Entrevistas

Tem sido uma Fever e pode ser exponencial

Vende bilhetes para vários eventos e dá recomendações personalizadas a cada utilizador, através de dados, análise de tendências, e das tecnologias que desenvolve. A Fever é já utilizada por dezenas de milhões de pessoas e a oferta de conteúdos “tem vindo a aumentar de forma exponencial”. A aproximação às – ou das – marcas, explica o general manager para Portugal e Espanha, Gil Belford, advém de todos esses fatores.

segunda, 03 junho 2019 12:48
Tem sido uma Fever e pode ser exponencial

Briefing | O que trouxe a Fever para Portugal?

Gil Belford | Acreditamos que Portugal tem imenso potencial, não só ao nível de talento, mas, também, ao nível da oferta de conteúdos, que tem vindo a aumentar de forma exponencial nos últimos anos. Quando a oferta de conteúdos aumenta desta forma, duas coisas acontecem: torna-se cada vez mais difícil para os consumidores descobrirem as coisas certas para fazer na sua cidade, e para os promotores comunicarem com a audiência certa. Através da nossa tecnologia, a Fever consegue resolver ambos os problemas.

Além disso, vínhamos a preparar a entrada no mercado português há algum tempo, tendo já recebido investimento de várias entidades-chave no País, nomeadamente, a Caixa Capital e a Portugal Ventures – através do fundo do Turismo de Portugal.

Além de vender bilhetes para diversas atividades e eventos, a Fever apresenta sugestões personalizadas para cada utilizador. O que veio isto alterar no mercado?

A principal vantagem da Fever está precisamente em conseguir recomendar a coisa certa, à pessoa certa, na hora certa. Se isto for bem feito, a venda acontece de forma natural, porque estamos a resolver um problema que o cliente tem, em vez de o importunar ou de lhe impingir algo.

Daí o nosso foco, e todos os nossos esforços residirem em conseguir resolver esse problema. Para isso, utilizamos várias tecnologias que desenvolvemos, aliadas à parte mais importante: dados e análise de tendências.

Ao estarmos presentes em mais de 13 cidades, e chegarmos, todas as semanas, a dezenas de milhões de pessoas únicas, que nos procuram para decidir o que querem fazer na sua cidade, tornámo-nos experts na análise de padrões de consumo e das principais tendências.

Para o sucesso de um evento, quais as características que são analisadas?

Por termos trabalhado com milhares de eventos diferentes, temos uma base de dados muito rica daquilo que funciona ou não: quais são os preços certos, qual é a sensibilidade de preço da audiência, como se comporta a curva de vendas, etc.

Em adição, temos acesso a informação em primeira mão sobre quais são os temas e as tendências do mercado; o que nos ajuda a perceber as formas e audiências certas para promover um evento em específico.

No verão do ano passado arrancaram com os Fever ORIGINALS. A criação de eventos próprios surgiu de uma necessidade?

Diria que a ideia surgiu mais de uma oportunidade que identificámos. Somos muitas vezes comparados com a Netflix, na medida em que à sua semelhança, também utilizamos os dados que temos para melhorar e personalizar a experiência que oferecemos aos nossos clientes. Como a Netflix, também utilizamos esses dados para reduzir o risco na criação de novos conteúdos, porque sabemos o que os clientes procuram e gostam de consumir.

Um exemplo concreto: no caso do festival de música que organizámos em Madrid, o ano passado, chamado “Jardín de las Delícias”, utilizámos o nosso algoritmo para ajudar a identificar o cartaz ideal, que permitisse esgotar os bilhetes, sem a necessidade de assumir um risco grande ao investir em artistas caros. Atingimos resultados que superaram as nossas expectativas – esgotou, 16.300 pessoas na primeira edição – e fizemo-lo investindo apenas uma fração do valor que, normalmente, é gasto no cartaz em festivais de dimensões semelhantes.

Isto permitiu-nos investir em outras áreas do evento, que costumam ser passadas para segundo plano por falta de orçamento, criando uma experiência muito melhor para os festivaleiros.

