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"A Rádio Comercial está muito confiante naquilo que está a fazer"

“A Rádio Comercial está muito confiante naquilo que está a fazer”

"A Rádio Comercial está ciente do caminho que já fez e está muito confiante naquilo que está a fazer, está serena... Está muito confiante que o futuro será ainda melhor e que nós vamos conseguir chegar ao nosso objetivo". Quem o diz é Pedro Ribeiro, diretor da estação, em entrevista ao Briefing, aproveitando para falar das "Manhãs", do futuro e do meio.

terça-feira, 07 fevereiro 2012 03:31


Garantem que têm "a melhor música de 2000 em diante", enchem salas de espetáculos com conteúdos saídos do éter e acabam de contratar Ricardo Araújo Pereira numa estratégia de levar a estação à liderança. Trata-se da Rádio Comercial, uma estação que, nas palavras de Pedro Ribeiro, vai criar "algumas coisas novas que vão surpreender... a seu tempo".

Segundo os últimos resultados do Bareme Rádio, a Comercial aparece quase na liderança. A separá-la da RFM, atual líder, estão 2,6 pontos. "O melhor valor de sempre", refere o diretor da estação ao Briefing. Mas, afinal, qual é a fórmula mágica para este sucesso?

"Não há fórmulas mágicas, já parece o futebol... (risos) Muito trabalho, muito trabalho...É isso, é trabalho, é talento da equipa, é um esforço incrível. É tentar perceber o que os ouvintes querem, o que é que eles procuram, o que é que os satisfaz", sublinha o diretor da estação da Media Capital Rádios.

Com a ambição de serem os primeiros, desde há muito, Pedro destaca: "É estar focado durante muito tempo e não desmoralizar quando os resultados demoram". "Isto é um meio de mudanças muito lentas, demora sempre muito tempo a mudar alguma coisa, a mudar hábitos", reconhece. Indagado sobre o que falta à Comercial, o radialista é claro: "Tempo. Estamos convencidos que será uma questão de tempo".


Manhãs da Comercial, "uma coisa que ganha vida própria"


Pergunta: "As manhãs tiveram um impacto muito grande nestes resultados?". A resposta não podia ser mais assertiva. "Claro! É dos livros, as manhãs são a porta de entrada para as estações de rádio ganharem audiência. Claro que sim, tem uma enorme importância... E nós construímos as manhãs como forma de criar um programa da manhã que fosse tão competitivo que chamasse a atenção para a rádio. Que trouxesse mais ouvintes para a estação e acho que foi conseguido. Ainda não chegamos onde queríamos, mas acho que foi conseguido", realça o radialista.

Neste sentido, foi ontem anunciado que o humorista Ricardo Araújo Pereira faz parte das "contratações de inverno" da estação. Sem se alongar sobre o assunto, Ribeiro conta ao Briefing que na Comercial encaram a chegada do Ricardo às Manhãs da Comercial como o completar de um ciclo. "Primeiro era só eu, depois eu e a Vanda, depois juntou-se o Vasco, mais tarde o Nuno e agora o Ricardo. Encaramos este ciclo como encarámos os outros: evoluir sempre para tornar as Manhãs da Comercial no programa matinal mais ouvido da rádio portuguesa", acrescenta o responsável que quando indagado sobre porquê o "Gato Fedorento" responde: "Estão a ver alguém melhor?".

Ainda sobre o programa das manhãs e sobre o sucesso do formato, Pedro Ribeiro acredita que o seu programa não está esgotado, muito pelo contrário. "Quando uma coisa começa a funcionar, há sempre alguém que pergunta 'Isso vai-se esgotar rápido não vai?'. O que acho é que como temos que dar tempo para a audiência crescer, temos que dar tempo para as pessoas que ainda não conhecem essa fórmula de a abraçarem como sua. E ainda há muito terreno a conquistar, muito", explica.

