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Um vinho que estagiou no mar? É Anfíbio e nós #ProvamosEAprovamos

Apresenta-se como o primeiro vinho da região de Lisboa envelhecido no fundo do mar. É o Anfíbio e resulta da estratégia de diferenciação da Quinta da Casaboa. Ou não fosse o mote deste produtor “vinhos positivamente inesperados”.

sexta-feira, 19 novembro 2021 12:02
Um vinho que estagiou no mar? É Anfíbio e nós #ProvamosEAprovamos

Localizada em Runa, na zona de Torres Vedras, esta propriedade do século XVII está nas mãos da mesma família desde que, em 1958, foi adquirida por João Ferreira dos Santos. É a neta e atual CEO, Joana Paes, que explica o mote: “A Quinta da Casaboa tem vindo a posicionar-se no mercado como produtor de vinhos inesperados. E foi nesse sentido, numa tentativa de encontrar caminhos para continuar a surpreender o consumidor, que nos surgiu esta ideia de estagiar no mar.”

 

Um vinho que estagiou no fundo do mar? É Anfíbio e nós #ProvamosEAprovamos

Cabe ao marido e parceiro neste projeto, Pedro Pessanha, continuar a contar a história: “Esta ideia é fruto de duas paixões, da paixão que a Joana tem pelo vinho e da paixão que eu tenho pelo mar, pois faço mergulho com garrafa. No lugar onde passamos férias, uma vila piscatória no litoral alentejano, há um centro de mergulho. E qual não foi o meu espanto quando percebi que o dono do centro já se dedicava a colocar algumas garrafas de vinho no fundo do mar. E qual não foi o espanto dele quando percebeu que eu era casado com uma produtora de vinhos.”

Este encontro fez germinar a ideia de envelhecer vinho no mar. Estava-se em 2018. Pedro admite algum ceticismo inicial sobre a viabilidade do projeto. Foi – já dizia Fernando Pessoa numa frase que ficou célebre – algo como “primeiro estranha-se, depois entranha-se”. “Levámos algum tempo a amadurecer a ideia, mas, mais tarde, concluímos que não tínhamos nada a perder e que era altura de nos lançarmos nesta aventura”, recorda. E, assim, em 2019, as primeiras garrafas desceram às águas do Atlântico.

Pedro conta outra história, bem mais antiga. Propõe que se recue alguns séculos para recordar que as rotas comerciais se faziam, sobretudo, por via marítima e que era assim que o vinho viajava. Muitas pipas e ânforas se perdiam por força das intempéries, sendo que algumas foram recuperadas e, depois de dadas a provar, mostraram resultados surpreendentemente muito favoráveis.

Há ainda que ter em conta que a Quinta da Casaboa e os demais produtores da região de Lisboa já sofrem naturalmente da influência atlântica. “Quer queiramos, quer não, o mar já está no vinho”, comenta.

E neste Anfíbio nota-se bem. Mas já lá vamos. Voltando a 2019, o ano que colocaram as primeiras garrafas no fundo, foram várias as experiências até se apurar a “receita” final: alguns lotes desceram a 10 metros de profundidade, outros a 20; houve garrafas retiradas ao fim de três meses, outras ao fim de seis e outras ainda ao fim de oito.

Foi preciso acautelar alguns pontos: o gargalo foi vedado com lacre, para proteger a rolha da pressão própria da profundidade; as garrafas foram acondicionadas em caixas, mas com um reforço de segurança, para não tilintarem e não se partirem na descida; e todos os meses foram feitos mergulhos de verificação.

O veredito do painel de provadores ditou que o Anfíbio que agora chega ao mercado fosse o que estagiou oito meses a 10 metros de profundidade. A colheita é de 2017 e um blend de touriga nacional, tinta roriz e alicante bouchet. E, antes do mar, estagiou quatro meses em barrica.

A garrafa não deixa dúvidas de que esteve no fundo do mar, tal a vida marinha que se cola ao vidro. Ao ponto de não ser possível colocar rótulo, com o vinho a ser acompanhado de uma gargantilha com o logótipo e a assinatura “o vinho cresceu e fez-se ao mar”.

 

Um vinho que estagiou no fundo do mar? É Anfíbio e nós #ProvamosEAprovamos

 

O nome, Anfíbio, resultou de um brainstorming familiar, entre o casal e as duas filhas. Ficou assim por analogia entre o ciclo deste vinho (da terra ao mar) e os animais que são, em simultâneo, terrestres e aquático.  

Pedro destaca que o fundo do mar funciona quase como uma máquina do tempo, que ajuda a envelhecer o vinho. Na prática, um ano chega a corresponder a cerca de três anos em terra, o que lhe confere “um aroma infinito, sem horizonte”.

Quando se prova, sente-se uma frescura invulgar em tintos – afinal, é potenciada pelo estágio marítimo. Sente-se igualmente alguma salinidade e a presença do iodo, no nariz do vinho e na boca, o que, mais uma vez, tem explicação no processo de envelhecimento. Tudo isto faz com que seja ideal para acompanhar peixe e carne grelhados, massa, risotto ou sushi, queijos suaves.

Há, porém, uma “má” notícia: saíram apenas 250 garrafas, colocadas no mercado como um produto premium. Mas há igualmente uma boa notícia: é que a colheita de 2019 já está mergulhada e a quantidade duplicou.

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