Entrevistas

“Filmes na FIM não são do realizador, são de todos”. Palavra de managing partner

“Focada em contar histórias e em produzir filmes eficazes”, a Forever In Movies (FIM) foi a produtora escolhida para a campanha internacional da Skyhour. O managing partner (com pelouro de diretor criativo e realizador), Rui Malvarez, fala sobre esta experiência, que até contou com sugestões de polícias nova-iorquinos. Já de olho no futuro, para 2019, pretende “ter mais de 50% do volume de projetos no mercado internacional”, um FIM que parece cada vez mais perto já que este ano já escreveram e produziram “mais do dobro do ano passado”.

quarta, 04 julho 2018 12:40
“Filmes na FIM não são do realizador, são de todos”. Palavra de managing partner

 

Briefing | Como é que a SKYHOUR chegou à FIM?

Rui Malvarez | A Skyhour precisava de fazer um filme de animação 2D de referência, andou a sondar o mercado nacional e chegou até aos Homembala, que são para mim o melhor estúdio de animação 2D em Portugal. Em conversa com os Homembala falaram também da necessidade de criarem uma série documental, e foi o Pedro Gonçalves (sócio dos Homembala) que lhes mostrou um filme nosso, filme que eles adoraram e decidiram por isso conhecer-nos melhor. Reunimos e em poucos minutos já sentíamos que tínhamos de trabalhar juntos.

O que significou para a FIM receber o convite da SKYHOUR?

A Skyhour, enquanto empresa americana e start-up de referência, por tudo o que tem conquistado em tão pouco tempo, tinha capacidade para contratar empresas com estruturas e níveis de experiência que a FIM sonha um dia alcançar. Mas não, acreditou em nós e na qualidade do nosso trabalho e decidiu arriscar. Tendo em conta tudo isto, o convite só teve um significado possível, que foi de orgulho máximo por termos sido os escolhidos.

Qual foi o briefing apresentado à FIM?

O briefing foi simples: queremos falar de viagens sem sermos muito comerciais e sem nos colocarmos em territórios já ocupados por empresas de travelling. Queremos uma série envolva as pessoas e as inspire a viajar. Queremos também que seja muito real.

E qual o objetivo deste projeto?

Com este briefing decidimos que o caminho devia ser algo documental, este filme devia ser muito mais focado em posicionamento do que propriamente em hard sell e daí termos sugerido o registo documental, sem limites de tempo, com uma história real que funcionasse como mote para as seguintes. Criámos o conceito “What moves you?” e partimos em busca da pessoa certa, da história inspiradora. Encontrámos a Alicia, esta cantora lírica americana que tem o sonho de conhecer o maior número possível de géneros musicais que são bandeira de cidades/países, e o Fado estava na sua lista. Achámos a sua história bastante forte e partimos para NY para contá-la desde o início, até ao fim, já em Lisboa.

O primeiro episódio foi em Lisboa. Sentiram-se mais confortáveis por ser em Portugal?

Sem dúvida alguma. Já estamos habituados a filmar em casa e a curva da experiência do ponto de vista de pré-produção e produção ajudou bastante. Conseguimos também parceiros muito importantes como a CML, na medida em que o filme que criámos serve também de bandeira da nossa capital. Ajudou bastante terminar a rodagem em Lisboa, sem dúvida.

Numa produção internacional, quais os principais cuidados a ter? E quais as diferenças de uma produção nacional?

Essa é uma excelente pergunta e é difícil generalizar, pois as produções internacionais variam bastante consoante a location da rodagem. Teria uma lista enorme para perfazer essa resposta, pelo que deixo aquilo que para nós foi claro e será sempre essencial no futuro, que é ter sempre uma equipa de produção local desde o momento de proposta até ao fecho do filme. No momento de proposta porque precisamos de saber valores que se praticam nesse local, fechar locations, material, etc... no fecho do filme porque temos de garantir, sobretudo quando falamos de filmes com registo documental, que estamos a cumprir com tudo o que tínhamos acordado do ponto de vista de produto final. Filmar em NY foi uma experiência incrível, não só do ponto de vista de fotografia (pois a cidade presta-se) mas também pela cultura cinematográfica que lhes é intrínseca, ou seja, chegámos a ter polícias a sugerir que filmássemos mais para “aquele lado” porque íamos ter melhores imagens. Foi uma grande experiência.

O que destaca a FIM das outras produtoras?

A FIM está focada em contar histórias e em produzir filmes eficazes, é o que nos move. Não queremos ser meros operacionais e pegar num storyboard e executar, não é por aí. Gostamos de criar narrativas visuais, seja sozinho ou em conjunto com agências e clientes (e temo-lo feito tantas vezes com sucesso) e tentamos privilegiar sempre uma aproximação ao real. Gostamos de produzir com versatilidade sem descurar a qualidade.  Penso que conseguimos ocupar muito bem esse território em Portugal e este ano já escrevemos e produzimos mais do dobro do ano passado. Estamos muito felizes.

Com apenas dois anos de idade, qual tem sido o desempenho da produtora?

Sou suspeito, como é óbvio, mas considero que estamos muito bem e no caminho certo. Já produzimos mais de 90 filmes e este ano preparamo-nos para duplicar os resultados de 2017. Vamos fazer mais de 5 filmes internacionais e isso é uma grande conquista neste curto espaço de tempo. Temos uma equipa de 13 pessoas, uma equipa que é uma família e que vive cada filme como seu. Os filmes na FIM não são do realizador, são de todos, porque todos fazem parte do processo e todos têm a humildade para considerar as opiniões dos restantes. Para mim é um prazer trabalhar todos os dias com esta equipa.

É o primeiro trabalho internacional? Vão continuar a investir na internacionalização?

Sim, claramente, sobretudo no registo que nos caracteriza. Já temos mais filmes adjudicados e estamos neste momento em pré-produção. O maior investimento que podemos fazer na nossa internacionalização é criar bons filmes, porque só o bom trabalho traz bom trabalho.

Que objetivos pretendem alcançar?

O meu objetivo é em 2019 ter mais de 50% do volume de projetos no mercado internacional. Quero manter grande parte do negócio em Portugal, até porque temos parcerias muito sólidas com agências e clientes, mas quero também continuar a alimentar este desafio de criar lá para fora, porque permite-nos crescer a um ritmo mais elevado e fazer menos por mais.

Em que assenta a estratégia da FIM para realizar esses objetivos?

Em escrever boas histórias que permitam produzir bons filmes.

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