Entrevistas

O que tem a Bombom a ver com Forrest Gump? Eles contam tudo

Não querem ser mais um quadrado da tablete, mas sim um bombom único. Como os da caixa de bombons de Forrest Gump, no filme homónimo protagonizado por Tom Hanks. Daí que Bombom seja mesmo o nome da produtora fundada por Pedro Jarnac e Ruben Alves, ambos realizadores, e por Duarte Neves, produtor executivo. Com uma equipa de “sangue novo”, e ela própria jovem no mercado, são dela os mais recentes filmes de marcas como Turismo de Portugal, JLL e Pescanova.

quarta, 23 outubro 2019 12:30
O que tem a Bombom a ver com Forrest Gump? Eles contam tudo

 

Briefing | Como surge a Bombom?

Pedro, Duarte e Ruben | A Bombom surge após colaborarmos os três em vários projetos ao longo dos últimos anos. Pouco a pouco, fomos sentindo que a visão de três pessoas, vindas de áreas diferentes, se complementa e aquilo que fica são projetos especiais com um cunho único. E foi isso que quisemos consolidar ao criar a Bombom. Apesar de termos trabalhado e colaborado com algumas produtoras nacionais e internacionais, tivemos sempre a vontade de fazer um caminho que estivesse alinhado com a nossa visão. E quando nos conhecemos essa visão tornou-se real.


De onde lhe vem o nome?

O nome por um lado era óbvio, porque aquilo que fazemos é Bom. Por outro é assumidamente um risco, é um statement. Não temos medo de arriscar, de brincar, e o resultado, no final, vai ser sempre bom, porque somos a Bombom. Dito assim parece muito um claim, mas um bombom é isso mesmo, é um trabalho de precisão, um chocolate com a sua singularidade; não é só mais um quadrado da tablete. E na nossa visão, cada trabalho que fazemos é visto como um bombom onde nos revemos perfeitamente na frase do Forrest Gump "Life is like a box of chocolates”, porque gostamos de ver cada novo projeto como um desafio. Aliás, é engraçado que, no filme, os bombons do Forrest Gump são o ponto de partida para a história fascinante que ele conta. E nós gostávamos que assim fosse, que cada novo projeto abrisse um universo de possibilidades e narrativas cativantes, justamente como no filme, onde a história se vai contando a partir da frase "You wanna chocolate?" em frente a uma caixa de bombons. 

 
Qual é o foco? Mais cinema ou mais publicidade?

Os dois acabam por se tocar cada vez mais. Razão pela qual os nossos realizadores e produtores são all around players. O foco está na publicidade, mas aproximar a publicidade do cinema é uma necessidade que sentimos cada vez maior. Queremos focarmo-nos cada vez mais no branded content e contar histórias reais que conseguem aliar-se ao espírito das marcas. 


Dizem que trazem sangue novo e uma visão fresca. Como se concretizam esses dois conceitos?

Os dois conceitos concretizam-se em ter realizadores jovens e que saibam trabalhar e adaptar-se a projetos diferentes, orçamentos diferentes e tirar o proveito de cada situação e entregar uma peça única. O sangue novo é por sermos novos tanto na idade como na área da publicidade. A visão fresca, porque é uma visão de alguém que não tem vícios e medos. Da mesma maneira que a publicidade está a mudar, o género do filme publicitário também irá mudar. Nós sentimo-nos nesse epicentro da mudança. 


O que une os diversos realizadores e produtores, uma vez que têm backgrounds diferentes?

Aproximámo-nos pela visão estética e acabamos por nos unir por aquilo que somos enquanto pessoas. Acreditamos que se encontrou aqui uma espécie de fórmula mágica. O Ruben tem um background que todos conhecemos no cinema, o Pedro na publicidade e no branded content, o João Sousa no content e fashion e a Leonor no documentário. Com quatro pessoas consegues juntar várias áreas e entregar seja em que formato for. Para completar o Duarte Neves, o nosso produtor executivo, tem experiência de produção em todas estas áreas. Os backgrounds cruzam-se uns com os outros, o que é bonito.

 
Como olham para o mercado da produção em Portugal?

Portugal globalizou-se, os desafios de cá são os desafios de todo o mundo, mas continuamos a ser conservadores. Ainda temos muito medo da concorrência e não sabemos tirar proveito disso. Continuamos a seguir uma métrica clássica em termos de progressão de carreira: em Portugal, se tens menos de 30 ainda estás muito "verdinho" e as oportunidades continuam a surgir muito mais tarde, queiras ser produtor, realizador, diretor de fotografia, editor, etc.. É um erro, e nós, à nossa volta, vemos pessoas com enorme talento, e sobretudo cheias de vontade de arriscar e inovar, pessoas com quem temos imenso prazer em trabalhar e que trazem um boost de criatividade. Hoje, da maneira como o mercado está a mudar, existem mais produções e mais talento, que tem mais vontade de fazer e experimentar! Antigamente, as produtoras acabavam por executar briefs, atualmente sugerem ideias e executam experiências nas quais acreditam. Um produtor ou um realizador de publicidade não faz só publicidade, faz também documentários, cinema e outros formatos. Acima de tudo, estamos a assistir a uma versatilidade e a tempos de criatividade incríveis, que ainda não estão a ser bem aproveitados. Estamos a assistir a um boom de produtoras de escalas mais pequenas, onde trabalham pessoas que não se alinham nem se enquadram com as produtoras que estão há mais tempo no mercado. O problema aqui é que, muitas vezes as agências e os clientes têm medo de arriscar briefs mais complexos e com budgets maiores com este sangue novo de produção. A verdade é que, quando se fragmentou o mercado da publicidade há uns anos, com o aparecimento de agências mais pequenas, o mercado ficou muito melhor, mais competitivo e mais interessante. 

 

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quarta, 23 outubro 2019 13:37

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