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Como o Alexandre fez crescer a sua produtora (sem) Show Off

Como o Alexandre fez crescer a sua produtora (sem) Show OffGerir bem orçamentos, escolher bem os talentos de cada item e seriedade nas relações com os fornecedores são características que o produtor executivo da Show Off, Alexandre Montenegro, destaca para o sucesso de uma campanha. Aos 17 anos, a publicidade é o core business da produtora e o cinema uma ambição. Para 2017, renovar e trazer novos talentos são objetivos.

quinta, 03 agosto 2017 12:32
Como o Alexandre fez crescer a sua produtora (sem) Show Off

 

Briefing | Como surge a Show Off?

AM | A Nova Imagem tinha um realizador chamado Norberto Nunes, um nome incontornável da publicidade portuguesa, que foi uma mistura de pai e mestre para mim. O Norberto e a Lucília, que era a gestora, convidaram-me a abrir um projeto novo. Era final de século e havia o ano 2000, tudo estava a mudar e eles queriam fazer uma produtora mais pequena, mais de acordo com o que seria a realidade do mercado. Então resolveram fechar a Nova Imagem enquanto produtora e me convidaram para sócio deste projeto que se chamava Show Off.

Briefing | Como tem crescido a produtora nestes últimos 17 anos?

AM | Nem sempre crescer é bom, é um mercado pequeno, não existem produtoras muito grandes que sobrevivem muito tempo. Só o facto de ter 17 anos, de existir e ter um bom nome no mercado já é um mérito. Essa resistência é o nosso troféu.

Briefing | Qual considera ter sido a campanha mais importante para o crescimento da produtora?

AM | Como realizador, tenho um filme que fiz para a Danone que é um divisor de águas, mas eu era freelancer ainda. Senti que, antes daquele filme, me olhavam, me tratavam de uma maneira e depois daquele filme passaram a me olhar e a me tratar de outra maneira. Na Show Off não tenho nenhuma campanha que a gente possa considerar que foi a divisora de águas.

Briefing | Qual a importância do sucesso de cada campanha?

AM | Já foi maior. Eu sou do tempo em que, quando você fazia uma campanha de sucesso, você ganhava o cliente ou a agência durante um bom tempo. É melhor saber que a campanha que você fez foi um sucesso do que não, mas não há mais essa fidelidade. Acho que é dos tempos que nós vivemos, é tudo mais imediato.

Briefing | Qual o papel da Show off para esse sucesso?

AM | Gerir bem o orçamento, escolher bem os talentos que vão ser colocados em cada item, é sermos sérios na relação que temos com os nossos fornecedores para que eles não tenham chatices com coisas que não lhes dizem respeito, como atores que não recebem.

Briefing | Qual a importância da articulação com as agências criativas?

AM | Total. O nosso trabalho depende do deles. Se não correr bem a nossa articulação com eles, o resultado não vai correr bem. Se não tiver uma cumplicidade, não vai correr bem. Não existe bom trabalho sem que todos estejam remando para a mesma direção.

Briefing | Há vantagens em trabalhar muitas vezes com as mesmas agências?

AM | Há vantagens e há desvantagens. Vantagens é que você muitas vezes conhece o nível da agência, sabe o que é importante e que não é importante tem à-vontade de colocar as questões mesmo que sejam estúpidas. As desvantagens é que realmente a relação desgasta, porque é um trabalho muito duro ou pelo acesso do informal. E, com um mau entendimento por falta de conhecimento, as coisas podem não correr bem.

Briefing | Como se tem distinguido a Show Off das restantes produtoras no mercado nacional?

AM | Acho que existem dois tipos de produtoras no mercado, as sérias e as que ainda têm de provar que são sérias. Nós, felizmente, fazemos parte das sérias. Acho que o que nos distingue das outras é o talento individual de cada um, o olhar específico. A nossa experiência, muitas vezes, joga a nosso favor. Isso e as pessoas saberem que existe uma empresa séria, com uma produção séria, que nós vamos usar o dinheiro certo no orçamento certo, que ninguém vai ficar estourando o dinheiro do filme do cliente em bobagem. Acho que é o nosso posicionamento.

Briefing | Quais os principais desafios que enfrenta?

AM | Aprender a trabalhar, a se adequar às novas realidades orçamentais. Esse é o principal desafio da produtora; o desafio número dois é estar atento a novos talentos para trazerem novos olhares, se renovar. Acho que está na hora de a gente abrir mercados novos e isso só com gente nova.

Briefing | A Show Off tem 70 prémios. São o reflexo do trabalho da produtora?

AM | Os prémios são um brinde no final do dia, um sorriso a mais, mas a gente não trabalha para prémio. Serve mesmo só para um reconhecimento, o importante mesmo é você receber os parabéns dos clientes. Adoro andar de cabeça erguida na rua, esse é o verdadeiro prémio.

Briefing | Em que assenta a vossa estratégia?

AM | Nós estamos à procura de nos reposicionar no mercado, sem abrir mão do passado que temos enquanto empresa sólida e séria. Ou seja, queremos trazer novos realizadores, mais jovens, com uma linguagem mais cool, mais dinâmica, mas sem abrir mão do passado.

Briefing | Quais as metas para 2017?

AM | Pelo menos manter a faturação dos últimos anos e renovar, trazer talento novo para a produtora, tanto na produção como na realização. Porque o resultado dos filmes vem dessa renovação.

Esta entrevista pode ser lida na íntegra na edição impressa da Briefing.

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quinta, 03 agosto 2017 12:41

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