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O teletrabalho chegou para ficar. E a Carla antecipa as mudanças

Trabalhar em casa está a tornar-se o novo normal e chegou para ficar. A convicção é da CEO da Adecco em Portugal, Carla Rebelo, que antecipa uma “infinidade de alterações no local de trabalho”, desde a equipa à produtividade, passando pela colaboração e comunicação. Entende que, num mundo pós-pandemia, os líderes terão de aprender a liderar remotamente, em vez de centralizar. E propõe a reflexão: quão bem estávamos a aproveitar a tecnologia virtual antes do coronavírus?

quinta-feira, 09 abril 2020 12:38
O teletrabalho chegou para ficar. E a Carla antecipa as mudanças

 

Briefing | De que modo está o Coronavírus a impactar nos recursos humanos?

Carla Rebelo | A pandemia que assola o mundo, e está a impactar quer a nível social como a nível económico, trouxe-nos novas formas de estar em sociedade, e de trabalhar. Portugal não é exceção e seguindo o que se passa na maioria de países, o Estado de Emergência e o isolamento obriga-nos a adaptações.

Os maiores impactos a nível de Recursos Humanos, e que simultaneamente são os maiores desafios, prendem-se com três eixos:

1 - Recrutamento: garantir que os candidatos continuam a ter oportunidades de trabalho, e que a parte necessária de entrevistas, testes e receção sejam fluídas ainda que através de recursos digitais e de conversação à distância;

2 - Suporte de equipas, manutenção de contratos, de gestão de talentos e motivação de equipas, garantindo o suporte que as empresas devem prestar

3 - Implementação de teletrabalho e os desafios daí inerentes tais como: garantir as condições técnicas de trabalho e de segurança, as ferramentas que permitirão a coordenação e o trabalho em equipa fluído ainda que não presencial; manter a continua avaliação e reconhecimento do trabalho das equipas, tão necessária para a continua motivação e o alcance de resultados; o equilíbrio entre vida pessoal e profissional, num momento particularmente difícil.

- Está a registar-se uma quebra significativa em termos de procura de novos profissionais? Que profissões registaram um aumento na procura e quais as que estão a sentir maior quebra?

A procura de profissionais em algumas áreas reduziu, sem dúvida, mas mais do que a redução no recrutamento sentimos um desvio da procura para outras profissões que já tinham procura, mas a mesma aumentou exponencialmente, como profissões ligadas aos setores de retalho e distribuição, agricultura, transportes e saúde.

- Em que medida está o teletrabalho a aumentar?

O teletrabalho é hoje uma necessidade e uma realidade. Mais do que dizer que aumentou, podemos dizer que é a forma de trabalhar de todos os que não têm uma função prática no terreno. O Estado de Emergência a isso obriga, a situação económica e a expectável recessão e crise económica levam a essa premência de empresas e colaboradores. Nunca o teletrabalho foi tão usado, tão necessário e tão “obrigatório”.

- Quais os principais desafios das empresas ao fazer a transição para trabalho remoto?

Os principais desafios são inerentes a equipamentos, a condições de segurança e salubridade e familiares.

A nível de equipamentos há que considerar que é necessário cumprir os requisitos de: 1º ter todos os equipamentos, o hardware necessário, disponíveis, 2º devidamente configurados a nível de software, acessos de VPN e antivírus e 3º prontos a funcionar o que significa fazê-los chegar a todos os funcionários, quando localizados de Norte a Sul do País e verificando as suas conexões internet.

A nível de segurança, é preciso garantir que é feito chegar o manual de recomendação e normas de teletrabalho da empresa aos colaboradores, para garantir a segurança de documentação oficial e confidencial da empresa e o bom desempenho em boas condições, por exemplo.

A nível de salubridade e familiares, há que garantir que existe uma flexibilidade de parte a parte, para potenciar que neste momento difícil a nível emocional, em que muitos trabalhadores estão em teletrabalho mas também são cuidadores das suas famílias e das suas crianças, que estão sem aulas, possam encontrar o equilíbrio entre vida familiar e vida profissional.

- Que recomendações dá a quem está a trabalhar a partir de casa?

