Entrevistas

O Paulo dá o pontapé de saída no TRITON. E quer profissionalizar

Uma capacidade muito própria de envolver as pessoas e à escala mundial. Estas são, para Paulo Leite, duas caraterísticas diferenciadoras do desporto que favorecem a relação com as marcas e justificam a aposta neste tipo de eventos. É o caso do TRITON World Series, organizado pela agência de que é general manager - a blueorange agency - , que, diz, vai de “vento em popa”, com um plano de expansão que visa chegar a 2022 como o quarto maior circuito multi-sport do mundo. Num mercado em que, entende, falta sobretudo profissionalizar para que Portugal seja mais competitivo na realização de eventos desportivos.

quinta, 02 maio 2019 12:42
O Paulo dá o pontapé de saída no TRITON. E quer profissionalizar

 

Briefing | O que define a blueorange agency?

Paulo Leite | A blueorange agency é uma agência de produção de eventos desportivos de A a Z que atua em Portugal e no estrangeiro. Focamo-nos na produção de eventos desportivos para todos e para o mercado corporate com uma forte componente de promoção do destino.

Num mercado tão concorrencial, o que diferencia a agência?

A blueorange foge ao tradicional por ser uma agência que desenvolve os seus próprios projetos, comercializa e realiza, por oposição à maioria das agências no mercado que produzem eventos para terceiros, “por encomenda” e mediante um briefing de um cliente. Na blueorange, assumimos o papel principal e também o risco. Além dos eventos proprietários, trabalhamos com frequência com eventos franchise que escolhemos trazer para Portugal.

Qual é o posicionamento da TRITON World Series no território do desporto?

O TRITON World Series apresenta-se como uma competição multi-sport baseada no triatlo. É o único evento em Portugal desta natureza visto que foi um conceito criado pela agência e por isso não tem concorrente.

O TRITON oferece competições abertas a todos, desde atletas profissionais aos atletas de lazer e promove as competições por equipas, para empresas e crianças com uma forte componente de responsabilidade social e ambiental.

Tem um business plan para chegar a nove destinos (países) até 2022 e a partir de 2023 introduzir a primeira final mundial do circuito. Em cada país realizam-se três provas com três distâncias diferentes em três dias.

Com este plano de expansão pretendemos que o TRITON chegue até 2022 como o quarto maior circuito multi-sport do mundo. A expansão é feita através de um modelo de negócio franchise. 2019 é o ano zero com apenas o evento de lançamento nos Açores, mas já podemos confirmar que em 2020 farão parte do circuito Portugal, Brasil e Espanha, e para 2021, já assinámos com a Nova Zelândia.

Atualmente, estamos a negociar com três destinos na Ásia, dois destinos no continente americano, um no continente africano e mais dois na Europa. O projeto vai “de vento em popa” e, dentro do previsto, no nosso plano de expansão.

Quais as marcas que apoiam esta competição?

Os principais parceiros são sempre os destinos, visto que o maior beneficiado diretamente é sem dúvida o turismo local.

Além do retorno direto, o TRITON World Series produz um vídeo a cada evento que é distribuído através da nossa agência no UK para todo o mundo com um número de audiência estimado nos 22,5 milhões.

No setor privado estamos concentrados nas parcerias globais, tendo já fechado três grandes parceiros e marcas que serão anunciadas brevemente.

A blueorange agency tem outros eventos desportivos na agenda deste ano?

Além do TRITON, estamos a trabalhar num projeto muito grande que ainda é segredo, mas que posso adiantar que tem a ver com o título de Capital Europeia do Desporto, e, não só para Lisboa...

 

Como observa o mercado de eventos desportivos em Portugal? Que desafios se colocam num País de pequena dimensão como Portugal?

O mercado dos eventos desportivos tem vindo a crescer muito nos últimos anos graças ao setor privado, às empresas organizadoras de eventos. Quando comecei, havia três ou quatro... o João Lagos, o Carlos Moya e mais um ou outro que essencialmente prestavam serviços a estes.

Para termos grandes eventos e de qualidade é essencial que este setor seja profissionalizado, facto que até uns anos não acontecia. As provas desportivas, estavam na mão de associações, clubes, juntas de freguesia, que faziam o seu melhor, mas que não conseguiam chegar muito longe visto que não é a sua área de especialização.

Os maiores desafios com que nos deparamos em Portugal estão relacionados com três pontos, principalmente: não há escala; a nossa legislação dificulta o relacionamento e financiamento direto a entidades privadas que querem por o setor a mexer; e a ainda falta de cultura desportiva.

