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Verde é o novo Preto

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O que significa a palavra sustentabilidade? De que forma é que pode ser adaptada às empresas? Como pode ser avaliado o comportamento sustentável das organizações? A definição de uma estratégia de sustentabilidade, a criação de códigos de ética e a implementação de um sistema de gestão social por parte das empresas representam passos largos no caminho da sustentabilidade.
segunda-feira, 22 fevereiro 2010 12:11
E tendo em conta o estudo realizado pela AESE (Escola de Direcção de Negócios) e pela consultora PricewaterhouseCoopers divulgado no início do ano, as empresas portuguesas estão a ser alunas aplicadas. Com base na análise das três edições do Prémio de Cidadania das Empresas e das Organizações, o estudo conclui que, entre 2007 e 2009, das 29 questões a concurso que integram os inquéritos às empresas, 20 registaram um acréscimo na taxa de respostas positivas. EDP, seguradora AXA e Banco Espírito Santo destacaram-se nesta última edição.

A eléctrica nacional foi mais uma vez reconhecida na categoria “Produtos industriais e consumo”, pelo terceiro ano consecutivo, onde competiu com um total de 28 empresas. Já em 2006 e 2007, a empresa tinha recebido uma distinção devido às Boas Práticas e ao seu desempenho em termos de redução de consumo de energia.

Por sua vez, a AXA Portugal foi considerada a empresa mais sustentável de Portugal na área de seguros, no âmbito da atribuição deste prémio, ao ser a primeira seguradora portuguesa a fazer um relatório de sustentabilidade. A solidariedade, a criação de fundos éticos e a aposta na defesa da biodiversidade marcaram pontos no caso do Banco Espírito Santo.

Os dados estatísticos revelam, de facto, uma evolução positiva na mentalidade verde. No estudo apresentado, 82% das empresas asseguraram ter definido uma estratégia de sustentabilidade, contra 68% em 2007 e 25% em 2006 de respostas afirmativas.

Todas as empresas que concorreram ao prémio, 28 no total, revelaram igualmente terem instituído um código de ética – documento que enumera os deveres e os direitos de colaboradores e fornecedores –, já 61% dizem destinar parte do seu volume de negócios a investigação e desenvolvimento, valor que representa um aumento de 11 pontos percentuais face à última edição. Também ao nível ambiental se registaram melhorias, com 71% das empresas a assegurarem que implementaram sistemas de gestão ambiental e 89% a seleccionarem os fornecedores segundo critérios de sustentabilidade. Mas nem tudo é cor-de-rosa (ou verde) e a eficiência ambiental, que passa pela redução dos consumos de energia e água, assim como pelas emissões de CO2, ainda está entre as “áreas a melhorar” apontadas pelo estudo.

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Paulo Padrão, Director de Comunicação BES

Briefing | Quais as áreas de sustentabilidade a que dão maior importância?
Paulo Padrão |
No que diz respeito às energias verdes, alcançámos o primeiro lugar, a nível mundial, na assessoria financeira no sector das energias renováveis e o oitavo lugar mundial em termos de financiamento. Temos ainda uma rede e ofertas específicas para Instituições Particulares de Solidariedade Social e Misericórdias em Portugal, para além de uma linha de microfinança que abrange serviços e soluções financeiras desenvolvidas para segmentos com menor acesso ao crédito bancário. É ainda conhecida a nossa aposta no mecenato cultural e em fundos éticos, já que disponibilizamos uma carteira com cerca de 60 fundos de investimento, seleccionados com base num conjunto de critérios éticos, ambientais e sociais.

Briefing | Acabaram de assinar um acordo com a World Wildlife Fund (WWF).
PP |
O Banco Espírito Santo foi a primeira empresa a assinar a declaração Business & Biodiversity, sendo a única instituição financeira com uma estratégia formalizada de apoio à biodiversidade e à preservação das espécies.
O lançamento do cartão BES/ WWF foi a nossa primeira iniciativo no âmbito do ano Internacional da Biodiversidade, que é assinalado em 2010.

Briefing | Qual foi o investimento feito em sustentabilidade em 2009?
PP |
O valor global é de cinco milhões de euros, o que representa um aumento face a 2008 da ordem dos 10%.

Briefing | Assumiram alguma meta de redução de emissão de CO2? Por exemplo?
PP |
O BES definiu objectivos ambientais, para 2013, tendo como base o ano de 2008. Queremos reduzir as emissões de C02 associadas ao consumo de electricidade em 18%, e cortar em 18% no consumo de água e 11% no consumo de energia. Esperamos ainda conseguir reduzir em 12% a utilização de papel.

Briefing | Considera que a sustentabilidade deve ser uma prioridade para a marca? Porquê?
PP |
A sustentabilidade passou a ser uma medida de avaliação do posicionamento das empresas nos domínios que são o core da sua existência: nas relações com os vários stakeholders, na actividade comercial e de distribuição e, claro, na gestão.

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Luciana Silva, Coordenadora das políticas e práticas de responsabilidade corporativa AXA

Briefing | Quais as áreas de sustentabilidade a que dão maior importância?
Luciana Silva |
A nossa actuação começou pela área ambiental, com o projecto AXA Verde, mas ao longo dos anos tem-se estendido a todas as outras áreas, desde os produtos com o Renovável, o Naturinvest e, mais recentemente, a parceria com a Associação Nacional de Direito ao Crédito para fornecermos um pacote de micro seguro. Actuamos ainda ao nível do Mecenato Artístico, com o Patrocínio da Orquestra Nacional do Porto na Casa da Música, do Desporto com o patrocínio do Sporting de Braga, da Filantropia com a Fundação AXA Corações em Acção.

Briefing | Qual foi o investimento feito em sustentabilidade pela AXA em 2009?
LS |
Como temos investimentos relacionados com a sustentabilidade em todas as áreas, faz parte do investimento geral de cada área.

Briefing | Assumiram alguma meta de redução de emissão de CO2? Por exemplo?
LS |
Sim. Em 2007, assumimos o compromisso de no ano seguinte, reduzir a emissão de CO2 emitido, nas deslocações casa-trabalho. Em 2008 cumprimos com este objectivo e conseguimos uma diminuição de 8% do CO2, através de campanhas de sensibilização e incentivo para a utilização de meios alternativos de transporte não poluentes ou menos poluentes. Desde aí, continuamos a sensibilização com diversas medidas para além das campanhas de comunicação interna, nomeadamente através do adiantamento do valor para os colaboradores que queiram comprar passes semestrais de transportes públicos e do incentivo ao car-pooling, tornand o omesmo obrigatório nas deslocações profissionais.

Briefing | A AXA controla as práticas de sustentabilidade dos seus fornecedores? De que forma?
LS |
Temos essa preocupação, por isso, desde 2005 que todos os nossos contratos têm cláusulas de Responsabilidade Social. Para além disso, o Grupo AXA está neste momento a desenvolver um projecto no sentido de implementar um controlo efectivo das práticas de sustentabilidade dos nossos fornecedores.

Veja também aqui a entrevista com Paulo Campos Costa, Director de Comunicação EDP, que fala da estratégia de sustentabilidade da empresa.

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