Entrevistas

Os criativos terão sempre Marte. E a Susana explica porquê

Refletir sobre o papel que as marcas e a criatividade ocupam num mundo em mudança, que vive entre a evasão e a imaginação, por um lado, e o pragmatismo e a humanidade, por outro, é o que se propõe o 27.º festival do Clube Criativos Portugal (CCP), que decorre até dia 7. A presidente do clube, Susana Albuquerque, entende que as marcas não se alhearam desta mudança, mas alerta que ela não pode ser apenas um briefing para as agências. Mais do que falar, há que ser e fazer.

segunda-feira, 04 julho 2022 11:58
Os criativos terão sempre Marte. E a Susana explica porquê

Briefing | Como surge o tema Teremos sempre Marte?  Há continuidade com o tema da edição anterior, Transformers?

Susana Albuquerque | Tínhamos este tema no ano passado. A incerteza da pandemia levou-nos até ele, mas acabámos por trocá-lo por outro, um tema que nos parecia mais urgente, os “Transformers”, porque refletia a transformação rápida que fomos obrigados a viver desde 2020. No ano passado, quisemos homenagear essa capacidade de adaptação que todos temos, como seres humanos e como criativos.

Quando procurámos o tema para 2022, este “Teremos sempre Marte” fez mais sentido do que nunca. A incerteza acentuou-se. Não chegaram os loucos anos 20 pós-pandemia, como imaginávamos. A Europa tem uma guerra à porta, algo que parecia impensável e com consequências imprevisíveis. Parece haver um espírito de evasão geral nas pessoas, com grandes investimentos a serem feitos para explorar novos planetas e para criar mundos digitais alternativos. Por outro lado, há uma consciência crescente de como é importante cuidar da vida no planeta, até para assegurar a sobrevivência dos humanos.

O tema do festival deste ano quer convidar-nos a pensar sobre essas duas vias, que parecem contraditórias, mas que existem em paralelo, talvez existam sempre. Sobre a evasão e a imaginação, mas também sobre o pragmatismo e o humanismo. E sobre o papel que as marcas e a criatividade ocupam nesta história.

Antecipando a reflexão proposta, os tempos convulsosem que vivemos vieram mudar o papel das marcas?

Uma marca forte tem um grande poder e, com ele, vem uma grande responsabilidade. Uma marca tem a capacidade de influenciar muita gente, de moldar comportamentos, e, por isso, ela tem um papel na sociedade. O mesmo acontece com a publicidade e com o design que lhe dão identidade.

As marcas mais valiosas, hoje, existem com um propósito maior do que apenas gerar lucro. Elas devem trazer algum valor positivo à sociedade, e não apenas dar dividendos ao acionista. As marcas atuam segundo um conjunto de valores, algumas delas podem e devem tomar posições, se a sua visão e os seus valores assim o pedirem e justificarem. Uma marca quer vender os seus produtos ou serviços, disso não há dúvida, mas ela também pode e deve contribuir para uma sociedade mais justa, mais inclusiva, mais humanista e mais respeitadora do planeta e dos recursos.

As marcas estão cientes da mudança e preparadas para a protagonizar e/ou liderar?

Muitas estão. Qual é marca que não fala de sustentabilidade, de neutralidade em carbono, de responsabilidade social, de impacto social e ambiental, do foco nas pessoas, no bem-estar, na igualdade de oportunidades, nesta existência com um propósito maior?

Mas, atenção que esta mudança não é sobre falar, é sobre ser e fazer. Isto não pode ser apenas um briefing para as agências. Quero acreditar que estamos a viver uma transformação profunda na sociedade e na economia, na forma como pensamos, produzimos e consumimos, e que essa mudança será ainda maior nos próximos anos.

E o papel da criatividade e da comunicação também ganha novos contornos? Em que medida?

É preciso fazer este percurso, é urgente encontrar estas novas formas de consumir, com mais inteligência e com mais consciência. É preciso reduzir o desperdício, as desigualdades e a injustiça. Mas, também é preciso comunicar estas mudanças com eficácia. É preciso mudar comportamentos e nós, comunicadores, podemos ser grandes aliados nesta mudança através da criatividade.

Também é preciso lutar contra o greenwashing. O cinismo talvez seja um dos maiores inimigos neste percurso.

Este festival é também uma reflexão sobre o papel da tecnologia?

Completamente. A tecnologia é uma ferramenta poderosa, para o bem e para o mal. Ela pode pôr-nos seis horas seguidas a ver Netflix ou a cuscar a vida dos outros numa rede social. Mas, também nos pode levar a Marte e inventar energias limpas.

 

Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

 

segunda-feira, 04 julho 2022 14:33

bt nl

2050.Briefing

O Outdoor Honesto

À Escolha do Consumidor

Edições Especiais

Assinatura Mensal
Edição MensalE-paper

Facebriefing