Como pode Portugal ser mais competitivo de modo a receber mais eventos?

Profissionalização. Não é possível organizar um grande evento sem um trabalho contínuo durante todo o ano com uma equipa de profissionais.

Não podemos ter grandes eventos organizados por entidades que não têm know-how nem está na sua génese e propósito a organização destes eventos. Um grande evento desportivo leva no mínimo 18 meses a sair do papel até ao dia da partida e, às vezes muito mais, como é o caso de mega eventos como os jogos olímpicos ou uma final mundial da FIFA.

Talento não nos falta, mas é preciso resolver a relação entre o Estado e as empresas produtoras de eventos. Talvez não de uma forma direta, mas encontrando formas de o fazer, como por exemplo incentivos fiscais “reais” ao setor privado que quer investir na área.

Portugal é privilegiado em relação ao resto da Europa enquanto destino de excelência para a prática e realização de eventos desportivos. Conseguimos fazer grandes eventos fora de temporada, coisa que a maioria dos outros países não consegue, com as condições de clima que temos e com as infraestruturas diretas que têm vindo a melhorar muito, nomeadamente as que estão associadas diretamente à área do turismo.

Porque deve uma marca associar-se a eventos desportivos? Que mais-valias aportam em termos de marketing?

Recentemente fui um dos speakers convidados do Horasis Global Meeting em Cascais para falar sobre a importância do desporto na globalização. Vou repetir o que disse durante a minha participação.

Os eventos desportivos estão inseridos na indústria do entretenimento e como tal têm uma capacidade ímpar para conectar pessoas e negócios de uma forma impactante e inesquecível.

Durante toda a conferência da Horasis algumas mensagens foram constantes, nomeadamente, a falta de liderança a nível mundial, o receio da globalização e o que esta pode significar e a dificuldade de criar “engagement” e motivar as pessoas para assuntos muito importantes que enfrentamos hoje no nosso planeta.

A nossa sociedade ainda não soube capitalizar tudo o que o desporto tem para oferecer, nomeadamente, no que toca à educação e à comunicação.

O desporto ainda não é visto como uma disciplina essencial na formação de um individuo enquanto cidadão. O desporto transmite valores que são transversais nas nossas vidas pessoais e profissionais, tais como: organização, determinação, trabalho de equipa, planeamento de resultados, paixão, inspiração, etc.  Nenhuma outra disciplina tem esta capacidade ou transmite estes valores.

Em segundo lugar, no que toca à comunicação, o desporto e os seus “atletas heróis” têm uma dimensão à escala mundial e uma capacidade de envolver as pessoas e passar uma mensagem de uma forma que nenhum outro meio tem, desde questões de âmbito social, ambiental à comunicação de uma marca ou produto.”

O valor que esta relação com o consumidor gera através dos eventos é incomensurável para as marcas e vai além de qualquer ROI, gerando um valor intangível e goodwill a favor das marcas que justificam a aposta no desporto.

Há outros eventos no horizonte da agência?

Neste momento estamos com estes dois grandes projetos à escala global que transcendem as nossas fronteiras e que são de realização periódica.

Além destes, estamos sempre presentes com consultoria e como speakers em grandes conferências e fóruns internacionais.

Que balanço faz de um ano de atividade da agência?

Eu estive nos dois últimos anos a lançar um projeto noutra empresa, voltando este ano de 2018, a partir de meio do ano, a trabalhar para a agência a tempo inteiro.

2018 é um landmark para a agência sem dúvida nenhuma, por esse motivo e pelo lançamento destes dois grandes projetos no final do ano passado que agora tomam forma.

Qual o valor de faturação da blueorange agency de 2018? E quais as perspetivas para 2019?

Como expliquei, estive a ajudar a desenvolver uma área de negócio nos últimos dois anos noutra empresa e por isso a nossa ficou parada. Sem querer entrar pelo lado dos números, posso dizer que fechámos uma parceria com o Governo dos Açores para lançar lá o primeiro evento do TRITON World Series em outubro e fechámos com o Brasil e Espanha para 2020 e anos seguintes (se tudo correr bem) e com a Nova Zelândia a partir de 2021, inclusivamente. Posso dizer que o “futuro nos sorri” neste momento.

Por onde passa o futuro da agência? Têm planos de expansão?

Os planos da agência passam pela internacionalização, principalmente com estes projetos franchise criados por nós e que já estamos a lançar em diversos locais. Hoje em dia o mercado é global e é lá que nós atuamos.

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