Entrevistas

O Back Market quer educar para a economia circular. Diz o Thibaud

Recondicionar é a palavra-chave do Back Market, empresa francesa de dispositivos tecnológicos que chegou a Portugal. Depois de estar já presente em 15 outros países, a entrada a Portugal foi desafiante destacando-se “o grande desconhecimento dos produtos recondicionados pelos consumidores para a concorrência que existe”. Quem o diz é o CEO & Co-Founder, Thibaud Hug de Larauze, defendendo a necessidade de educar os consumidores para a economia circular.

 

segunda-feira, 16 agosto 2021 10:50
O Back Market quer educar para a economia circular. Diz o Thibaud

Briefing I O Back Market chegou a Portugal. Qual o maior desafio de lançar uma marca no País?

Thibaud Hug de Larauze I Existem sempre desafios no lançamento de uma marca num novo mercado, mas o Back Market já existe em 15 países e temos os desafios e oportunidades encontrados em cada um como experiência. Em Portugal, destacamos o grande desconhecimento dos produtos recondicionados pelos consumidores para a concorrência que existe. Os consumidores portugueses ainda não estão por dentro do mercado dos recondicionados e não sabem as mais valias que podem ganhar ao optar por esta alternativa. Por isso mesmo, é de extrema importância educarmos os consumidores no sentido da urgência da economia circular, quer para o ambiente, quer para os gastos familiares, nomeadamente em tecnologia. Ainda que haja esse desconhecimento, felizmente, a economia circular, especificamente direcionada a aparelhos tecnológicos, está a aumentar, o que aumenta também a concorrência. No entanto, o Back Market destaca-se por ser o primeiro mercado de dispositivos recondicionados, e o líder em vários países. Temos 1500 recondicionadores na plataforma, portanto temos oferta suficiente para corresponder à procura dos consumidores, o que não é o caso dos nossos concorrentes indiretos, que às vezes terão uma oferta mais limitada.

 

Depois de a marca já estar estabelecida em 15 outros países, quais os benefícios da expansão em Portugal?

Desde 2014, o Back Market já está chegou a 15 países e a expansão para Portugal aconteceu no seguimento da ronda de investimento de série D de 276M€. O nosso objetivo sempre foi expandir o negócio para o máximo de mercados possível, de forma a levarmos os nossos valores sustentáveis ao maior número de pessoas. Em 2016, expandimos o negócio para Espanha e, por isso, fazia todo o sentido internacionalizarmos agora para Portugal, para aumentarmos a nossa pegada ibérica.

 

O Back Market pretende ter um papel essencial no crescimento da economia circular da área tecnológica. Esse tem sido um foco da marca?

Totalmente. O mundo digital representa quase 4% das emissões globais de carbono e o grande impacto da tecnologia na quantidade de lixo produzido prende-se com a produção de dispositivos. Por isso mesmo, é essencial que os consumidores optem por alternativas ao consumo linear, neste caso, a economia circular. Só assim os produtos conseguem ter períodos de vida maiores e, consequentemente, reduzir-se a quantidade de dispositivos novos produzidos. A nossa principal missão é promover a sustentabilidade e mostrar aos consumidores que, através de um consumo de tecnologia mais sustentável, conseguimos diminuir o carbono envolvido na produção de dispositivos. Nos últimos anos, temos trabalhado exatamente para educar os consumidores em relação a esta urgência dos recondicionados, com o principal objetivo que esta opção passe a ser a primeira escolha.

 

De que forma a pandemia provocada pela Covid-19 teve impacto na sua expansão?

Na verdade, o contexto de pandemia acabou por trazer mais oportunidades ao negócio e à chegada do Back Market a Portugal. Muitas pessoas viram-se em situações bastante duras, como o desemprego, outras diminuíram o poder de compra e, por isso, as famílias procuraram alternativas mais acessíveis para o que precisavam de comprar. Assim, recorreram à economia circular, modelo que prevê a partilha, a reutilização, a reparação, o recondicionamento e a reciclagem de materiais e produtos existentes, de forma a alargar o seu ciclo de vida. Além disso, com o surgimento do teletrabalho e das aulas online, as famílias tiveram de investir em dispositivos tecnológicos e, aqui, os aparelhos recondicionados foram uma das alternativas. Ainda assim, os consumidores continuam a ter uma certa desconfiança em relação aos produtos recondicionados e esse acaba por ser o principal desafio, ao mesmo tempo que é também a maior missão do Back Market. A pandemia acelerou também a diversificação dos produtos comprados: no início, os consumidores compravam smartphones, mas, com a pandemia, passaram a comprar também televisões, computadores e tablets. Comparando o momento atual com o final de 2018, atualmente 70% das vendas são apenas telemóveis, sendo que, em 2018, eram 85%.

 

Quais os principais objetivos da marca no País a curto prazo?

Como o Back Market está em Portugal há relativamente pouco tempo, a curto prazo pretendemos mudar o máximo de mentalidades possível no que respeita aos produtos recondicionados, educando os consumidores de forma a optarem cada vez mais pela economia circular. Os produtos recondicionados ainda não são muito conhecidos em Portugal, pelo que temos de educar os consumidores para lhes mostrarmos que este tipo de produtos é muito diferente dos produtos usados, dada a existência de garantias. Uma vez educados os consumidores, pretendemos ouvir as suas opiniões para que o serviço corresponda às expectativas e para que cada um dos nossos consumidores se torne leal à marca e, essencialmente, aos produtos recondicionados.

 

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segunda-feira, 16 agosto 2021 11:28

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