Entrevistas

Optar pelo simples para não ficar rouco. É a receita de Francisco Eduardo

Optar pelo simples para não ficar rouco. É a receita de Francisco Eduardo"Um gozo crítico ao meu próprio trabalho". É desta forma que o diretor de arte Francisco Eduardo define o olhar que pretende trazer ao mercado com a Publicidade Simples. Informar de forma a que o consumidor faça uma escolha consciente e compre, tal como chegar à televisão, são objetivos deste projeto em nome próprio.

segunda, 25 setembro 2017 12:27
Optar pelo simples para não ficar rouco. É a receita de Francisco Eduardo

Briefing | O que motivou a criação da Publicidade Simples?

Francisco Eduardo | A falta de um olhar crítico sobre nós próprios, publicitários. Desde cedo a crítica esteve muito presente na minha formação. Estudei artes na Faculdade de Belas Artes no Porto, tive cadeiras de crítica e estudos contemporâneos. Os meus professores e colegas eram muito exigentes e altamente críticos nas suas observações e ensinaram-me a pensar dessa forma. Atribuí a essa palavra no meu vocabulário um significado muito positivo, que transformei, aliando-a ao meu sentido de humor e vontade de contribuir para o mundo da comunicação. De forma que, esse olhar crítico, de nome "publicidade simples", é um gozo crítico ao meu próprio trabalho.

Qual a missão da empresa?

A missão da firma é apontar caminhos possíveis de comunicação que são colocados à partida como não possíveis pelo sistema de tradições que se impõe no seu tempo.

A Publicidade Simples tem três guias de construção: um call to action, uma categoria de produto e uma marca que assina. Qual o objetivo de cada um destes guias?

Ironicamente, a Publicidade Simples resolveu agarrar naquilo que considera essencial na publicidade para que não deixe de o ser. Publicidade Simples, não se engane, é publicidade. Estamos a publicitar o quê? E de que marca? E depois o gozo, o que queremos que as pessoas façam acerca da informação que lhes estamos a passar? - Que comprem, sempre. (É o call to action proibido, porque diz a verdade sem rodeios.)

No que é a Publicidade Simples diferente das restantes agências?

Difere na forma como vê com quem trabalha e para quem trabalha. Esta nova agência não vê nem os clientes nem o seu público final como maus intérpretes. Logo, parte do princípio de que as pessoas são inteligentes. Promove a exploração de novos caminhos de comunicação e assim tem uma série de recursos ao seu dispor em vez de limitações.

Na sua definição. O seu nome carrega uma ironia implícita na forma como categoriza a publicidade que pratica: simples. Está a chamar "à outra" complexa. A Publicidade Simples faz publicidade simples e as outras agências fazem publicidade complexa.

No funcionamento. A nova agência trabalha com uma eficácia muito superior, pois reduz nos recursos necessários. De momento, a publicidade simples trabalha apenas com uma pessoa. Não implica departamentos, nem aprovações. Existem apenas conversas com o cliente até se conseguir um resultado final.

No valor. Dada a metodologia de funcionamento, os valores que pratico, digamos que não são complexos.

Porquê simples?

Porque faz todo o sentido nos dias de hoje. As imagens e os textos na rua, na internet e na televisão são tão completos e complicados. As marcas gritam em cima dos gritos das outras marcas. Fazem-se grandes posters com logos gigantes ao centro e um igual, mas mais pequenino em baixo a assinar. São marcas que se assinam a elas próprias. É ridículo continuarmos a apostar numa estratégia de influência do inconsciente do consumidor em vez de apostarmos numa maneira inteligente de o informar e que o levará a uma decisão consciente. Acho que hoje deve optar pelo simples quem não quer ficar rouco, porque não é pelo volume sonoro que a Publicidade Simples se quer fazer ouvir.

Como pode ser essa estratégia benéfica para uma marca?

Uma marca que aposta na Publicidade Simples é uma marca que aposta no seu posicionamento. Há dois meses chamei a atenção de um cliente: fui contactado pelo Nuno Miranda, o diretor de comunicação do festival de música Milhões de Festa, que me disse: "Não queremos fazer mais do mesmo, queremos fazer um tipo de publicidade nova que comunique com o tipo de público que queremos ter no nosso festival. Queremos fazer publicidade simples." Procedi à implementação de toda uma campanha com as mais valias da minha empresa conceito. Tudo foi tratado apenas por um funcionário, eu. Desenhei, dirigi, escrevi, fiz as artes, contactei com o cliente e recebi feedback. Fiz poucas alterações, negociei com o cliente, fiz as artes finais e a campanha foi colocada na rua. Todo o processo foi extraordinariamente rápido, muito diferente do que habitualmente acontece nas campanhas desenvolvidas numa agência tradicional. O cliente não ficou saturado, eu não fiquei saturado e fizemos um pouco de história.

Como é avaliada a abordagem para trabalhar a marca?

De forma simples. Para trabalhar uma marca, conhece-se a marca e o seu dono. Entende-se o tom de comunicação da marca, e o que o seu dono quer comunicar.

A Publicidade Simples privilegia a publicidade de rua? Porquê?

Não tem a ver com ser ou não ser na rua. A Publicidade Simples necessita de existir nos formatos "rei" da publicidade. Não teria por exemplo força num poster A4, fosse ele colado na rua.

Que objetivos quer ver alcançados no final de 2017?

Num exercício de autoanálise apercebo-me que a primeira campanha da Publicidade Simples é um marco por ser de facto diferente do que existe hoje na rua. E esta história, que uma só pessoa pôs em prática do início ao fim, toda uma campanha de publicidade na rua, em formato de mupi e outdoor, mexe comigo que sou publicitário. Fascina-me como se eu fosse exterior a isto. Esta primeira campanha, por se ter efetivado, comprova que existem clientes no mercado que entendem que o não convencional se tornou convencional. Já não o querem, portanto, e preferem antes ir mais além, experimentar e conseguir falar com as pessoas de hoje. E por isso posso dizer que a Publicidade Simples tem ainda muitos caminhos a explorar. Pretende conseguir fazer até ao fim de 2017 uma segunda campanha com um cliente já em negociação. E pretende atingir outro meio rei da publicidade, a televisão.

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