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Champions: “Tudo tem de bater certo”

 

Helicópteros, 33 câmaras na transmissão do jogo, 1500 pessoas a passar pelo compound, 50 quilómetros de cabos. Estes são alguns números da operação final da Liga dos Campeões que, desde setembro do ano passado, tem vindo a decorrer sob a batuta da Sport TV, o host broadcaster da iniciativa. Bessa Tavares, diretor-geral e administrador da estação de televisão, diz está tudo a postos para o "grande show anual do futebol".

sexta-feira, 23 maio 2014 11:37
Champions: “Tudo tem de bater certo”

Briefing | Como é que a Sport TV está a preparar a emissão da final da Liga dos Campeões?

Bessa Tavares | Há um grupo de trabalho criado desde setembro do ano passado que visa coordenar uma operação que é extraordinariamente complexa. Porquê? Primeiro, implica a distribuição do sinal para particamente todo o mundo e esse sinal é produzido pela Sport TV, segundo porque haverá um conjunto de operadores televisivos de várias partes do mundo que têm aqui, também, a sua presença do ponto de vista técnico, com carros de exteriores, por exemplo, para fazer a personalização do seu próprio sinal. Tudo tem de bater certo. Não pode haver falhas de energia elétrica, por exemplo, e isso obriga a disponibilizar geradores de grande potência a trabalhar em backup e durante longas horas. Nos dias que antecedem a final da Liga dos Campeões, passarão no compound montado para o efeito cerca de 1500 técnicos. Portanto, todo o espetáculo exige que equipas específicas estejam dedicadas exclusivamente ao evento há alguns meses e só acabarão o seu trabalho após a final. Da Sport TV estão envolvidas cerca de 170/180 pessoas.

Briefing | Este é o maior evento que a Sport TV está envolvida?

BT | Provavelmente está entre os maiores de sempre, senão mesmo o maior, para um só jogo e é aquele que, a nível mundial, tem maiores audiências, o grande show anual do futebol.

Briefing | Em termos de imagem internacional da Sport TV que relevância é que este tipo de operações tem?

BT | O facto de aparecer a nossa imagem associada à UEFA e a comunicação que é feita, já há alguns meses, com todos os operadores de televisão espalhados pelo mundo a fazer referência de que o host broadcaster é a Sport TV, é obviamente extraordinariamente relevante.

Briefing | Ao nível da comunicação e marketing como é que esta final foi aproveitada pela Sport TV?

BT | Desde os pormenores mais básicos – todo os nossos carros estão decorados com o host broadcaster já há algum tempo – até a ações com a da chegada da taça da Liga dos Campeões a Lisboa, que foi acompanhada em direto.

Briefing | Como é que avalia a posição da Sport TV no mercado de pay tv em Portugal?

BT | Somos percursores em termos de canais desportivos. Começámos com um canal e fomos progressivamente crescendo até cinco no território português. No caso da Sport TV Golfe perguntam muitas vezes se é um canal para dar ou não dinheiro mas essa nunca foi muito a nossa preocupação – embora seja o de equilibrar as contas – mas sim o de ajudar de alguma forma a economia portuguesa e por isso é que canal é bilíngue e em muitos estabelecimentos do Algarve as pessoas veem-no e ouvem os comentários em inglês. Portanto, na época em que surgiu, já num contexto de pré-crise, foi o contributo que entendemos dar para a economia portuguesa, quase como uma ação de responsabilidade social. Temos sido percursores em tudo e iremos continuar a ser. Alguns exemplos: fomos no HD – estivemos entre os três primeiros países da Europa e do mundo a ter as suas emissões integralmente neste formato – e quando houver novo salto tecnológico, e ele aproxima-se, também estaremos na linha da frente, como estamos no multi-screen, por exemplo. Somos líderes naturais e não existe tanta apetência para subscrever canais de cinema ou outros que são alvo de subscrição, e são vários. Não temos uma preocupação de audiências, o nosso foco são os subscritores. Ou seja, independentemente de verem ou não, o subscritor Sport TV, se gosta de Fórmula Um, por exemplo, e lhe apetecer ver essa prova sabe que carrega num botão e pode vê-la. O mesmo acontece com a Moto GP ou do Ronaldo. O que é preciso é que ele tenha a certeza de que os melhores produtos desportivos a nível de todas as modalidades estão nos canais que paga.

Briefing | É assim que se fideliza um cliente Sport TV?

BT | