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Balsemão contra empresas de media que “nunca ganharão dinheiro”

Balsemão contra empresas de media que “nunca ganharão dinheiro”

Quem tenha muitos milhões pode gastar alguns "milhões por ano em empresa de comunicação social que nunca ganharão dinheiro, mas cujos media são úteis ao cumprimento de objetivos dos milionários proprietários", disse Pinto Balsemão, presidente e maior accionista do grupo Impresa, numa conferência sobre jornalismo em tempo de crise, que decorreu no sábado, na Casa da Imprensa, em Lisboa.

domingo, 01 abril 2012 01:57

Balsemão considera que esses objetivos milionários podem ser "de influência política, de preparação do terreno para outros negócios noutras áreas, de promoção social e cultural, de branqueamento de capitais".

O presidente da Impresa considerou que para contrariar a situação da existência de empresas de comunicação social que, integradas ou não em grupos económicos, perdem dinheiro todos os anos, mas continuam a editar as suas publicações, sites e apps e a por no ar as suas rádios e canais de televisão, a Autoridade da Concorrência e a ERC poderiam talvez desempenhar um papel nesta matéria, mas duvida que o façam.

"Os jornalistas, através do Conselho de Redação e do Estatuto Editorial, também detêm instrumentos relevantes de intervenção e de denúncia, mas, até agora, não vi nada – a vida está difícil e os empregos são um bem escasso", afirmou.

Na intervenção que fez no segundo painel da conferência organizada pelo Fórum dos Jornalistas e que tinha como título "A informação ainda é um bom negócio? Pode voltar a ser apetecível para o investidor?", Balsemão considerou que informação não é, por definição, um negócio. As empresas de comunicação social, no seu todo – informação, entretenimento, publicidade, venda de conteúdos, outras receitas – "é que podem ser, ou não, um negócio".

"Para serem um negócio sustentável, as empresas de comunicação social precisam ter lucros, ganhar dinheiro. Se não, numa economia de mercado, terão de fechar. Ou então perdem independência editorial, porque o dinheiro que compensa os prejuízos há de vir de algum lado e nunca vem desinteressada ou inocentemente", disse.

No entanto, existem em Portugal "empresas de comunicação social que não dão lucro e subsistem durante anos, falseando o funcionamento do mercado", afirmou o presidente da Impresa. "Mesmo não falando da concorrência desleal da RTP, basta recordarmo-nos, para não citar exemplos atuais, do Dia ou do Semanário e dos anos que levaram até fechar, para nos interrogarmos como, porquê e ao serviço de quem essa sobrevivência foi assegurada", disse Balsemão.

O "infotainment" veio para ficar, os motores de busca "não são meios de comunicação social mas são concorrentes" destes meios, a sociedade é "tolerante com os piratas e condescendente quanto aos piratas e pouco entusiasta na proteção dos direitos de autor" e é preciso que "selecione, ordene, hierarquize a informação" e daí a importância dos meios de comunicação. Estas foram outras das mensagens passadas por Balsemão durante a sua intervenção.

Hermínio Santos

Fonte: Briefing

terça-feira, 03 abril 2012 09:41

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