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O futuro está aí. Palavra de Frederico

"Se 2016 nos ensinou algo foi que sondagens e estudos de pouco servem quando postos à prova do poder das massas e da imprevisibilidade do ser humano". Começa assim a análise de Frederico Roberto, associate creative director da VML London, para quem, contrariamente ao descrédito dos estudos de mercado o digital é "relativamente previsível". Com esta convicção, dá pistas para um futuro que "finalmente" está aí.

quinta, 22 dezembro 2016 13:20
O futuro está aí. Palavra de Frederico

"Trump e Brexit não trouxeram apenas um clima de instabilidade mundial. Representam o descrédito de estudos de mercado e o quão desligadas as grandes cidades estão da outra metade da população, rural, interior e que, em última análise, também consome, também compra, também contribui para o sucesso de empresas e marcas", explica o associate creative director da VML London.

Mas, continua, "o que o mundo do digital tem de bom é que consegue ser relativamente previsível. Na maior parte das vezes as 'novas' tecnologias são apenas um upgrade, um novo nome ou um renovado fulgor". Por isso, Frederico acredita que 2017 vai ser o ano "em que iremos ser como um elástico de uma fisga, puxados atrás ao máximo – revisitando o que tem sido desenvolvido no passado recente e funcionado melhor – para então sermos disparados a toda a velocidade para o futuro. Futuro esse que começa já".

Assim, aponta: "UI Conversacional – podcasts e streaming de música estão estabelecidos e não irão a lado nenhum. Comandos de voz para controlar vários dispositivos móveis terão, sim, a grande explosão. Google DeepMind, Siri, Amazon Alexa e outras tecnologias de Inteligência Artificial tiveram um boost brutal em 2016 e nos próximos 12 meses veremos a sua utilização e área de influência estenderem-se para as apps e owned channels. Escrever dá muito trabalho. Falar é muito mais orgânico e humano – passe-se o pleonasmo – e marcas e serviços irão começar a olhar para voice search, o que definitivamente irá alterar SEO, paid advertising e CRM. Surpresos? Bem...55% dos Millennials nos EUA já usam voice commands no seu dia-a-dia e o Baidu cresceu 300% nos últimos 18 meses".

"Gamification 2.0 – 2010 viu nascer o Farmville. E com ele, todos os marketeers quiserem gamificar as suas ações de marketing. Credo, ainda hoje, alguns continuam a tentar fazê-lo. Nada de novo aqui. Foi apenas um novo método programático de fidelização social. Mas o que fazia, na verdade, era prender as pessoas a um computador ou plataforma não muito móvel. Mas depois veio o Pokémon Go. E tudo mudou. Realidade Virtual e Realidade Aumentada tiveram grandes updates em 2016. Juntamente com reconhecimento espacial e tecnologias de mapping (quer interior e exterior), o foco dos gigantes Facebook e Google está agora nos seus produtos de VR e AR e no desenvolvimento contínuo de jogos instantâneos quer no Messenger quer no Daydream, respetivamente. Juntemos a força e investimento de outros gigantes de retalho (online e offline) e teremos finalmente a escala necessária para que tenhamos experiências verdadeiramente interativas e "aumentadas" onde quer que estejamos".

"A influência chinesa – duas grandes coisas a destacar. O WeChat e o Alibaba. O WeChat está muito mais à frente do que qualquer outra plataforma social em todo o mundo, na medida que toda e qualquer interação empresas-individuo ou até governo-cidadão acontece no WeChat. É CRM, é Social, é Sistema de Pontuação e Fidelização, é online shopping. É tudo num único sítio. O Facebook Messenger vai no mesmo caminho mas já assim que está uns 18 meses atrás. Mas 2017 vai dar um leapfrog. E o monstro Alibaba. Como comparação, o Alibaba fez 18 mil milhões de euros no Singles Day (11 de novembro). Isto é, em 24 horas. A Amazon registou 35 mil milhões em vendas...em 3 meses. Não só o modelo do Alibaba está aí, prontinho a ser copiado, como o próprio modelo do Singles Day espera-se que tenha maior impacto e presença em 2017".

"De volta aos browsers – Ninguém faz download de apps. Ou melhor de branded apps. Temos pouquíssimas nos nossos telemóveis e as que temos são maioritariamente de serviços (luz, operadora móvel, etc.). Por isso temos de parar de propor apps. Webapps utilizando por exemplo a tecnologia Google Progressive conseguem ser uma solução muito mais interessante do que gastar rios de dinheiro na construção de uma app de raiz. Mais vale utilizar outros owned channels para distribuir o conteúdo e as informações necessárias. Basta ler o primeiro ponto deste texto de novo. E na dúvida, nunca esquecer: pelo menos que seja mobile responsive".

Em suma, conclui que "quanto mais tecnologia existe, mais ela deve ser invisível, passiva, adaptada aos seres humanos e não ao contrário". "É muito caro (e ineficiente) impor uma nova tecnologia no mercado. Compensa muito mais, como sempre, ir ter onde as pessoas estão e aí sim ser disruptivo e interessante".

Se todos pensarem assim, afirma, 2017 vai ser um ano em que "a inovação será alimentada diariamente, naturalmente. E o futuro vai chegar tão rápido que nem vamos dar por ele".

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