Entrevistas

O que fazem as marcas no Campus de Carcavelos da NOVA SBE? A Marta conta

Atrair talento. É este o foco da NOVA SBE e do Campus de Carcavelos, inaugurado em finais de setembro. Antes, porém, começou por atrair investimento, com uma campanha de crowdfunding inédita numa instituição de ensino público. Uma iniciativa que, nas palavras da responsável pelo Marketing e Comunicação, Marta Assunção, devia inspirar outras escolas: porque “uma escola pública pode ter o apoio de privados”.

segunda, 28 janeiro 2019 12:28
O que fazem as marcas no Campus de Carcavelos da NOVA SBE? A Marta conta

 

Briefing | O que levou a NOVA a inaugurar este campus?

Marta Assunção | O que faz nos estar aqui hoje é o espírito vanguardista, de fazer as coisas de maneira diferente. Desde cedo motivamos os nossos professores a seguirem a carreira académica e a fazer os doutoramentos lá fora, para trazerem novas formas de pensar. Por isso, costumo dizer que a internacionalização começou nessa altura.
O processo de Bolonha foi oportuno: a partir do momento em que qualquer aluno da União Europeia podia fazer o mestrado noutro país da UE abriu-se uma janela de oportunidade muito grande e nós, que já tínhamos intercâmbio de alunos antes de Erasmus, começamos por ter uma procura muito grande de alunos internacionais. Nos últimos sete ou oito anos, temos vindo a crescer 35% ao ano na procura de mestrados. Nas licenciaturas conseguimos o estatuto de estudante internacional, com o qual é possível receber alunos bilingues que não sejam do espaço da União Europeia. A escola começou a estar presente nas acreditações e nos rankings internacionais, o que se tornou numa porta de entrada e de reconhecimento nacional e internacional. Queríamos ser uma pool de talento e percebemos que Campolide não tinha espaço para o crescimento. Foi por essa altura que começamos a pensar em mudar e surgiu a ideia de criar um campus diferente, que aliasse a excelência académica com o estilo de vida único de Portugal. 
Esta mudança para Carcavelos veio alavancar aquilo que a escola ambiciona: mais do que uma escola de economia e gestão, queremos ser um espaço de talento, de conhecimento. Mais do que uma escola, isto é um ecossistema. O novo campus veio proporcionar todo este espírito. Temos uma relação muito grande com as empresas porque atraímos muito talento. Aliás, uma das grandes preocupações é garantir que os alunos tenham um bom placement. É uma maneira de estar diferente de uma faculdade comum. Mas esta é a maneira de estar da NOVA.

O que muda é o conceito?

A mudança do conceito do que é uma universidade. Esta maneira de estar na faculdade não foi só porque viemos para o Campus de Carcavelos ou por estarmos à beira-mar. Este espírito, de querermos fazer diferente, apenas foi alavancado pela zona, proporcionando a experiência única que queremos passar. Porque tanto os clubes, como a relação que temos com as empresas, já existem há muitos anos. O novo espaço impulsiona a experiência porque temos um campus preparado para o confronto diário com a sociedade. Foi baseado neste critério que o campus foi desenhado: um espaço muito amplo, aberto a todas as pessoas, que podem vir cá passar o dia, para trabalhar, ir à nossa biblioteca, à loja da Jerónimo Martins, ao nosso ginásio, estar no relvado…  É uma escola aberta, um ecossistema. Não é apenas o passar de Campolide para cá, é alavancar aquilo que a escola quer ser e aquilo que pode ser.

Por que recorreram ao crowdfunding?

Já depois de nos cederem o espaço, percebemos que tínhamos em mãos um projeto com o custo de 50 milhões de euros. Éramos uma faculdade pública que, em plena crise financeira, precisava de 50 milhões. Tivemos o apoio moral do governo, o que foi importante, mas financeiramente não, precisamente devido à conjuntura económica que o País atravessava. Por isto, lançamos uma campanha de fundraising, o que não é de todo comum em Portugal ou na Europa. Começamos a bater à porta de empresas, de antigos alunos também. Tivemos, à partida, o apoio da Câmara de Cascais, do Santander, Jerónimo Martins e, em particular, da família Soares dos Santos, tendo sido criada a Fundação Alfredo Sousa, que tem o nome do fundador da escola, um professor muito carismático.
Hoje em dia já 46 empresas se associaram ao projeto. Mas…. nós já visitamos 600. Esta campanha acabou por gerar um espírito de comunidade muito grande, que resultou em mais de 1600 doações individuais, juntando seis milhões de euros, tendo muitas dessas doações sido ativadas por antigos alunos.

Que influência vão ter essas marcas no ensino?

O facto de termos empresas em constante contacto com os alunos faz com que estes percebam como é que funciona o dia a dia de uma companhia, nas diferentes áreas. É importante que percebam quais são os desafios e as necessidades das empresas.
Temos 46 parcerias, nomeadamente na área da saúde, da tecnologia e da inovação. O que fazemos, com cada uma das empresas, é tentar casar as suas necessidades com aquilo que podemos oferecer: o nosso talento e o dos nossos alunos. Desde a cocriação de cursos a projetos de consultoria. Temos alunos incubados nos conselhos de administração, a trabalhar temas de inovação com os administradores. Temos um espaço que é o experience hub, promovido pela Cisco e pela Microsoft, onde vamos desenvolver testes de inteligência artificial e robótica, por exemplo. Temos uma clínica, da José de Mello Saúde, que serve para promover o bem-estar e o work of balance da comunidade, e não só da académica, porque qualquer pessoa pode ir ali marcar uma consulta. Com a Jerónimo Martins estamos a testar uma loja com novos métodos de pagamento, a chamada loja do futuro. Outro exemplo: há uma cadeira nas licenciaturas que é dada por partners da McKinsey, e que é já anterior ao novo campus. Há ainda muitos projetos de consultoria feitos em parceria.

Está previsto o alargamento a mais marcas?

Isto é uma escola aberta, portanto qualquer empresa que esteja interessada em fazer parte do projeto e que nós achemos também que faça sentido é bem-vinda. Esta campanha de fundraising não terminou dia 29 de setembro de 2018, que foi o dia da inauguração oficial do campus, vai continuar porque temos vários projetos e vão surgir cada vez mais. Vamos precisar que mais pessoas apoiem e acreditem neste projeto.

E como pretendem articular os interesses privados com os da escola?

Acima de tudo, queremos formar os nossos alunos e a articulação acontece na relação entre as empresas e os alunos: somos um hub de talento. A aposta em professores nacionais e internacionais é a nossa parte, prende-se com o nosso interesse na formação. Esta ambição articula-se com a das empresas, que acrescentam valor à formação que damos. De uma maneira muito natural, a presença destas empresas já faz parte da vida académica da escola. E, portanto, desde que os interesses estejam alinhados com os da estratégia da escola tudo bem. Que isto seja uma fonte de inspiração para outras escolas. Porque uma escola pública pode ter o apoio de privados. Não vemos qualquer problema nisso. Temos muito orgulho em dizer que somos uma universidade pública e portuguesa. Acima de tudo, este projeto é um orgulho nacional. O nosso foco é o talento: queremos atrair talento nacional como queremos atrair talento internacional.

Esta entrevista pode ser lida na íntegra na edição impressa da Briefing.

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