terão uma disposição diferente, que pretende assegurar uma melhor experiência de compra aos nossos clientes.

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terça-feira, 25 julho 2017 12:34

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