Entrevistas

Pedro Sousa quer que a easyJet seja a preferida, mas respeitando a concorrência

A pontualidade, a paixão pelo cliente, o combate à desigualdade de género e sustentabilidade são o que diferenciam a easyJet. Quem o diz é Pedro Sousa, diretor de marketing da empresa, que assume o objetivo “a longo prazo” de ser a companhia de aviação preferida dos portugueses. “Acreditamos estar no bom caminho, sempre respeitando a forte concorrência”.

terça, 21 agosto 2018 12:22
Pedro Sousa quer que a easyJet seja a preferida, mas respeitando a concorrência

 

Briefing | O que levou à criação do projeto Flybraries? Porquê agora?

Pedro Sousa | O projeto Flybraries, na verdade, nasceu em 2017, após a revelação de um estudo da easyJet – que envolveu dois mil pais britânicos com crianças entre 6 e 12 anos - onde um quinto (22%) dos inquiridos admitiram que o filho não visitou uma biblioteca pública mais de um ano, concluindo-se que uma criança apenas lê 11 livros por ano. Com as conclusões alarmantes deste estudo da easyJet, decidimos implementar esta iniciativa neste mercado onde foi realizado o estudo, mas o nosso objetivo sempre foi o de alargar esta iniciativa a toda a Europa. O feedback e a recetividade deste projeto foram tão positivos, que não tivemos qualquer dúvida de que esta teria que ser uma iniciativa global. O sucesso deste projeto levou-nos apenas a questionar: porquê só agora? A easyJet procura ser uma boa cidadã e tem um profundo compromisso com o desenvolvimento e a evolução da sociedade. Como tal, um dos nossos principais objetivos é que mais empresas sigam este exemplo e que sejam inspiradas a contribuir de alguma forma para o futuro das novas gerações. Sabemos e acreditamos que pequenos gestos fazem a mudança, e este foi um passo fundamental que demos para um futuro melhor.

Quais os objetivos que pretende alcançar com esta iniciativa?

Os livros estimulam a imaginação e o desenvolvimento de uma criança. A leitura acalma, entretém, desenvolve o vocabulário e exercita a mente, e o voo é o lugar perfeito para fugir para uma aventura literária. A escolha dos livros também foi muito bem pensada, pois as crianças conseguem reconhecer alguns clássicos a bordo, através do cinema e da televisão. No fundo, esta é uma iniciativa que alia entretenimento e pedagogia, idealizada, não apenas a pensar nos filhos, mas também nos pais. Queremos que voar seja uma experiência enriquecedora, divertida e memorável, não apenas para os adultos, mas também para as crianças, e consideramos que colocá-las em contacto direto com alguns dos maiores clássicos da literatura infantil, será uma experiência enriquecedora em todos os aspetos. Tentamos que cada uma das nossas ações tenha um propósito e que possa ser de alguma forma útil à nossa comunidade. Ao olharmos para os recentes números do PIRLS (Progress in International Reading Literacy Study) - o estudo internacional que pretende avaliar o nível de compreensão da leitura dos estudantes de quarta classe - em Portugal, queremos dar o nosso contributo para melhorar esse cenário.

De que forma este tipo de iniciativas podem angariar mais clientes à easyJet?

Aqueles passageiros que viajam em família sabem que a easyJet é uma escolha fantástica: dispomos de embarque prioritário, sentamos as famílias sempre juntas, e oferecemos a possibilidade de faturar gratuitamente uma cadeira para o automóvel, um berço ou um carrinho, assim como atividades pensadas para os mais pequenos. Só neste verão iremos transportar cerca de cinco milhões de famílias em toda a Europa. Por isso a nossa biblioteca de “book sharing” a bordo estará abastecida com mais de 17.500 livros prontos para as crianças lerem. Esta é apenas uma das muitas iniciativas direcionadas para as famílias que tornem os nossos voos mais fáceis para os pais.

Que outras iniciativas têm previstas para a fidelização/angariação de clientes?

A melhor forma de fidelizar um cliente é oferecer-lhe um voo com um bom serviço e que chegue a horas. De forma a melhorar a nossa pontualidade, já superior à média global, estamos a realizar uma forte aposta num programa de inteligência artificial que permita antecipar os problemas que possam levar a atrasos dos voos. O nosso objetivo é criar um modelo preditivo que operacionalize esses dados através de uma previsão que nos permita adaptar os recursos. Também decidimos tomar ações durante as greves de controladores aéreos franceses, que paralisaram a europa este ano – que registaram um aumento de 300% comparativamente a 2017, de forma a assegurar o mínimo de constrangimentos para os nossos passageiros. Estas greves não afetam só os voos para França, impossibilitam de voar de Portugal até à maioria dos países europeus porque não se pode sobrevoar este país. Até um voo para Madrid pode ser cancelado, caso o avião tenha sofrido atrasos por restrições de trafico aéreo anteriormente nesse dia. Por outro lado, estamos também a ultimar dois programas específicos que pretendem revolucionar o existente no mercado: benefícios específicos para os nossos passageiros de negócios e um programa de fidelização 2.0 para os passageiros frequentes. Mas por agora não podemos revelar mais.

