Entrevistas

O NOVO quer primeiro criar uma marca. Palavra do Miguel

O jornal NOVO chegou este ano e é marcadamente de centro-direita. Miguel Côrte-Real refere um “projeto ambicioso”, direcionado a um leitor que quer estar informado e ser desafiado. O administrador do semanário afirma que os focos para o primeiro ano são a qualidade do produto e a criação de uma marca, só depois vem o retorno financeiro.

segunda-feira, 07 junho 2021 13:04
O NOVO quer primeiro criar uma marca. Palavra do Miguel

Briefing | O NOVO estás nas bancas e no digital. Como descreve o modelo de negócio?

Miguel Côrte-Real | Este é um projeto ambicioso. Queremos semanalmente fazer um jornal diferente do que existe no mercado, para fazer igual já existem os atuais que cumprem a sua função.

O NOVO quer marcar o seu espaço. O nosso foco está na qualidade da informação, no rigor e no design que queremos proporcionar. Um jornal que serve para noticiar, mas sobretudo para fazer refletir.

Olhamos para o mercado e iremos estar nos canais habituais de difusão. Seja em banca, seja online, com uma forte aposta em capas disruptivas e apelativas. O nosso público-alvo é o leitor que quer estar informado e que quer ser desafiado. O leitor sem complexos, que não se importa de ganhar horas a ler o nosso jornal e a nossa revista.

 

O jornal iria chamar-se "SOL", uma vez que a marca pertence à Lapanews, mas a ERC recusou porque o título pertence a outra empresa. Além de um registo diferente, que consequências trouxe para o semanário?

A Lapanews foi constituída em janeiro deste ano para lançar um novo jornal semanário. A empresa era proprietária de um contrato de exploração durante 10 anos da marca SOL. Assim sendo, registou três títulos na ERC, um deles o SOL, e aguardou as respostas. O SOL foi recusado, os outros dois foram aprovados, tomámos as nossas decisões e avançámos com a opção de marca NOVO.

O principal objetivo da sociedade sempre foi o de lançar um novo jornal semanário, e, portanto, estamos muito satisfeitos com a opção tomada e a estratégia seguida.

 

As tiragens e vendas em papel têm decaído na última década e o futuro pós-pandemia vê-se incerto. Pensam monetizar o conteúdo digital?

A circulação em papel está a diminuir, a circulação digital está ainda pouco desenvolvida e a publicidade está em queda. Temos essa consciência.

Esta quebra de receitas fez com que os principais grupos reagissem, despedindo jornalistas e, em alguns casos, fundindo redações. Estas medidas têm implicações sérias na qualidade do Jornalismo, cuja missão é essencial em sociedades democráticas. Um pior Jornalismo é um grande risco para a qualidade da nossa democracia, porque não está assegurado o direito à informação, à diversidade e ao pluralismo, ao confronto de opiniões e pontos de vista.

O modelo tradicional de negócio da imprensa, baseado em receitas de circulação e receitas publicitárias, apresenta fragilidades. Houve alterações ao nível do estilo de vida e do consumo, também potenciadas pela digitalização e pela crescente penetração da internet no dia a dia das pessoas.

O consumo de informação passou a ser feito crescentemente online, em qualquer momento, e já não dependente das periodicidades habituais dos meios de comunicação tradicionais. Por outro lado, essa possibilidade de consumo foi, de início, disponibilizada de forma gratuita aos leitores que se habituaram assim a uma cultura do grátis, que tem sido muito difícil de reverter.

Há experiências de algum sucesso no que toca a jornalismo pago na internet – como o site mediapart.fr, o aumento das subscrições digitais do Financial Times e do The New York Times, ou o Observador –, mas esta receita não pode ser replicada de forma descontextualizada a toda a oferta.

Por outro lado, outra fonte de receita essencial aos media, a publicidade, passou igualmente por uma transformação profunda no modo como é disponibilizada aos potenciais consumidores. Os motores de busca –como a Google – e as redes sociais – como o Facebook – são hoje empresas globais de publicidade e marketing, e desenvolveram novas ferramentas para dirigir anúncios através da construção de perfis de consumidores, traçados com base em toda a informação que é gerada pela presença online. Contudo, e como já foi referido acima, nem sempre as empresas conseguem a remuneração devida pela distribuição deste produto, e mesmo quando há publicidade inserida nos sites dos títulos informativos, o seu valor é muito menor do que era tradicionalmente o valor da publicidade em papel. Deste modo, a transição de leitores do papel para o digital não é compensada monetariamente.

Ou seja, ainda é o papel que paga em boa parte os produtos informativos, mas é no digital que está o futuro do negócio. O investimento do papel é também uma aposta na aquisição de clientes e criação de marca e notoriedade para o projeto digital.

 

A Lapanews voltou a mudar de acionistas e de administração pela terceira vez em 2021. O que motiva a mudança? Que consequências traz?

Consequências? Nenhumas.

Na verdade, não são três mudanças, são duas.  A empresa foi constituída como uma sociedade por quotas, para a preparar para um aumento de capital e entrada de novos acionistas, o que aconteceu em janeiro de 2021. Na transformação da Lapanews para SA, entraram novos sócios, ficando a Lapanews com a sua estrutura acionista base.

Após o lançamento, e por acreditarem muito e estarem comprometidos, no projeto do NOVO Semanário, a Abstract Sky e a Lion Rock decidiram reforçar a sua participação no capital social da empresa, adquirindo as participações dos restantes acionistas. Foi uma opção de investimento. Mas, obviamente, fruto da qualidade do produto que lançamos no mercado, temos despertado a atenção e temos sido contactados por alguns investidores.

Como diz a sabedoria popular, só se muda para melhor, foi o que fizemos e é o que estaremos sempre disponíveis a fazer, se sentirmos que é o melhor para o crescimento do negócio.

 

Quais são os objetivos para o primeiro ano?

Estamos totalmente focados em criar condições para que todo o investimento seja direcionado para a qualidade do produto, pois acreditamos numa receita simples, que com um bom produto atingiremos os resultados pretendidos. Isso, conjugado com o rigor orçamental, será o "segredo" para a sustentabilidade do projeto.  

Não estamos preocupados com o retorno imediato, queremos criar uma marca, criar uma identidade e uma forte ligação com os nossos leitores.  Depois, claro que a nossa aposta é em vender mais jornais, ter mais acessos às plataformas digitais e ter uma política de publicidade variada.

Mas, acima de tudo, queremos ter um produto de qualidade em que o leitor sinta motivação para todas as sextas-feiras comprar o NOVO.

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