Entrevistas

Uma agência para as PME pode ter sucesso? O Paulo mostra que sim

É no espaço que separa as grandes agências de comunicação e os pequenos gabinetes de design que se posiciona a Designarte. Vocacionada para as pequenas e médias empresas, cresce desde 2015 e espera crescer ainda mais, na ordem dos 25%. O diretor-geral, Paulo Taveira, explica a estratégia desta empresa do Porto que este ano chega à maioridade.

segunda, 26 fevereiro 2018 12:50
Uma agência para as PME pode ter sucesso? O Paulo mostra que sim

 

Briefing | O que é a Designarte?

Paulo Taveira | A Designarte é uma agência de comunicação, design e web design orientada para as PME portuguesas, que projeta, cria e implementa soluções integradas de comunicação para potenciar a notoriedade e o desempenho das empresas nos mercados em que atuam. O nosso objetivo passa pela construção, para os nossos clientes, de uma imagem forte e geradora de confiança, credibilidade, consistência e solidez. Na Designarte, acreditamos que o planeamento estratégico da comunicação de uma empresa deve ser centrado na marca, na sua gestão e dinamização. Nesse sentido, é fundamental integrar eficazmente todas as atividades no processo de comunicação (nas duas vertentes: design e web design), assegurando, assim, uma unidade e uma coerência de imagem, que devem ser acompanhadas por continuidade e consistência na comunicação corporativa. Apesar das naturais evoluções do mercado e da sociedade, a nossa essência mantém-se desde a criação da agência, em 2000: a missão da Designarte é ajudar as empresas a comunicar eficazmente com os seus públicos e a construir uma imagem global, coerente e homogénea, que lhes traga benefícios em termos de credibilidade, fidelização e reconhecimento.
O nosso núcleo de trabalho está estruturado em duas áreas: projetos de design e projetos web. Outros serviços complementares são assegurados por parceiros estratégicos altamente especializados, com quem a Designarte construiu uma relação consistente ao longo dos anos, facto que garante uma mais-valia para o cliente, quer em termos de relação qualidade/preço quer em termos de eficácia da estratégia de comunicação em curso (designadamente, impressão gráfica e digital, aplicações web, web marketing, assessoria de imprensa, publicidade, marketing direto…).

Qual é o posicionamento da agência no mercado?

A Designarte posiciona-se como uma agência vocacionada para as PME, que é muito vasto no nosso País. Temos um foco especial para as micro e pequenas empresas, que representam cerca de 80% dos nossos clientes. Quando nascemos, há 18 anos, definimos um posicionamento que nos coloca entre os pequenos gabinetes de design (incluindo os freelancers) e as grandes agências de comunicação e publicidade – no meio dessa amplitude. Esse posicionamento ainda hoje se mantém, sendo que, pelo feedback que recolhemos diariamente dos nossos clientes, continuamos a prestar um serviço de excelência ao nível do acompanhamento do cliente e do cumprimento de prazos (fatores que falham frequentemente nos pequenos gabinetes).

Apresentam-se como “especialistas em Branding, Naming e Comunicação Visual”. De onde vem o vosso know-how?

O know-how da nossa equipa tem uma particularidade. Apesar de todos termos formação em design de comunicação (accounts e equipa criativa), a agência incentiva sempre que todos os elementos tenham formação em marketing. Ora, por norma, um designer gráfico é um “técnico” que recebe um tipo de formação muito específica e mesmo, digamos, algo “fechada” para o mundo. Trata-se, frequentemente, de um profissional mais introspetivo, pois desenvolve um trabalho criativo que obriga a uma concentração univocamente focada. Em nosso entender, a formação complementar em marketing amplifica os horizontes de qualquer designer e “obriga-o” a abrir o espectro do seu trabalho, isto é, a olhar para o mercado, em tentar perceber o negócio do cliente, compreender as razões dele e sentir as suas preocupações e “dores”.
Costumo dizer que um profissional de marketing é um generalista, ao contrário de um designer. Nesse sentido, é fundamental uma equipa de designers transportar sempre uma atitude e uma reflexão orientada para o marketing.

O que a diferencia da concorrência?

Embora haja muita concorrência nesta área, continuamos a ser valorizados pela boa relação que temos entre a qualidade do serviço e o preço praticado. Somos pragmáticos e tentamos sempre ser assertivos e eficazes. Procuramos descomplicar ao máximo. Dito de uma outra forma, na bifurcação que nos coloca entre a eficácia e a eficiência… optamos pela segunda. Se é melhor para o cliente… é melhor para nós! Nesse sentido, a Designarte caracteriza-se por ser uma empresa com uma forte orientação ao cliente, com uma grande disponibilidade, flexibilidade e transparência. Não “vamos a todas”, como se costuma dizer. Só abraçamos desafios em que temos a certeza da eficiência e qualidade das nossas soluções, inclusive ao nível operativo. O binómio complementaridade/integração entre os serviços e a personalização das soluções de comunicação (tanto em suportes físicos, como digitais) são também valores que queremos passar e que reforçam essa orientação ao cliente.