Damos recomendações de dois níveis, essencialmente. Para quem precisa de fazer videoconferências com frequência, seguir um guia de dicas úteis para que as mesmas se realizem com o menor nível de disrupção possível, entre as quais, encontrar um espaço no seu lar onde possa trabalhar com conforto e concentração, garantir que o software necessário está instalado e atualizado, e os sistemas de segurança cibernética recomendados estão ativos, usar as ferramentas de trabalho com rigor usando o botão de mute das chamadas para garantir maior conforto para todos os participantes e eliminando as quebras desligando a câmara mantendo apenas a voz. De igual forma, recomendamos atualizar sempre estado caso precise de fazer pausas, vestir-se adequadamente, colocar-se num local com luz natural ou com boa iluminação ainda que artificial e tentar cumprir horários de trabalho o mais possível e as rotinas.

- Acredita que quando a pandemia passar haverá mais trabalhadores em teletrabalho e maior flexibilidade laboral?

Enquanto as empresas se esforçam para manter a continuidade, "trabalhar em casa" está a tornar-se o novo normal, e acreditamos que o trabalho remoto chegou para ficar. Isso levará a uma infinidade de alterações no local de trabalho, afetando o trabalho em equipa, a produtividade, a colaboração e a comunicação, o que nos forçará a fazer algumas perguntas sobre o quão bem estávamos a aproveitar a tecnologia virtual antes do ataque do coronavírus.

Algumas pesquisas também demonstram que trabalhar virtualmente pode gerar melhorias de produtividade de até 43%, mas isso deve ser feito de maneira eficaz. Portanto, este é o momento de capacitar os colaboradores para operar com mais eficiência num mundo mais virtual e alinhado às tendências do setor mencionadas anteriormente. Já estamos na era da revolução do reskilling e a pandemia apenas acelerará a necessidade de atualizar as competências digitais da nossa força de trabalho, em preparação para uma grande mudança na forma como as empresas operam.

Os gestores precisam de concordar com as novas regras de relacionamento entre os membros da equipa para integrar rotinas e rituais que suportam ligação, colaboração, produtividade e bem-estar, como reuniões virtuais diárias e check-ins mais frequentes.

Em conjunto com a competência digital e a infraestrutura aprimorada, a cultura corporativa em direção ao trabalho remoto também deve evoluir para apoiar essa prática. Deve ser modelado e reforçado a partir do topo para garantir que não haja medo de reação em níveis mais baixos.

- Que outras consequências crê que a pandemia trará a médio prazo em termos de formas de trabalhar?

Acreditamos que uma das consequências será a evolução das competências de liderança. A coragem de qualquer líder é verdadeiramente testada numa crise. E este é um desafio raro.

Já sabemos há algum tempo que há uma evolução das competências de liderança em curso, à medida que transformação e interrupção se tornam o novo normal. Mas a pandemia está agora a ampliar a necessidade de um novo conjunto de competências e capacidades de liderança. Porquê? Porque na era pós-pandémica, trabalharemos de uma maneira totalmente diferente. Antes da pandemia, a maioria das empresas tinha trabalhadores sob o mesmo teto - ou no caso de multinacionais - sob vários telhados grandes. No mundo pós-pandemia, onde o trabalho remoto se torna o novo normal, os líderes precisam de aprender a liderar remotamente, em vez de centralizar.

As formas de trabalhar das empresas terão de ser resultantes de uma cultura forte; valores profundamente arraigados; excelentes capacidades de comunicação; e recursos, sistemas e processos abrangentes de geração de relatórios. E no lado das competências pessoais, os líderes que conseguirão conduzir as suas organizações pela mudança que aí vem, são aqueles que são ágeis, orientados para o exterior, com uma mentalidade disruptiva e que possuem habilidades de construção de relacionamentos que podem criar inclusão em diversas equipas e geografias.

Outra das consequências acreditamos ser a necessidade de um novo contrato social. A mudança no mercado de trabalho aumentou o número de trabalhadores flexíveis, mas a pandemia expôs a vulnerabilidade desses trabalhadores numa crise.

É encorajador ver alguns governos a aplicar subsídios por doença a trabalhadores independentes por exemplo, assim como empresas que estão a estender a proteção aos seus funcionários freelancers ou temporários. No entanto, essas medidas de emergência destacam algo que defendemos há algum tempo: precisamos de um novo contrato social para garantir que todos os trabalhadores, particularmente aqueles em diversas formas de trabalho, tenham a rede de segurança social de que precisam.

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