O que diferencia a easyJet das outras companhias?

Consideramos que somos a companhia de aviação da smart choice. Trabalhamos constantemente para oferecer um serviço de excelência, a preços realmente baixos. A nossa tripulação de bordo é também um factor diferencial com as outras companhias: eficiente, muito focada na pontualidade, que é o que os passageiros mais desejam, mas sempre com uma grande paixão pelo bem-estar do passageiro. Esta qualidade do serviço só se consegue quando nós, que trabalhamos na easyJet, sentimos que trabalhamos numa empresa com valores fortes. É, atualmente a única companhia no sector que combate ativamente a desigualdade de género, onde incentiva mulheres a abraçar a carreira de piloto. Detetámos uma enorme desigualdade e estamos a combatê-la. Também temos um profundo compromisso com a sustentabilidade, investindo em tecnologia de ponta, operando de forma eficiente e com aviões modernos como o novo A321Neo. Isto significa que a pegada de carbono por passageiro da easyJet é 22% inferior à de um passageiro de outra companhia aérea. Além desta nossa filosofia de ser uma companhia em harmonia com a sociedade, são iniciativas como esta que acabámos de lançar – como é o caso da Flybraries, que nos colocam num patamar diferenciador que os nossos passageiros valorizam. E isso deixa-nos orgulhosos e cada vez mais comprometidos.

De que forma pretendem fazer chegar essa mensagem de diferenciação aos clientes? Qual a estratégia?

Os nossos clientes habituais são os nossos melhores embaixadores. Eles foram pioneiros, entraram pela primeira vez num avião da easyJet pelo preço, mas repetiram pela qualidade e comodidade. Com o tempo, voar em low cost deixou de ser uma opção discutível para passar a ser um estilo de vida. Viajar cada vez mais, conhecer a europa como a palma da mão, reservar uma viagem por impulso sempre que a saudade apertar, ter essa reunião com um cliente cara a cara... A Generation easyJet não tem que ver com a idade, tem que ver com a inquietude e a forma inteligente de viajar. Somos diferentes nesse sentido, porque voar com a easyJet é um estilo de vida. Esse é o insight que reproduzimos nas nossas campanhas. Mensagens inteligentes, direcionadas a pessoas inteligentes, e que gostam de explorar novos destinos e viver novas sensações. Mas sempre exigindo um nível de serviço e qualidade elevado. Através das nossas campanhas, queremos captar mais passageiros que se sintam parte dessa geração. Além do objetivo natural de diferenciar a nossa marca, também trabalhamos o mercado em geral com um direto “se tens vontade, não fiques cá”: A maior parte de nós tem uma vontade constante de viajar, mas construímos demasiados “agora não”: “Agora não posso ir, tenho os miúdos” “Agora não, mas para o ano vou de certeza” ...  As nossas campanhas procuram acabar com essa inércia e dar o empurrão final.

O que representa Portugal para o universo da marca easyJet?

Orgulhamo-nos de poder dizer que voamos para Portugal há 20 anos. Temos duas bases com cinco aviões, em Lisboa, e quatro, no Porto, 300 trabalhadores contratados aqui, e também voamos desde o Funchal e operamos em Faro. Como somos uma companhia aérea europeia, somos uma soma das diferentes mentalidades europeias, entre elas, a nossa. Não somos uma companhia aérea portuguesa, mas também não somos ingleses, franceses ou suíços. Somos europeus e, como tal, Portugal é parte essencial. A nível de marca, a easyJet Portugal tem contribuído ativamente na estratégia internacional – construímos a marca easyJet entre todos. É um processo colaborativo e sempre temos encontrado mais pontos em comum que diferenças entre os países europeus, A nível de negócio, Portugal é um território importante para a easyJet devido ao crescimento do país como um destino cada vez mais atrativo e também devido à cada vez maior vontade dos portugueses em viajar.

Qual o investimento despendido na promoção da marca?

Sem poder revelar os valores por campanha, podemos afirmar que tem crescido, ano a ano, que não somos os que mais investem na categoria, mas que temos uma eficácia e uns resultamos impressionantes, que destacam na rede easyJet.

Que objetivos quer a easyJet alcançar até ao fim de 2018?

2018 é um ano muito especial para nós, não só por comemorarmos 20 anos de operação em Portugal, como pelo facto de estarmos prestes a atingir o marco de 50 milhões de passageiros transportados. Portanto, estamos muito entusiasmados por atingir este objetivo e de o celebrar com todos os que fizeram parte desta nossa caminhada. A longo prazo, o nosso objetivo é ser a companhia de aviação preferida dos portugueses, e acreditamos estar no bom caminho, sempre respeitando a forte concorrência.

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terça, 21 agosto 2018 12:39

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