Quais são as marcas que trabalham?

Temos clientes que nos acompanham quase desde o início, mas o espetro é variado. Trabalhamos, na diversidade de serviços disponibilizados, com empresas micro a multinacionais. O foco é as PME, mas da nossa carteira fazem parte entidades, empresas e marcas de referência em vários setores de atividade. Da área industrial (alimentar, mobiliário, químico, tintas, farmacêutico, têxtil, calçado, embalagem, automação, etc.) à distribuição, passando pelos serviços, sem esquecer a institucional (câmaras municipais, ordens profissionais…), a associativa, entre outras.

Como olha para o mercado do design e da comunicação de marca?

O mercado do design e da comunicação de marca tem atualmente um excesso de oferta, sendo que ela é muito vasta, com empresas com posturas muito diferentes, o que causa muita confusão nos clientes. Os serviços ditos de “design low cost via web” vieram alterar também a perceção de alguns clientes. Embora seja um mercado muito maduro no nosso País, e com “gente” muito profissional a trabalhar, infelizmente não há mercado para todos, o que faz com que muitas pequenas empresas tenham fechado nos últimos anos. Por outro lado, as grandes empresas também têm sofrido com as oscilações do mercado, a crise e a proliferação de empresas e de freelancers, tendo havido, neste contexto, muitas fusões e aquisições. Do ponto de vista do “valor do mercado”, assistimos a um fenómeno, durante os anos mais difíceis (sensivelmente entre 2007 e 2010), em que os pequenos gabinetes de design baixaram drasticamente os preços dos projetos. Nessa altura, a Designarte teve alguma dificuldade em ganhar orçamentos em clientes novos e, por isso, a nossa faturação ressentiu-se um pouco –  porque nos recusamos a entrar na espiral atrás mencionada. Ainda assim, vimo-nos forçados a ajustar alguns preços. O problema deste fenómeno é que os consumidores ficaram atualmente com preços psicológicos dos serviços de design muito abaixo dos que se praticavam há 10 ou 15 anos.

Qual é a estratégia de marketing da agência?

Há 18 anos que investimos muito em marketing, sendo que não é fácil explicar, em poucas linhas, tudo o que envolve(u) esse nosso esforço. Simplificando, a nossa estratégia de marketing continua a ser investir na notoriedade da marca Designarte, sendo que hoje em dia, e desde há quatro ou cinco anos, os nossos investimentos centraram-se em marketing digital. O nosso website tem mais de 300 trabalhos em portfolio, facto que é muito valorizado pelos clientes e que, quotidianamente, constitui um bom cartão-de-visita. Às vezes, ou muitas vezes, são as pequenas coisas que fazem a diferença… Um exemplo: se fizer uma pesquisa no Google por “agência de design”, “design de rótulos”, “design de catálogos” ou “design de brochuras” (isto para enumerar só alguns) verificará que a Designarte aparecerá na 1.ª página, seja no Google Adwords, ou na pesquisa orgânica. Outro exemplo: no Google my business constatará cerca de 108 comentários ao nosso trabalho, que nos permite chegar aos 4,8 de ranking. Julgo ser inédito uma agência ter tantas apreciações positivas de um universo tão alargado e aleatório de clientes que se dignaram a escrever sobre nós…

Anunciaram o aumento do volume do negócio em 7,7%, no último ano. O que levou a este crescimento?

Desde 2015 que a nossa faturação tem vindo a crescer sensivelmente na mesma percentagem. Isto deve-se a vários fatores. Em primeiro lugar, naturalmente aos nossos investimentos em marketing, como referi atrás (o forte posicionamento no Google permite-nos receber todos os dias entre um e a dois pedidos de contacto de clientes novos). Em segundo lugar, a empresa tem vindo gradualmente, desde há quatro ou cinco anos a esta parte, a investir mais em comunicação. Sente-se hoje uma maior predisposição do que há meia dúzia de anos, assim como uma menor pressão ao nível de preços.

Quais são os objetivos para 2018?

Para 2018, pretendemos aumentar o nosso volume de negócios em cerca de 25%. E isso poderá ser possível dado estarmos com um conjunto de projetos de grande dimensão para alguns clientes de referência nos sectores de atividade em que operam. Paralelamente, temos promovido, junto dos nossos clientes, a intervenção de consultores nossos parceiros altamente especializados em candidaturas ao programa Portugal2020 – circunstância que permitiu a conquista de negócios de maior dimensão e responsabilidade.

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segunda, 26 fevereiro 2018 12:54

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