Media

Quando Salazar é sinónimo de "cultura, artes e ideias"

Quando Salazar é sinónimo de "cultura, artes e ideias"

"Deus, Pátria e Família" está para António Oliveira Salazar como "Cultura, Artes e Ideias" para a Salazar, uma magazine que apresenta o seu primeiro número no próximo dia 8 de fevereiro. Ao Briefing, Ricardo Costa, editor da publicação, explica: "Queremos e concebemos Salazar enquanto movimento cultural, proactivo e pensante".

sexta, 27 janeiro 2012 00:00


O projeto apresenta-se como "uma revista que visa promover novos talentos das artes nacionais, desde pintores a ilustradores, escritores, realizadores ou músicos, e refletir acerca de temas paralelos de cultura portuguesa". A ressalva de que a "Salazar não tem qualquer ideologia política associada" e que, aliás, é a política o único tema do qual se abstêm, é deixada bem clara por Ricardo Costa.

Sem revelar o investimento financeiro ("há um inestimável investimento de tempo e dedicação"), Ricardo Costa refere que o break even point não será para breve, "infeliz, mas conscientemente".

Indagado sobre quais os pontos fortes desta magazine, o editor destaca "os colaboradores que aceitaram participar no projeto". "Temos de saudar a colaboração de figuras como o Pedro Mexia, Luís Filipe Cristóvão ou Vasco Barreto, com texto, ou a Mariana Baldaia ou a Vanessa Teodoro, com ilustração. A qualidade literária e gráfica da revista é outro dos fatores dos quais nos orgulhamos", realça em entrevista ao Briefing.

Sendo impossível não fazer analogias com António Oliveira Salazar, quando indagado se têm aspirações a ser uma "ditadura" neste segmento, Ricardo Costa é claro: "Não queremos recuperar qualquer tipo de ditadura, mesmo sendo ela metafórica". "O objetivo é claro e singelo: refletir com qualidade acerca de temas laterais da cultura portuguesa, sobretudo, e divulgar novos talentos das artes. O tríptico 'Cultura, Artes e Ideias' opõe-se, mais uma vez ironicamente, ao 'Deus, Pátria e Família', e esse arrojo não é mais do que uma motivação interna", completa o responsável que tem a trabalhar permanentemente neste projeto mais quatro pessoas.

Ainda assim, resta uma pergunta. Afinal, como surge este nome para uma revista de cultura? "Três motivos para o nome: ironia, subversão e portugalidade. Ou um quarto e principal: marketing. O nome surge pela intenção de representar algo português, ligado à história cultural do país". "No entanto, se o único motivo fosse esse, chamar-se-ia Variações ou Eusébio. Depois, quisemos aliar a ironia e Ágata estava na mesa. Por fim, o marketing ditou Salazar". Explicado o nome, o responsável pelo projeto refere que críticas já receberam, mas deixa a mensagem: "Com humildade, preferimos que critiquem o nome e apreciem o conteúdo".

Dia 8 de fevereiro está disponível a magazine bimestral "que contempla a publicação digital gratuita e uma versão em papel que pode ser encomendada no sítio oficial".

Filipe Santa-Bárbara
Fonte: Briefing

sexta, 27 janeiro 2012 14:39

bt nl

Assinatura Mensal
Edição MensalE-paper

Facebriefing

Melhores Briefing