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Carlos Coelho: “Aplicaram-se as formas de há vinte anos”

Carlos Coelho: “Aplicaram-se as formas de há vinte anos”
A um dia das próximas eleições legislativas o briefing ouviu especialistas sobre as campanhas dos cinco principais partidos políticos portugueses.
sexta-feira, 25 setembro 2009 08:00
Para Carlos Coelho, presidente da Ivity Brand Corp, as várias campanhas “são muito confusas, poluentes, pouco sedutoras e apelativas”, demonstrando que os vários partidos “estão com pouca capacidade criativa”.

Na análise à campanha do PSD, Carlos Coelho salienta que a mesma “começou com uma imagem de frieza e austeridade inexplicáveis, numa lógica anti-marketing”, que na opinião do gestor de marcas “custará muito caro ao partido”. Continuando a análise, afirma que “o percurso da campanha foi em crescendo, mas que deixa uma imagem pouco cuidada”. Já a campanha do PS, Coelho divide-a em três fases, sendo a primeira uma campanha “de estilo Obama, mostrando obra feita”, a segunda a que o profissional apelidou de “Sócrates e as mulheres”, numa referência ao outdoor em que surgia José Sócrates rodeado de uma multidão feminina e uma terceira fase em que surge “um apelo nacionalista, com cores nacionalistas, ao estilo de uma campanha presidencial”, realçando ainda que nesta última fase a campanha foi construída “pela positiva”. Em relação ao último cartaz – em que o secretário-geral do partido surge sorridente, erguendo o polegar -, o consultor refere que este “antecipa a vitória mas ironicamente mostra um Sócrates isolado”.

A campanha do CDS-PP é dividida – na opinião de Carlos Coelho - em duas fases distintas, sendo a primeira uma “campanha de perguntas” e a segunda fase uma campanha “do eu sei que tu sabes e tu sabes que eu sei”, que na opinião do profissional demonstra “um discurso encriptado”. Relativamente à CDU, a campanha mantém “a linha clássica, um discurso coerente e simpático”, afirma. Esta mesma coerência é na sua opinião, a “coerência que envelhece a CDU”, faltando “juventude na marca”. Em relação ao BE , o gestor de marcas  “fala de uma campanha confusa, apresentando uma “fraca qualidade gráfica, mas com argumentos acutilantes que demonstram a inteligência do seu líder”.

Em termos gerais, Carlos Coelho refere que houve uma “regressão”, “o Mundo mudou e aplicam-se as formas de há 20 anos”, existindo também uma clara “monolitização numa figura central, como se o Mundo rodasse à volta de uma só pessoa”. Ainda na opinião do profissional, “a pior nota num momento em que se procura inovação e modernidade, é o facto de os partidos inventarem as arruadas, que são o arrastão da comunicação política”.

“Se aplicássemos ao mundo comercial a fórmula aplicada pelos partidos, as marcas teriam danos significativos”, conclui o especialista.

Já o politólogo Miguel Morgado destaca a opção feita pelo Partido Socialista (PS) ao colar o Partido Social Democrata (PSD) a uma posição retrógrada e anti-democrática de fazer política. Para o politólogo, a opção do PS é “uma opção duvidosa” que em última análise tenta “infantilizar o eleitorado português e chantageá-lo”, demonstrando-se ainda como “uma estratégia nociva e que revela imaturidade”. Em relação ao caso das escutas, Miguel Morgado afirma que este “condicionou o espaço do PSD”, na medida em que “o PS roubou uma das bandeiras do PSD [a da “asfixia democrática”]”.

Em relação à Coligação Democrática Unitária (CDU), Partido Popular (PP) e Bloco de Esquerda (BE), o politólogo afirma que “não há grandes alterações” nesta recta final de campanha, ressalvando o último outdoor do BE – “Estamos Prontos” -  que encara como “a disponibilidade do Bloco para se apresentar como um partido de Governo”.

Tendo em conta as últimas sondagens divulgadas, o PS vence as eleições. Na sondagem para o Diário Económico, TSF e Marktest, o PS vence com 40,0% dos votos, seguido do PSD com 31,6%, BE com 9,0%, CDS com 8,2% e CDU com 7,2% dos votos. Também a sondagem da Universidade Católica e RTP dá vitória ao PS com 38% dos votos, seguido do PSD com 30%, BE com 11%, CDS com 8% e CDU com 7% dos votos.

Os dados a retirar de ambas as sondagens é a vitória do Partido Socialista, em princípio sem maioria absoluta, a passagem a terceira força política do Bloco de Esquerda e o facto de a CDU ficar em quinto lugar no espectro político nacional. A verificarem-se estes resultados, o Bloco de Esquerda deixa de ser assim indispensável à formação do Governo, podendo contudo ser chamado a desempenhar um papel no futuro Governo.


Fonte: briefing

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