"Há uma coisa que nos enche de orgulho e que nos tranquiliza: é que a fórmula é nossa. Quando resolvi criar um programa da manhã com quatro pessoas a falar, não imaginas a quantidade de gente que disse, 'isso é ruido, uma mulher e um homem é que funciona, tudo o resto é ruído'. E, de repente, tens quatro a falar e tens toda a concorrência a tentar replicar este modelo. É porque se calhar, a fórmula sendo nossa, tem algum mérito", conclui Pedro Ribeiro.


E 2012, como vai ser?


Questionado sobre se a estação apostará em programas do género do recente "Rais parta o amor" ao longo de 2012, Pedro Ribeiro responde que sim. "Vamos contar com isso... Por exemplo, o ano passado fizemos um fim-de-semana U2... Nós vamos fazer isso! Vamos fazer fins-de-semana temáticos só com músicas que falem do bom tempo ou da praia ou das férias... Ou dias só com baladas, ou dias só com músicas rápidas...", adianta Pedro Ribeiro.

"Como vamos dar outros conteúdos de palavra, de vez em quando vamos surpreender as pessoas com isso. Cada vez damos mais concertos em direto, cada vez fazemos mais coisas fora da caixa. Cada vez as emissões dos festivais são autênticos Live Aids, com conversa, com música, com reportagem... Já o fazíamos antes e continuaremos a fazê-lo", afirma ainda o locutor que em 2012 verá a sua rádio em eventos como Sudoeste TMN, Optimus Alive, Marés Vivas TMN, Festival do Panda, Coldplay, Cool Jazz, e um outro concerto de estádio que vão anunciar este mês.

Ao nível de eventos próprios, depois dos espetáculos protagonizados em Lisboa e no Porto pelo quarteto das manhãs da Rádio Comercial, Pedro adianta que "está pensado algo nesse aspeto". "Era mais uma área em que seríamos pioneiros mostrando, aliás, que a rádio está viva e recomenda-se. E continua a gerar fenómenos de popularidade e de movimentação de massas absolutamente notáveis. E nós vamos ainda potenciar mais isso, sendo que neste momento eu não vejo nenhuma outra estação de rádio que fosse capaz de pegar em protagonistas seus com conteúdos montados de raiz e montasse um espetáculo como nós montámos com salas cheias", orgulha-se o diretor.


A rádio é intimidade

Com o investimento publicitário a cair, não é fácil para as rádios sobreviverem "não [só] em Portugal, [mas] no mundo". A solução passa por "não fazer a rádio desaparecer da vida das pessoas, perceber que a rádio é cada vez mais um produtor de conteúdos que pode ser consumido numa lógica multiplataforma que tem de estar no FM, mas que também tem de estar online e acessível, fácil e de forma original, mais original que a concorrência", sublinha. "Tem que estar muito ligada ao dia-a-dia das pessoas, aos hábitos, aos problemas que as pessoas têm... Porque tem um capital que é único: o capital humano de ter as pessoas que dizem algo a quem lhes ouve. No programa da manhã temos pessoas que nos tratam como família... Esse link que existe é único da rádio. A rádio é a única que consegue gerar intimidade. Na televisão não consegues isso", explica Pedro Ribeiro acrescentando: "aqui ligas o microfone e és tu".

"Nunca se pode esquecer que estamos a falar ao ouvido de cada ouvinte... Não há mais intimidade que isso. Quando tu tens o despertador ligado para as 7 da manhã no rádio e a primeira voz que ouves é a dos tipos do programa da manhã, isso é intimidade, quando estás a tomar duche e estás a ouvir rádio, isso é intimidade. E nenhum outro meio tem isso!", conclui o animador.

Para terminar, a fórmula para atingir a liderança envolve também uma equipa que, nas palavras de Pedro Ribeiro, não encara a rádio como apenas um trabalho. "Não sei falar das outras, mas a minha é uma equipa que trabalha com uma paixão incrível. Que veste a camisola em todas as circunstâncias e que tem, de facto, um apego à marca Rádio Comercial. Para toda esta equipa, isto não é só trabalho, isto é pessoal".

Filipe Santa-Bárbara
Fonte: Briefing

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