Entrevistas

O design da LEGO fala português. A Rosário conta o que anda a fazer

Portugal e Dinamarca distam quase 2.300 quilómetros entre si. O continente é o mesmo. A criatividade também. Aliás, “é universal” – diz a Senior Design Director da LEGO, Rosário Costa, que, na empresa dinamarquesa há 23 anos, considera não existirem limites para explorar novas formas de brincar e de reinventar os tijolos da marca. Adora fazê-lo, bem como inspirar crianças a desenvolverem a sua “confiança criativa”. A inovação permite a melhoria dos processos, e é com os “olhos postos” nela que lidera a sua equipa.

segunda-feira, 20 julho 2020 13:00
O design da LEGO fala português. A Rosário conta o que anda a fazer

 

Briefing | Há mais de 20 anos que está na LEGO, onde foi acompanhando a evolução dos tempos. Houve algum momento em que sentiu que a transição foi abismal?

Rosário Costa | Todos os passos do meu percurso, no Grupo LEGO, foram um desafio positivo. Tive muitas oportunidades para aprender e crescer, tanto ao nível profissional como pessoal.
Faço parte do grupo há 23 anos, no desenvolvimento de produtos, e tive já vários altos e baixos, mas aprendi com cada momento. A empresa tem uma hierarquia horizontal, o que significa que toda a gente está envolvida no processo de melhoria e em fazer a diferença.
O período entre 2002 e 2004 foi muito complicado para a LEGO. Tenho muito orgulho em ter estado envolvida no processo, e com uma equipa extraordinária, a ajudar o grupo a dar a volta.


Qual foi a grande influência no seu percurso profissional?

Eu cresci num ambiente empreendedor em São João da Madeira, onde, durante os anos 70 e 80, aconteceram muitas coisas, como a expansão de fábricas, e eu vivi tudo isso. Isso inspirou-me a pensar de forma mais holística e a perceber o quanto o networking e a gestão de stakeholders são importantes para o processo. Acho também que a mestria e a qualidade com que os produtos eram criados influenciou a minha forma de pensar o design.
E tive muitas oportunidades depois da revolução. Fiz desporto e fui para uma escola de arte local, o Centro de Arte de São João da Madeira, para aprender a desenhar melhor.
O meu pai foi, também, uma grande inspiração. Foi sapateiro toda a sua vida e conseguia criar sapatos “do nada”. Adorava vê-lo a consertar os meus sapatos e aprendia muito com ele. A educação que ele e a minha mãe me deram foi muito importante e aprendi com eles valores como não desistir do que quero, não tomar o que tenho por garantido, e ser responsável pelas minhas ações.
Depois, tenho outras grandes influências na minha carreira, que me inspiram diariamente, como as crianças; os meus colegas de trabalho; e pessoas de outros backgrounds, como a música ou o cinema.


Em que se inspira para estimular a criatividade?

Interesso-me muito por seguir as principais tendências culturais e obtenho muita inspiração quando viajo, estou online, leio, estou com os meus amigos ou conheço pessoas novas.
Também continuar a estimular a minha criança interior, porque isso é fundamental para o meu trabalho, ajuda a ter novas ideias, relevantes e inspiradoras para as crianças de hoje e das gerações futuras. E estar com crianças, quando estamos a validar conceitos, é muito inspirador. 

 

A Rosário gere a equipa de design da LEGO. O que considera fundamental na liderança?

Liderar pela paixão, com os olhos postos na inovação. No meu trabalho, é importante criar experiências inovadoras que sejam relevantes para crianças de todo o mundo, como tal, o foco de tudo o que criamos são as crianças. Usamos vários insights, para nos guiarem e criarmos experiências com valor e que sejam desejáveis.
Penso que o mais importante na liderança é fomentar a colaboração e criar um ambiente de trabalho motivador e envolvente. Foco-me em criar uma cultura de criatividade, um mindset de “dream team” de designers, valorizando o processo de pensamento em cadeia, com centro naquilo que é importante trabalhar.


Quão importante é o design para as marcas e empresas?

Acredito que o design, a criatividade e a inovação têm um papel fundamental para marcas e empresas, e vivi isso no meu percurso profissional na LEGO.
Temos tido, ao longo dos anos, o foco de desenvolver a maneira como pensamos e trabalhamos, e, atualmente, temos melhores processos, ferramentas e cultura empresarial. Como empresa, trabalhamos de forma mais inteligente ao longo da cadeia de valor e o design tem um papel muito mais importante na organização, o que nos ajuda a ter uma abordagem mais integral e a chegar mais depressa às soluções certas.


No caso da LEGO, como se desenvolve o processo de inventar brincadeiras, visto que os tijolos são os mesmos?

Esse é o conceito LEGO. O facto de os nossos tijolos oferecerem possibilidades infinitas de geração em geração, permitindo à criança construir e reconstruir tudo o que conseguir imaginar.
É incrível que, tantos anos depois do seu aparecimento, consigamos continuar a oferecer experiências inovadoras. Fico muito feliz que tantas pessoas que conheço de todo o mundo partilhem esta paixão e fiquem tão excitadas por saberem que os tijolos de hoje ainda encaixam nos tijolos com que brincaram em crianças.
É isto que torna o sistema LEGO tão único: oferecer tantas possibilidades de ser criativo, tantas oportunidades de construir, brincar e obter novas experiências.

 

Esta entrevista pode ser lida na íntegra na edição impressa da Briefing.

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