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Público reposiciona-se: informação mais aprofundada e não redundante

 

Público reposiciona-se: informação mais aprofundada e não redundante
Um Público renovado estará nas bancas a partir de 5 de março, data de aniversário e do lançamento do novo conceito editorial e gráfico. A ambição, hoje tornada pública, é apresentar aos leitores temas tratados com mais profundidade, extirpando das suas páginas a redundância de notícias.

quinta-feira, 16 fevereiro 2012 12:26

Este reposicionamento acontece ao fim de um ano de debate interno em torno de uma questão: "Qual é o papel do papel?". Uma questão pertinente num tempo em que, pelo mundo fora e, em particular, no mundo ocidental, os jornais se debatem com a quebra nas vendas e no investimento publicitário.

E, apesar de presentes nas diversas plataformas, incluindo online e mobile, o papel continua a ser o motor do dia-a-dia do Público, como afirmou o administrador Pedro Nunes Pedro, na apresentação pública do novo jornal.  A dificuldade estava "em descobrir onde está o Wally", comentou, numa alusão à personagem criada pelo ilustrador britânico Martin Handford.

Do debate interno emergiu o consenso de que os leitores de hoje precisam de jornais diferentes: numa época em que consomem informação durante todo o dia - quer seja nos smartphones, nos tablets, nas edições online, na rádio no caminho de ida e regresso entre casa e o trabalho – corre-se o risco de ser redundante. Esse é – resumiu a diretora do Público, Bárbara Reis - "o grande constrangimento".

Foi a necessidade de contrariar este constrangimento que presidiu ao novo conceito editorial e gráfico do diário da Sonae. Havia – explicou Bárbara Reis - que adaptar a forma de fazer e mostrar jornalismo às necessidades dos leitores atuais.

E a primeira experiência foi feita em junho, com a nova edição de domingo. A profundidade e análise no tratamento dos temas, mais própria do suplemento diário P2, foram transferidas para o caderno principal: as pequenas e médias notícias foram suprimidas para que proporcionar uma leitura que acrescentasse informação. A reação foi "muito boa", de tal forma que a edição dominical é a que regista menor queda de vendas: o que, não sendo acompanhada de produtos de marketing e estando disponível em menos pontos de venda, foi encarado como um sinal positivo.

Foi o sinal que deu luz verde à mudança. E, a partir de 5 de março, o espírito do P2, que primeiro transitou para a edição de domingo, vai contaminar todo o jornal. Vai ser – sublinhou a diretora – mais exigente, pois vai obrigar a uma maior seleção dos temas e vai obrigar a um melhor tratamento desses mesmos temas. Mas "será mais recompensador para quem lê".

O suplemento diário, criado aquando da última remodelação gráfica, em 2007, vai desaparecer. Será, de certa forma, substituído por dois planos especiais com uma paginação distintiva, com conteúdos tratados com uma "profundidade acrescentada", não necessariamente sobre notícias do dia. O objetivo é "fazer parar o leitor".

Também os suplementos semanais vão estar diferentes: O Ipsilon, à sexta, vai sofrer um "afinamento gráfico", enquanto o Fugas, ao sábado, vai ser "mais ambicioso" e estar "mais próximo das pessoas", com reportagens e histórias sobre living e não apenas sobre viagens. Só o Inimigo Público se mantém, graças ao seu "estilo próprio".

Não é só o P2 que tem os dias contados: a Pública também. Dará lugar ao 2, uma revista em papel couché mas com o mesmo formato do jornal, que se quer demarcar das demais revistas de fim de semana: "Acreditamos que vai ser diferente num momento em que todas as revistas de sábado e domingo são praticamente iguais, monótonas", afirmou Bárbara Reis. Também aqui o objetivo é "aumentar o conhecimento". Uma seção fixa de Media e Tecnologia é uma das novidades prometidas.

Com assinatura do designer inglês Marc Porter, já autor da remodelação anterior, o novo grafismo "não é um mero capricho estético": é uma forma de lutar pelo futuro do Público, confirmando-o como um produto de qualidade e um jornal de referência.

É mais do que uma tentativa de conquistar leitores, porque, nas palavras da diretora ao Briefing, "nunca o Público teve tantos leitores": 440 mil leitores por dia só no papel, 10 milhões de visitas ao site por mês, 44 milhões de pageviews mensais, sem contar com as aplicações e as assinaturas.  "Há muito que deixámos de olhar para o Público só no papel", comentou, no que foi secundada pelo administrador Pedo Nunes Pedro: "O Público é uma marca de informação em várias plataformas".

Num evento que reuniu parceiros e clientes, o administrador deixou uma mensagem de confiança no valor da publicidade: "Não podemos continuar a reduzir os orçamentos para a publicidade, sob pena de as marcas desaparecerem".

E, a propósito de confiança, Bárbara Reis não quis deixar de referir que este jornal renovado "só é possível porque os acionistas acreditam e continuam a investir".

O reposicionamento do diário será comunicado ao público a partir de 27 de fevereiro, com uma campanha que, numa primeira fase, exortará os leitores a descobrirem o novo jornal em banca no dia 5 de março – a edição de 100 mil exemplares será gratuita – e, numa segunda fase desvendará as alterações.

Fátima de Sousa
Fonte: Briefing

sexta-feira, 17 fevereiro 2012 12:33

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