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#ProvamosEAprovamos o J, o “alentejano extraordinário” de José de Sousa

Chamam-lhe o “alentejano extraordinário” porque apenas é produzido em anos também eles extraordinários: o que explica que sejam escassas as edições desde a primeira, em 2007. Falamos do J de José de Sousa, o vinho premium da Adega José de Sousa, em Reguengos de Monsaraz. Que (a)provámos.

 

sexta-feira, 01 outubro 2021 12:04
#ProvamosEAprovamos o J, o “alentejano extraordinário” de José de Sousa

É Domingos Soares Franco, o enólogo da José Maria da Fonseca, quem explica o porquê da excecionalidade. O J nasceu de um momento longe da adega: “Um aroma subtil e uma luz de sol extraordinária fizeram com que me inspirasse”.

 

Para a inspiração contribuíram também as vinhas velhas da Herdade do Monte da Ribeira, as quais remontam a 1952. É delas que saem as castas que encorpam o J, a principal das quais a Grand Noir. “Quis fazer um vinho muito suave e, sobretudo, com elegância”. Daí também a opção por menos madeira, ou melhor, por menos tempo de madeira e, acima de tudo, por madeira melhor, pelo que este topo de gama só estagia em carvalho francês. É que Domingos entende que “a madeira é só o suporte para o vinho”, não pode abafar os seus aromas.

 

#ProvamosEAprovamos o J, o “alentejano extraordinário” de José de Sousa

 

Um dos seus objetivos é diminuir o teor alcoólico, fazendo-o descer dos 14o, mas diz que as alterações climatéricas não facilitam. Alcançado está, porém, o propósito de fazer vinhos com longevidade, que não percam as suas características no horizonte de 10, 15 ou 20 anos após o engarrafamento. É, aliás, o que promete o J, nomeadamente este da colheita de 2017. “Para atingir isso é como um chef de cozinha, que sabe o que quer e tem de ir buscar a matéria-prima, a nossa vem da vinha velha.”

 

Grand Noir é a casta principal deste vinho de talha, mas tem a companhia da Touriga Nacional e da Touriga Francesa – é mais conhecida por Touriga Franca, mas Domingos Soares Franco trava uma “batalha” em prol da designação “Francesa”. Nascido de terrenos graníticos, exibe uma cor rubi, aroma a goiabada, passas de ameixa preta e chocolate negro, com um paladar muito persistente de taninos subtis mas presentes. Apresenta-se como um vinho de personalidade vincada, chegando ao mercado em 3400 garrafas.

 

Este é o topo de gama dos vinhos que a José Maria da Fonseca produz na Herdade do Monte da da Ribeira, em Reguengos de Monsaraz, desde que em 1986 comprou a Adega José de Sousa. A história é contada pelo presidente da empresa, António Soares Franco, enquanto degustamos as novidades (no mesmo evento, foi apresentado o José de Sousa Reserva 2017). Recorda que, após a venda da marca Lancers, se decidiu a ir para o Alentejo, tendo começado por negociar uma herdade em Portalegre. Mas, um telefonema fê-lo descer geograficamente e optar por Reguengos: Almeida e Santos, proprietário da José de Sousa, queria vender – já não se sentia com idade para se manter à frente do negócio e o único filho não tinha interesse em seguir-lhe as pisadas.  

 

“Não pensei duas vezes. O projeto já tinha nome, era, aliás, um dos cinco vinhos históricos do Alentejo”, comenta. Estava, porém, em decadência e a vinha muito maltratada. Isso não o demoveu de assumir esta adega tradicional, em que 100% do vinho era de talha.

 

#ProvamosEAprovamos o J, o “alentejano extraordinário” de José de Sousa

 

É aqui que entra o irmão: Domingos Soares Franco nunca tinha feito vinho de talha, mas chamou os adegueiros mais antigos e experimentou. Os primeiros anos foram a aprender esta arte, de tal modo que António não tem dúvidas em afirmar: “Somos os guardiães da talha”. A primeira colheita aconteceu em 1987, e, desde então, a estratégia tem sido de segmentação de mercado “olhando para as uvas que saiam dos 70 hectares do Monte da Ribeira”. A entrada de gama é o Montado, seguindo-se o Monte da Ribeira, o José de Sousa, o José de Sousa Reserva, o José de Sousa Mayor e, finalmente, o J.

 

Os puros talha foram lançados há três ou quatro anos – são a continuação de uma tradição iniciadas pelos romanos há 2000 anos, com a adega a possuir 114 ânforas de barro onde acontece o ancestral método de fermentação.

 

#ProvamosEAprovamos o J, o “alentejano extraordinário” de José de Sousa

 

Ainda sobre o J diz o presidente da empresa: “Batalhámos dez anos, até que, de repente, saiu um vinho extraordinário”.  O enólogo acrescenta: “Só vai aparecer de vez em quando”. Promete, no entanto, que haverá uma edição de 2021, que é um “desses anos”. Ficamos à espera!

 

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