Entrevistas

A forma de trabalhar da Randstad mudou. A Inês revela em quê

Teletrabalho, entrevistas à distância e uma comunicação reforçada. Estas são algumas das medidas adotadas pela Randstad, perante a pandemia Covid-19. Mais de 60% dos trabalhadores de call center estão a laborar a partir de casa, uma percentagem que, segundo a diretora de Marketing e Comunicação da marca em Portugal, Inês Veloso, vai crescer “sempre que as condições estiverem criadas”. Na sua visão, o novo paradigma que o mercado de trabalho está a enfrentar e a forma como a empresa está a responder “vão servir de insights para os próximos tempos”.

segunda-feira, 06 abril 2020 11:54
A forma de trabalhar da Randstad mudou. A Inês revela em quê

 

Briefing | A Randstad ativou “medidas excecionais”, perante a atual pandemia. Em que se baseiam?

Inês Veloso | Desde o início, a Randstad foi acompanhando de perto todos os desenvolvimentos da pandemia a nível global e sendo uma empresa multinacional, desde cedo foram implementadas restrições a viagens e medidas preventivas em países com casos positivos.

Em Portugal, além deste alinhamento, fomos sempre adotando as recomendações para empresas emitidas pela Direção Geral de Saúde, garantindo a ativação do Comité de Crise para que fosse elaborado e comunicado o Plano de Contingência com o esclarecimento de todo o processo de registo e tratamento de ocorrências. É importante recordar que somos o terceiro maior empregador privado nacional e que a saúde das nossas cerca de 30 mil pessoas é para nós uma prioridade.

A escalada do vírus, e ainda antes do fecho das escolas, levou-nos a recomendar o trabalho remoto como preferencial para os colaboradores que já hoje podiam trabalhar uma vez por semana à distância. O facto de termos a tecnologia e os equipamentos preparados permitiu-nos fazer este processo de uma forma muito natural. Em paralelo, e no sentido de também protegermos os nossos candidatos e clientes, começamos a utilizar uma solução da Randstad de video recruitment – o VIDA – que garante entrevistas à distância, garantindo a proteção de dados e a melhor experiência para todas as partes.

A importância de manter as pessoas em casa levou-nos a ir mais longe e, em conjunto com os nossos clientes, já temos hoje mais de 60% dos nossos colaboradores de contact center a trabalhar de casa. Uma operação exigente em termos tecnológicos, mas também de gestão de pessoas que não vai ficar neste número. Em paralelo, e nas operações em que não é possível o trabalho remoto, adotamos as melhores práticas seguindo sempre a DGS, adoptando medidas de espaçamento entre assistentes, ou equipas de trabalho rotativas de 14 dias para garantir eventuais situações de quarentena. Em paralelo, foi criado um e-mail de comunicação direta com o gabinete de crise para suporte e esta equipa reúne, diariamente, para acompanhar as várias ocorrências.

Em termos de comunicação, sentimos que era preciso reforçar a nossa presença, porque nunca como hoje é tão importante o que fazemos. Primeiro, porque preveligiamos a saúde das pessoas e, segundo, porque temos a responsabilidade de contribuir para este novo normal, garantindo pessoas para as funções existentes, acompanhando as que se encontram em situações de lay-off ou de despedimentos e todos os desafios que as empresas enfrentam no que se relaciona com a gestão de pessoas e serviços de suporte aos seus clientes.

Assim lançamos a #EstamosAqui, uma campanha de afirmação territorial, que aborda os desafios da nova realidade do emprego e da gestão de pessoas, ao mesmo tempo que partilha as melhores práticas da relação da tecnologia com as pessoas. Uma campanha que fazemos com as nossas pessoas, mas também com webinares, talks, novos produtos adaptados a este novo normal e com momentos de engagement. Acreditamos que hoje, mais que nunca, as pessoas precisam deste suporte e que numa nova realidade laboral temos um papel com os nossos clientes, trabalhadores, candidatos e empresas, um papel fundamental para aquela que será uma nova realidade, após a pandemia.

