Entrevistas

A nova direção da APAP vai promover o talento. O António explica

A APAP - Associação Portuguesa das Agências de Comunicação, Publicidade e Marketing elegeu uma nova direção, com mandato até 2024. Um dos objetivos passa por promover o reconhecimento coletivo das agências através da valorização da criatividade e da inovação e é com talento que pensam atingir estas metas, tal como afirma o presidente da associação. Sobre o aumento de valor às marcas, António Roquette entende que só é possível se houver maior envolvimento estratégico das agências junto das empresas. 

segunda-feira, 18 outubro 2021 12:50
A nova direção da APAP vai promover o talento. O António explica

Briefing I Quais os objetivos da nova direção da APAP?

António Roquette I Os grandes objetivos passam por potenciar a qualidade do serviço prestado aos clientes, rentabilizar o investimento dos acionistas e incrementar a reputação dos profissionais. Por outro lado, queremos também promover e valorizar o nosso reconhecimento coletivo, enquanto indústria, através da valorização da criatividade e da inovação, como fatores críticos para o sucesso das marcas e dos negócios em Portugal.

 

Que metas pretendem alcançar até 2024?

É hora de nos posicionarmos como uma peça chave na dinamização da economia, como um setor criativo, e um serviço, que é fundamental às empresas que apostam em fazer crescer o seu negócio através de marcas fortes. Devemos desenvolver, em conjunto, o novo terreno de jogo em que combinamos a nossa razão de ser (criatividade) com uma visão de criação de valor, através da construção de marcas fortes (valor económico com retorno visível).

 

Afirmou que se vai viver um momento único de oportunidade económica e social e que pretendem criar mais proximidade com as marcas e decisores. De que forma vão fazê-lo?

A sua pergunta integra duas questões distintas. Sobre a primeira parte da pergunta, a resposta é clara: estamos confrontados com uma oportunidade de investimento única, a chamada bazuca, que trará muitas oportunidades, diria mesmo únicas, à economia portuguesa, assim sejam esses fundos bem aplicados. Estamos também, como humanos que somos, com uma enorme sede de voltar a viver, o que criará uma pressão na procura e um consequente aumento na necessidade de inovação e criação de diferenciação na oferta.

Relativamente à segunda parte da pergunta, nesta conjuntura, o nosso setor, sendo fundamental e estratégico, deve voltar a aproximar-se dos decisores e das suas equipas, como no passado acontecia. Infelizmente as crises anteriores obrigaram a um grande emagrecimento das estruturas de marketing e uma sobrecarga das equipas. Isso provocou menos tempo, menos participação e maior distanciamento das agências junto dos decisores e por isso menor participação estratégica junto das marcas, concentrando-se muitas vezes apenas no plano tático e execucional. A nossa visão é que esse distanciamento é mau para nós, para equipas de marketing e muitas vezes traduz-se numa diminuição da qualidade do trabalho com consequências no Retorno sobre o Investimento (ROI) que prejudicam todos os envolvidos. Se pensarmos que muitas vezes estamos a fazer campanhas de centenas de milhares de euros de investimento em produção e meios, é fácil entender a necessidade de maior envolvimento estratégico das agências junto das empresas. Só isso aumentará o valor às marcas.

 

Como pensam valorizar a criatividade e a inovação nas agências?

Com talento. Nós prestamos um serviço que é cada vez mais exigente, basta ver a multiplicidade de meios e as diferentes formas e formatos de chegar às pessoas. Estes processos são cada vez mais complexos e implicam muito mais esforço em pensamento, criatividade e inovação. Para isso é fundamental atrair talento, e para atrair talento é preciso maior reconhecimento da nossa profissão, um trabalho que passa por várias iniciativas que é necessário desenvolver como maior exposição do bom trabalho que se faz no mercado português e internacional, expondo melhor algumas iniciativas importantes que já existem como o festival do Clube Criativos de Portugal (CCP) ou os Prémios à Eficácia, mas também com maior aproximação das universidades, dando a conhecer o nosso sector no intuito de aumentar a sua atratividade junto da comunidade universitária.

 

Com a pandemia, há mudanças que virão para ficar? As agências de Comunicação, Publicidade e Marketing serão diferentes no pós-Covid?

Todas as empresas estão a repensar o seu modelo de trabalho e a forma como se está no escritório, portanto a resposta é, claramente, sim. Nenhum evento de grande alcance mundial, como é uma guerra ou uma pandemia, deixa de provocar inúmeras alterações. Uma das alterações mais importantes é esta nova realidade que veio para ficar, o balanço entre a vida pessoal e profissional, a casa escritório e o escritório casa. Associado a isto está também uma cada vez maior consciência ambiental, uma maior exigência no propósito que as marcas cumprem e o seu compromisso com a sociedade. Esta mudança trará muitas alterações nos comportamentos diários das pessoas enquanto consumidoras e isso fará com que as empresas procurem encontrar lugar nestas novas rotinas.

 

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