Marketing

O Euro foi adiado. O que dizem os patrocinadores nacionais?

Ajustes na estratégia de comunicação, mas manutenção do apoio à Seleção Nacional de Futebol. É esta a resposta do Continente, da Galp e da Hertz ao adiamento do Euro 2020, uma notícia que receberam sem surpresas, tal como a Altice e a Sagres, que consideram que a prioridade é o momento atual, de pandemia.

quarta-feira, 01 abril 2020 11:25
O Euro foi adiado. O que dizem os patrocinadores nacionais?

 

Pelo Continente, o diretor de Marketing da Sonae MC, Tiago Simões, começa por dizer que a notícia, apesar de recebida com tristeza, fruto da situação de crise atual e de todo o constrangimento associado, já era expectável.  A marca, aliás, também cancelou eventos que tinha previsto, como a 5ª Conferência Portugal Saudável e o Festival À Roda da Alimentação, e “foi a melhor decisão”.

Agora, a campanha de comunicação terá de ser revista. Mas Tiago Simões prefere destacar a associação da marca “a um símbolo nacional como a Seleção Nacional, que já dura há mais de 10 anos”: “um símbolo de portugalidade, união, tolerância e de família, perfeitamente alinhado com o posicionamento da marca Continente que, há 35 anos, acompanha os portugueses e que nunca fez tanto sentido como agora”.  Por isso, assegura que vai continuar a democratizar o acesso a experiências como fazer parte de um estádio cheio a apoiar a equipa e as famílias portuguesas.

O ajuste da estratégia pode envolver o orçamento: “Vamos ter de rever a nossa estratégia para perceber o que faz sentido manter e o que devemos alterar em termos de investimento”, afirma, ressalvando, embora, que a essência do evento se mantém e que, por isso, a missão de apoio à seleção e a “oferta de experiências diferenciadoras” aos clientes “continuará a fazer todo o sentido”.

Também a Galp recebeu sem surpresa a notícia do adiamento. E também ela vai ajustar a estratégia. A diretora de Marketing e Comunicação, Joana Garoupa, afirma que a marca, que leva mais de 20 anos de patrocínio à seleção, está alinhada com a Federação Portuguesa de Futebol: “A decisão de adiar o Euro 2020 revela sentido de responsabilidade e consciência do que é prioritário neste momento”, diz, citando o presidente da FPF, Fernando Gomes.

O primeiro impacto foi a suspensão de projetos que já estava em curso e que iriam ser lançados a partir de maio. Mas Joana Garoupa salienta que as prioridades agora são outras, com parte do investimento alocado ao patrocínio a ser redirecionada para iniciativas de apoio à comunidade. Entre elas a oferta de 29 ventiladores ao SNS; o apoio ao INEM, para as ambulâncias e viaturas de recolha de amostras para análises de diagnóstico, mediante a oferta de combustível; um pacote de apoio energético a mais de 500 IPSS, que lhes permitirá não pagar um mês de eletricidade; a  cedência de meios (outdoor e digital) para uma campanha de sensibilização à escala nacional pela DGS; a parceria de mobilidade do Banco de Emergência Alimentar e da Comunidade Vida e Paz; e o apoio a Unidos Por Portugal, dinamizado pela SIC Esperança.

“A Galp continuará a monitorizar em detalhe a evolução da situação e a desenvolver todos os esforços para ajudar Portugal e os portugueses. Quando dissemos, em 2018, que levávamos Portugal a Peito assumimos sempre que esse não era um slogan vazio – os portugueses sabem que podem contar com a Galp, sobretudo nos momentos mais complicados”, sustenta.

E no que respeita ao patrocínio, o investimento alocado a campanhas de apoio à seleção para o Euro 2021 será redefinido nos orçamentos para o próximo ano e atenderá ao contexto social e económico que se viver no rescaldo da pandemia. A comunicação será também ela reavaliada, mas, segundo Joana Garoupa, não deixará de refletir os valores que sempre nortearam a associação da Galp à seleção: “O orgulho pela nossa História, a exaltação do potencial dos portugueses e a nossa capacidade de união e superação perante as dificuldades. Acreditamos que essas mensagens serão ainda mais pertinentes depois de ultrapassarmos a fase difícil e exigente que hoje estamos a viver”.

Tal como as demais marcas, também a Sagres estava a preparar, “e já de forma muito adiantada”, a sua campanha de apoio aos ainda campeões da Europa. Mas, como refere o diretor de Comunicação e Relações Institucionais da Sociedade Central de Cervejas e Bebidas, Nuno Pinto de Magalhães, “a presente situação de emergência que o Mundo vive levou a que o Campeonato da Europa fosse adiado, tal como foram todos os outros eventos, quer privados, quer públicos”. “A proteção, a segurança e a saúde dos cidadãos é, neste momento, a prioridade de todos, pelo que compreendemos a sensatez da decisão do adiamento.  Preparemo-nos para o pós-crise, que, certamente, será um mundo diferente”, comenta.

É nesta linha que se enquadra o comentário da Altice Portugal, que saúda a decisão da UEFA de adiar o Euro 2020 e considera que, face ao cenário atual da saúde pública e ao impacto da pandemia COVID-19 em Portugal e no Mundo, “ esta decisão é a mais adequada e prudente para garantir a segurança e bem-estar de todos os jogadores, selecionadores, equipas de arbitragem, equipas técnicas, staff e adeptos”. “Todos temos a responsabilidade de, enquanto cidadãos, empresas e organismos, contribuir para os esforços de contenção desta epidemia”, sustenta.

No mesmo depoimento, a marca reafirma o “enorme orgulho e satisfação” em ser patrocinador oficial da Federação Portuguesa de Futebol, mantendo-se “ao lado da Seleção Nacional, em qualquer prova, em qualquer torneio, em qualquer competição de grande prestígio e que eleve o nome de Portugal além-fronteiras, como o fará no atual momento”.

Na Hertz Portugal, que patrocina a Federação, o adiamento foi também recebido com naturalidade, face à situação extraordinária que se vive, que – nas palavras do CEO, Duarte Guedes – “exige que forças maiores, como a saúde e segurança de todos, sejam uma prioridade”.

Mas o impacto na estratégia é óbvio: “Sendo que o nosso negócio é o aluguer de automóveis, temos uma forte exposição no setor do Turismo, que travou de forma drástica e repentina. Deste modo, para que possamos tomar todas as decisões de forma acautelada, estamos a reacomodar grande parte dos nossos investimentos”.

“Não obstante, não existiu qualquer impacto na excelente relação estabelecida com o nosso parceiro, que nos acompanha em qualquer desafio”, ressalva.  “Nesse sentido, independentemente de todas as alterações feitas ao calendário de ações e eventos importantes, como partilhamos o mesmo ADN da FPF, o nosso foco conjunto nos últimos dias é analisar outras formas de apoio, especialmente adequadas à pandemia atual”, acrescenta.

Do ponto de vista da comunicação, diz Duarte Guedes que, tal em qualquer outra ocasião, deve acompanhar tendências e situações atuais. “Deparámo-nos com uma situação inesperada que nos fez reajustar ações em plano e inserir novas. Todas estas novas ações serão divulgadas futuramente, no devido momento e com toda a tranquilidade, quando a segurança e saúde de todos não estiverem em risco”, conclui.

Recorde-se que a identidade visual do Euro 2020 foi criada em Portugal, pela então Y&R Branding, hoje VMLY&R Branding. 

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