Entrevistas

Nos seis anos da Milford, os Nunos pedem um desejo

Os clientes falam com o Nuno ou com o… Nuno. É assim na Milford, como era há seis anos, quando foi criada. Os fundadores da agência, Nuno Antunes e Nuno Duarte, desejam que o mercado aprenda com a pandemia e volte a concentrar-se no “essencial”: as ideias e as pessoas.

quarta-feira, 03 junho 2020 13:02
Nos seis anos da Milford, os Nunos pedem um desejo

 

Briefing | O que tem a Milford a celebrar neste sexto aniversário?

Nuno Antunes e Nuno Duarte | Depois de velhos é que começamos a não querer festejar os aniversários, agora, com seis anos, as razões para o fazer ainda são mais do que muitas. Só o facto de existirmos seis anos depois é motivo de celebração. Não nos esqueçamos que a Milford surgiu em plena crise, particularmente dura para o setor da comunicação, e abrir uma empresa era um bocadinho mais do que um desafio, era um sinal de loucura a pedir internamento psiquiátrico. Ainda assim, arregaçámos as mangas da camisa de forças e avançámos. Sem clientes, dois sócios e um caminho para se fazer. E a verdade é que ele se fez, ou melhor dizendo, se está a fazer, já que ainda contamos estar por cá quando já não quisermos celebrar um aniversário.

Como foi o crescimento em termos de clientes?

O ano passado, por esta altura, dizíamos “em cinco anos perdemos quase tudo, só não perdemos nenhum cliente”. Porque era verdade e porque o único indicador que valorizamos quando falamos em clientes é a sua satisfação. Um cliente que tem confiança na agência, que gosta do nosso trabalho e que, consequentemente, se mantém connosco ao longo do tempo é o nosso melhor cartão de visita.

E de equipa e serviços?

A equipa evoluiu de acordo com o crescimento no negócio. No entanto, por uma questão de proximidade, não há intermediários e os nossos clientes falam sempre com o Nuno ou com o Nuno.

Relativamente aos serviços, nada mudou e quase certamente nada mudará, porque aquilo que fazemos é, tão somente, ter ideias. Ideias que resolvam os problemas dos nossos clientes. Interessa-nos o pensamento, a estratégia e a criatividade, independentemente da forma ou da disciplina da comunicação e, depois de mais de vinte anos de experiência nas principais agências do mercado, julgamos que podemos afirmar que o sabemos fazer.

A atual situação veio, de alguma forma, ensombrar os festejos? Que impacto teve na atividade da agência?

Claro. Ainda por cima, sem tempo de preparação. Da noite para o dia, o mundo fechou. Tínhamos algumas novidades pensadas para a agência que ficaram paradas. Além disso, é perfeitamente normal que, nos primeiros tempos do Estado de Emergência, a atividade tenha abrandado de forma significativa, mas, felizmente, nas últimas semanas, surgiram alguns indicadores positivos, nomeadamente, no reatar de projetos que tinham ficado à espera.

 

Que adaptações foi preciso fazer? Estes tempos são mais exigentes para uma agência com a dimensão da Milford ou, pelo contrário, o facto de ser pequena torna-a mais ágil e prepara-a melhor?

Na realidade, nenhuma. Como dissemos anteriormente, a Milford nasceu em plena crise e, também por isso, assumimos logo práticas de gestão muito rigorosas. Mesmo com a evolução muito positiva do negócio, mantivemos sempre os pés assentes na terra. Há sempre o dia em que as coisas não correm como esperado, nem que seja uma pandemia com que ninguém contava. Mas, independentemente da Covid-19, num mundo que anda a mil, assumimos a flexibilidade e a capacidade de adaptação como uma obrigação.

Há uma série de princípios a que já obedecíamos e que nos parece que vão ser norma nos próximos tempos: não trabalhamos a pensar no lucro ou no crescimento a curto prazo. Os bons resultados surgem quando se tem uma perspetiva de longo prazo baseada na felicidade e qualidade de vida; damos autonomia e liberdade aos que viajam connosco. Acreditamos que, assim, fazem melhor o seu trabalho; trabalhamos onde for mais conveniente e inspirador. Em casa, no café, na praia, na esplanada, no cliente e até, pasme-se, na agência; aproveitamos a tecnologia que nos liga e perdemos menos tempo em reuniões e deslocações, tempo esse que pode ser aproveitado a trabalhar para os nossos clientes. Além de que se poupa dinheiro e o ambiente agradece; não somos alemães nem suíços, podemos e devemos dar uso a todas as ferramentas que a tecnologia nos oferece, mas nada substitui a relação entre dois seres humanos.

Qual a ambição para o “novo normal” da comunicação e do marketing?

Seria bom que algumas das práticas adotadas por obrigação durante esta pandemia viessem para ficar. Vamos aprender com esta situação, designadamente no que respeita a agilizar processos, para nos voltarmos a concentrar no essencial: as ideias e as pessoas.

Era importante voltar a conhecer o mundo para lá das redes sociais. Lermos, irmos ao teatro ou a uma exposição ou, simplesmente, andar pela rua e vermos com os nossos próprios olhos como é que as pessoas agora se comportam e consomem produtos e conteúdos e, já agora, que ensinamentos podemos tirar daí. Talvez seja pedir muito, mas era bom poder viajar por esse planeta fora para reganharmos esse mundo, seguramente mais inspirador que muitos paradigmas que para aí andam. Tememos que o tempo que se vai perder a discutir tendências sirva mais para criar novas gavetas, diferentes das que temos hoje, mas, ainda assim, gavetas. E nós precisávamos era de as eliminar.

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quarta-feira, 03 junho 2020 19:26

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