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APAN: devemos passar de “homo economis” a "homo vulnerabilis”

APAN: devemos passar de “homo economis” a homo “vulnerabilis”
John Dalla Costa marcou presença na conferência organizada pela APAN, cuja temática se prendeu com o desenvolvimento sustentável em Portugal. O fundador do Centre for Ethical Orientation debruçou-se sobre a tema da corporate social responsibility (CSR), realçando o facto de estarmos a entrar num período pelo qual já tínhamos passado anteriormente.

quarta, 08 fevereiro 2012 10:05

Dalla Costa traçou, por isso, o paralelismo de como era viver em corporate social responsibility antes de 2008 e como se vive agora. Se no pré 2008 se se concentrava sobre a reputação corporativa, agora o enfoque recai sobre a reforma do capitalismo, no sentido em que é de conhecimento de todos que o sistema não está a funcionar, necessitando de novas reformas. Dantes, o interesse estava em melhorar os direitos dos acionistas, ao passo que agora se protege, antes, os direitos humanos - como o trabalho que, segundo Dalla Costa, "é como o oxigénio". No pós 2008, existe uma maior preocupação com a reconfiguração ética, ao passo que no pré havia uma implementação estratégica de ética. Nessa mesma altura havia como que uma conformidade, ao passo que agora as relações de corporate social responsibility baseiam-se numa forma de "compromisso", sendo esta a base da relação de negociação –podemos fazer algo novo juntos.

Neste sentido, conclui-se que a confiança reforça a corporate social responsibility e o desempenho dos negócios nas empresas. Mas para que essa confiança exista na realidade há que ter em conta três importantes "degraus": o prático, no sentido em que a confiança só se ganha quando praticada; o recíproco, onde encontramos os direitos e obrigações que temos, os quais partem da capacidade de aceitar os outros; e o moral, onde podemos encontrar as nossas ideias e considerar os impactos ambientais.

John Dalla Costa fez um breve retrato do Portugal atual, referindo que os portugueses têm uma "baixa e volátil" confiança nas empresas. Como opção, temos o poder continuar com o típico negócio, recuperar passando por uma dor a curto prazo ou adaptarmo-nos à "nova normalidade".

É por isso que Dalla Costa defende que a estrutura do sistema deve mudar, sendo necessário desenvolverem-se mais projetos em conjunto e chegar a um consenso, no qual todos devemos participar. Em suma, o que devemos fazer é deixar de ser o "homo economis"  - que se baseia na utilidade, é racional e competitivo, com interesse pessoal, apenas produz utilidade e baseia-se em factos – para passarmos a ser o "homo vulnerabilis" – que tem dignidade, é relacional e compassivo, partilha interesse, escolhe a complexidade e relaciona-se "cara a cara".

Catarina Caldeira Baguinho
Fonte: Briefing

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