Entrevistas

“As Redes Sociais são um tubo de ensaio para o humor”

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Nuno Markl é a personificação do conceito ‘brand yourself’. O humorista soube tornar-se uma marca, usando como matéria-prima do seu trabalho a sua própria vida e utilizando as ferramentas sociais e a Internet como formas de galvanizar e fidelizar fãs. Com mais de 40 mil seguidores, entre Twitter e Facebook, vê as redes sociais com uma continuação do seu trabalho na rádio ou na televisão.
sexta-feira, 15 janeiro 2010 08:00



Briefing | Consideras-te uma marca?
Nuno Markl |
Tento olhar para mim como um ser humano porque vivo muitas horas comigo próprio. E quando se vive muitas horas connosco próprios fazemos uma série de coisas que uma marca não faz: ir à casa de banho, comer porcarias… Mas reconheço que há uma marca em mim a começar pelo facto de um dos meus projectos recentes chamar-se “Há vida em Markl”.

Briefing | Sendo uma marca, quais seriam os teus valores enquanto marca?
Nuno Markl |
Há pessoas que se revêem nos defeitos e nos pequenos desastres do quotidiano que compõem a minha comédia e há pessoas que não se revêem, mas que olham para mim como uma espécie de saco de pancada: “Vamos lá ver o que aconteceu àquele palhaço hoje”. A minha marca é isso: defeitos, desconforto, dificuldade em estar inserido na sociedade, mas ao mesmo tempo, uma certa libertação em assumir esse lado desastrado que eu acho que, de certa forma, todos nós acabamos por ter.

Briefing | As ferramentas sociais são uma ajudam a fazer humor?
NM |
O Twitter ou o Facebook podem ser um tubo de ensaio de humor e muitos humoristas estão a usá-lo dessa maneira. Por exemplo, entrei aqui no Tivoli, não é um sítio onde venha muitas vezes, e senti-me impelido a mandar uma mensagem para o Twitter e para o Facebook, dizendo “Estou no Hotel Tivoli prestes a dar uma entrevista ao Briefing e constato que não trouxe roupa que condiga com a mobília e com o cenário que me rodeia”. Este é um pequeno desconforto que, eventualmente, poderá dar azo a qualquer coisa mais extensa. O Twitter e o Facebook permitem criar comédia com um poder de síntese tremendo e o poder de síntese é muito amigo da comédia. Permite-nos ir ao sítio onde queremos e não ter a palha que por vezes num blogue somos tentados a pôr. Nesse sentido, as redes sociais são um prolongamento da experiência de humor. As pessoas que gostam daquilo que eu faço sabem que me podem ouvir na rádio e, eventualmente, durante o resto do dia poderão encontrar pequenos grãos do desconforto e do caos em que, por vezes, a minha vida cai, se forem ao meu Twitter ou ao meu Facebook.

Briefing | As redes sociais potenciam o teu trabalho nos media tradicionais?
NM |
Na Rádio Comercial, tenho uma rubrica chamada Caderneta de Cromos. Sendo esta rubrica uma espécie de enciclopédia de todas as coisas que nos entusiasmavam quando éramos pequenos, achei interessante criar uma comunidade e não há melhor maneira de o fazer do que utilizando o Facebook. Abri uma página de fãs da Caderneta de Cromos no Facebook uns dias antes da rubrica começar. Depois, dentro das minhas próprias redes, uso umas para publicitar as outras. Pus no twitter a informação de que tinha aberto uma página da Caderneta deCcromos, na minha página em nome próprio no Facebook também fiz, uma ligação a essa página e no meu blogue também. Abri aquilo num Domingo por volta das 11h00 da manhã. Nesse mesmo Domingo a meio da tarde, já estavam duzentas pessoas activamente a mostrar coisas da sua infância e da sua juventude. Portanto, quando a rubrica começou já havia uma base de fãs muito entusiasmada no Facebook e que foi crescendo e que continua a crescer. Agora já está nas sete mil e tal pessoas.

Briefing |A presença on-line e nas redes sociais é um prolongamento do trabalho?
NM |
Comecei por fazer um blogue muito tosco e muito rudimentar numa coisa chamada Text America em 2003. A partir daí o blogue foi crescendo e foi movimentando muita gente que gostava de me ouvir. Na altura também estava a começar na Antena 3 a fazer a minha rubrica “Há vida em Markl”. Com a ligação às Produções Fictícias e ao Sapo, o blogue tosco tornou-se profissional. De facto, é mais trabalho. O blogue, o Twitter e o Facebook são um prolongamento do trabalho.

Briefing| Nas redes sociais, onde é que termina o lazer e começa o trabalho?
NM |
Diverte-me estar a escrever algumas coisas no Twitter e no Facebook, mas é obvio que também é trabalho. É a tal extensão daquilo que eu faço na rádio ou daquilo que eu escrevo para televisão. Dá-me muito gozo, quando estamos a gravar um episódio dos “Contemporâneos”, mandar vídeos e fotos sobre o making of daquilo. Fazer uma espécie de making of improvisado, mas eu compreendo que ao mesmo tempo aquilo também é trabalho. Não há nenhuma ilusão romântica de que aquilo é só pelo divertimento. As redes sociais estão na fina linha entre o trabalho e o lazer.

Briefing | Quantos seguidores tens?
NM |
No Twitter, tenho 20 mil e tal seguidores. No Facebook, 12 mil. Na página da “Caderneta de Cromos”, 7 mil e não sei quantas. É muita gente.

Leia o resto da entrevista a Nuno Markl na edição impressa do Briefing, que hoje chega aos assinantes.


Fonte: Briefing

domingo, 13 fevereiro 2011 12:14

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