O que mudou nos processos de recrutamento?

Nada e tudo. Nada, porque garantimos a mesma qualidade e capacidade de entrega. Tudo, porque o mercado perdeu confiança, seja do lado das empresas, seja do lado dos candidatos. O resto são soluções, são tecnologias que já tinhamos testadas e incluídas na nossa oferta e que hoje massificamos e passaram a fazer parte de um normal processo de recrutamento – como o VIDA.

É possível fazer um balanço relativamente à procura de emprego, desde que foram detetados casos de Covid-19 no País?

Há uma redução muito grande da dinâmica do mercado por toda a incerteza gerada. Apenas nos setores dos serviços essenciais existe um contra-ciclo, como seja na área da saúde ou logística.

E do lado dos vossos clientes?

Mais uma vez, depende do setor de atividade do cliente e de como este se está a adaptar à crise.

Falemos de call centers. Há profissionais de telemarketing e apoio ao cliente de empresas de vários setores que têm contrato convosco e muitos deles estão, agora, em teletrabalho. Esta foi uma iniciativa vossa, ou dos vossos clientes?

De acordo com o nosso Plano de Contingência, procuramos reforçar a prevenção dos nossos trabalhadores, garantindo que pessoas de grupos de risco estão em casa, preferencialmente em teletrabalho. Não sendo possível ficar em teletrabalho, a nossa resposta é enviar proativamente para casa. Procuramos dar sempre preferência ao teletrabalho e, até agora, já conseguimos mais de 60% das nossas pessoas de call centers neste regime, recorrendo a diversas soluções tecnológicas. Já temos também em curso medidas para que este número cresça rapidamente, sempre que as condições estiverem criadas. 

O que foi necessário para implementar esta solução?

O que foi fundamental: parceria com os nossos clientes, confiança nas equipas e capacidade de gerir equipas de alta performance para que a continuidade da qualidade do serviço esteja garantida. Tudo o resto, a componente tecnológica, são apenas ferramentas que ajudam a concretizar este objetivo, mas até aqui, a diferença esteve em todos os profissionais de IT que garantiram esta transição.

Qual o feedback que têm recebido de ambas as partes: clientes e colaboradores?

Um orgulho, e é nestes momentos que temos de mostrar tudo o que temos prometido, a comunicação que fazemos na prática. E acredito que é, por isso, um momento de teste às marcas, seja ao nível de posicionamento, seja como empregadores. Este é o momento de provarmos os nossos valores e as nossas prioridades, e na Randstad todos os dias demonstramos que #EstamosAqui.

Nas questões contratuais, existe risco de despedimentos?

A lei está a ser adaptada e temos acompanhado todos os cenários extraordinários, garantindo o cumprimento rigoroso do mesmo.

Olhando a longo prazo, com foco no momento em que se recuperará a normalidade, que desafios esperam encontrar?

Perante este contexto que estamos a atravessar, cada dia é único e só nos cabe a nós aprendermos com os desafios e exigências que vão aparecendo com a evolução desta pandemia. Enquanto empresa, cabe-nos também proteger as nossas pessoas e assegurar que conseguem trabalhar tanto em casa, como nos seus locais de trabalho, de forma segura e com todos os recursos necessários. Em pouco menos de um mês, já estamos a enfrentar um novo paradigma no mercado de trabalho, que afeta empresas, recrutadores e candidatos. E todas as mudanças que estamos a fazer internamente na Randstad, bem como a passagem rápida para o digital, vão servir de insights para os próximos tempos.

Apesar de vivermos tempos de profunda incerteza e desconhecimento, uma das nossas garantias é que vamos continuar a estar aqui para nos adaptarmos a este novo paradigma, procurando, em qualquer altura, assegurar o bem-estar das nossas 30 mil pessoas. A mensagem será sempre acreditar e reconhecer que amanhã nunca será igual a ontem e que a normalidade será também ela nova, mas #EstamosAqui para garantir que será melhor e que todos seremos mais fortes e mais felizes.

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