Entrevistas

Campanhas para quebrar barreiras e melhorar a separação. É o objetivo da SPV

“Um gesto tão mágico que pode fazer toda a diferença”.  É assim que Teresa Cortes, membro do Departamento de Marketing da Sociedade Ponto Verde (SPV), explica o ato da separação para reciclagem. O mote foi reutilizado da campanha de Natal, que, aproveitando a “recetividade ao espírito natalício”, tem por objetivo sensibilizar para a criação de hábitos entre os portugueses “e os que já separam, separem mais e melhor”.

quarta, 03 janeiro 2018 12:57
Campanhas para quebrar barreiras e melhorar a separação. É o objetivo da SPV

 

 Briefing | Já há algum tempo que a SPV não lançava uma campanha. Porquê agora?

Teresa Cortes | É verdade. Apesar de nos últimos anos a Sociedade Ponto Verde não ter estado presente nos meios tradicionais com campanhas, lançou uma série de iniciativas de sensibilização e comunicação, como por exemplo, a Missão Reciclar, que durante vários meses teve uma equipa a bater à porta de perto de 2 milhões de lares portugueses para consciencializar para a reciclagem, a entregar ecobags destinados à separação das embalagens e a recolher informação sobre os hábitos de separação nos lares nacionais. Este ano, e tendo em conta que o Natal é uma altura de grande produção de resíduos, a Sociedade Ponto Verde considerou oportuno voltar a ter uma campanha. É uma altura em que a agenda está mais preenchida que o normal, com os jantares de natal com amigos e a família, a festa do trabalho, a preparação das receitas de natal, a compra de presentes e respetivos embrulhos, etc. Nesta altura as rotinas ficam perdidas na azáfama dos dias festivos, mas, por outro lado, estamos todo recetivos ao espírito natalício e, por isso, acreditamos que esta época era a altura certa para alertar os portugueses para a causa da reciclagem.

Qual o objetivo da campanha?

O objetivo é mostrar que reciclar é um gesto tão mágico que pode fazer toda a diferença, capaz até de transformar as embalagens usadas em presentes. Trata-se de uma campanha de sensibilização – com criatividade da Fullsix e planeamento de media da UM – que pretende mostrar aos portugueses a importância de separarem as embalagens nesta época e em todas as outras.

Que ideia pretendem passar com a expressão “magia de reciclar”?

Descobrir a magia de reciclar surge como uma mensagem para inspirar os portugueses a separarem mais e melhor. Quando nos envolvemos numa causa e percebemos o impacto que esse pequeno gesto pode ter na vida dos outros e do planeta, é possível estar consciente do quão mágico pode ser reciclar, neste caso metaforizado com a transformação da reciclagem em presentes.

Este tipo de campanha promove na realidade a reciclagem entre os portugueses? Como é medida a eficácia desta iniciativa?

O objetivo da campanha é precisamente promover a separação quer no lar quer em qualquer festejo da época e, por isso, apostamos nos meios tradicionais para chegar a todos os públicos.
Por outro lado, a campanha contou com uma serie de ativações com oferta de kits de reciclagem que ajudam os portugueses a mais facilmente separar. Estivemos no Porto e Lisboa entre os dias 15 e 19 de dezembro com os duendes da Sociedade Ponto Verde que, com a ajuda de um mupi especial, ofereceram sacos de reciclagem aos portugueses nas principais estações de metro das duas cidades. Quisemos garantir que a mensagem chegava a todos e que contribuímos para facilitar o processo. Esperamos que os resultados do que encaminhamos para reciclagem nesta época venham a mostrar a eficácia desta campanha quando a mesma terminar.

Qual a importância da comunicação para sensibilizar os portugueses para a reciclagem?

É um dos principais canais para chegarmos até aos portugueses. Através da comunicação conseguimos partilhar informação, manter a reciclagem das embalagens como tema atual na mente de todos e sensibilizar para esta causa. Ao apelar à consciência ambiental de cada pessoa, em momentos como este, esperamos que mais facilmente a reciclagem entre nos hábitos de cada um, reforçando a importância da separação de resíduos nas nossas casas, mas também quando estamos noutros locais.

Sendo um caso ambiental, quais as dificuldades subjacentes em comunicar? 

Creio que nos últimos 20 anos a mensagem tem sido bem percebida, com exemplos concretos e mostrando os resultados do que é possível obter com o simples gesto de separarmos os nossos resíduos. Atualmente, 7 em cada 10 lares já faz a separação de resíduos. Estes dados são muito positivos, tendo em conta que há duas décadas esta era uma realidade praticamente inexistente. A mensagem tem sido passada, porque os portugueses compreendem o impacto da reciclagem, quer a nível ambiental, quer em termos económicos e sociais. As barreiras para iniciar o hábito de separação que foram sendo identificadas ao longo dos anos estiveram na base estratégica das campanhas que a Sociedade Ponto Verde lançou.

Atualmente quais os principais obstáculos à vossa missão?

Os portugueses já estão bastante conscientes da importância da reciclagem. Mas ainda existe potencial de crescimento, fazendo com que a totalidade dos portugueses separem, e os que já separam, separem mais e melhor. Por exemplo, mantendo os hábitos de separação mesmo quando estão fora de casa ou quando saem da rotina. Foi por isso que lançámos em julho a campanha “Reciclagem, Sempre!”, que tem por objetivo incentivar os portugueses a manter os seus hábitos de reciclagem em qualquer contexto, como por exemplo, numa festa, numa ida à praia, num piquenique, numa corrida ou, entre outros exemplos, num festival. É um apelo para que todos os portugueses façam a separação das embalagens, independentemente do local onde se encontrem.

Qual é o principal modo de divulgação que a Sociedade Ponto Verde utiliza para informar e instigar o ato de reciclar às pessoas?

Além da aposta em campanhas de comunicação e sensibilização, como a que está em curso, procuramos também manter uma maior proximidade com os portugueses, estando presentes em ações de terreno, facilitando o acesso a equipamentos para separação e marcando presença em eventos. Por exemplo, durante este ano marcámos presença no NOS Alive, no Ocean Spirit, em provas desportivas, entre muitos outros. São ações que complementam outras, nomeadamente o trabalho realizado com os nossos parceiros, por exemplo, com os sistemas de gestão de resíduos urbanos.

Qual é a percentagem de famílias que faz reciclagem doméstica? E qual era a vossa meta?

Atualmente, mais de 70% das famílias portuguesas já faz a separação das embalagens no lar. O nosso objetivo é contribuir para fazer crescer este número nos próximos anos.

Consideram que as vossas campanhas de sensibilização da população têm resultado?

Sem dúvida. Embora conscientes do trabalho que ainda há a desenvolver, podemos estar satisfeitos com os resultados alcançados, os quais possibilitaram uma significativa melhoria do desempenho ambiental, em simultâneo com um crescimento da riqueza e do emprego.

Quais são os objetivos para 2018?

Em 2018 vamos continuar com o trabalho de sensibilização. Será um ano cheio de novidades, que divulgaremos em breve. Simultaneamente, a Sociedade Ponto Verde vai continuar com o Ponto Verde Open Innovation, projeto que aposta no crescimento sustentável, na promoção de uma economia circular e na produção de conhecimento. Nesta segunda call do projeto, lançada no dia 19 de dezembro, serão apoiados projetos de investigação, desenvolvimento e inovação em dois eixos estratégicos: crescimento sustentável e promoção da economia circular.

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quarta, 03 janeiro 2018 15:41

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