Estes eventos dão-nos, ainda, a oportunidade de colaborar com excelentes parceiros de produção, que são nossos sócios nestes eventos. A Fever fica responsável por toda a validação do conceito e dos conteúdos, bem como o marketing e a promoção; e os parceiros pela produção e execução do evento.

Sendo que são eventos impulsionados pela análise dos interesses dos utilizadores. - Quais podem ser os riscos?

Quando falamos de organização de eventos é impossível reduzir o risco a zero. Existem muitas variáveis que não são controláveis, como: fenómenos climatéricos, problemas de segurança, greves, etc. O que já provámos, com o nosso modelo, é que conseguimos reduzir o nível de risco ao máximo, garantindo que estamos a criar a experiência certa, com os conteúdos certos, e que existe um nível de procura elevado antes sequer de gastarmos o primeiro euro, libra ou dólar.

Isto é positivo, não só para nós, mas, também, para quem faz parte do ecossistema Fever: os promotores, as marcas e, especialmente, os clientes.

Onde entra aqui a aproximação às marcas?

O facto de a Fever ser utilizada por dezenas de milhões de pessoas, todos os meses, quando querem decidir o que vão fazer – e onde vão gastar o seu dinheiro –, faz com que as marcas nos procurem.

Do nosso lado, estamos muito focados em encontrar oportunidades para trabalhar com uma marca que faça sentido e seja benéfica também para os nossos clientes. Quer seja porque nos ajuda a melhorar uma experiência que estamos a oferecer, ou porque possibilita a criação de uma nova experiência que não existia antes.

Nesta área, tanto trabalhamos com marcas em eventos criados por nós; como, por vezes, fazemos eventos específicos, na interseção entre as necessidades da marca e os desejos dos consumidores. Já trabalhámos com algumas das maiores insígnias a nível mundial, como: a Adidas, Coca-Cola, Netflix, MasterCard, Uber e Diageo, entre muitas outras.

Quais os benefícios para elas?

Existem vários. O primeiro é o de se associarem a uma plataforma aspiracional, e na qual as pessoas confiam na hora de decidir o que fazer. O facto de sermos muito focados no meio digital significa que tudo o que fazemos é extremamente mensurável, e a nossa própria forma de trabalhar é muito analítica e baseada em testes – o que faz com que consigamos resultados muito fortes para os nossos clientes.

E, por fim – e provavelmente uma das razões que mais faz com que as marcas nos procurem –, é a nossa capacidade de analisar tendências e de antecipar a procura para um evento. O sonho de qualquer insígnia é estar associada aos melhores eventos – aqueles de que toda a gente está a falar.

Os eventos das marcas são organizados na íntegra pela Fever?

Entregamos sempre uma campanha 360º aos clientes, embora cada caso seja específico e dependente dos resultados esperados pela marca.

O objetivo final da Fever é conseguir superar as expectativas das marcas que trabalham connosco, ao mesmo tempo que criamos novas experiências incríveis para os nossos clientes. Há casos em que é tudo organizado pelas nossas equipas, e outros em que recorremos a terceiros para nos apoiarem em áreas específicas.

Em Portugal, a Fever está disponível em Lisboa. Quais são os objetivos futuros da marca no País?

Acreditamos que Portugal, como um todo, tem muito potencial, não só para vender experiências a clientes no mercado nacional, como também para o mercado internacional. Com a nossa expansão, acontece, cada vez mais, termos estrangeiros que já utilizam a Fever na sua cidade para comprar experiências em Lisboa, ou mesmo a marcarem viagens em torno de um evento em específico.

Acredito que os vários festivais de música, de classe mundial, que temos em Portugal, são um excelente exemplo de um produto com enorme potencial para a nossa rede.

Olhamos para o Porto como um mercado muito interessante e para o qual gostaríamos de expandir, no entanto, nesta fase, estamos muito focados em Lisboa.

Ao nível de equipa, já contamos com 14 pessoas nos nossos escritórios na capital, e queremos continuar a crescer durante 2019.

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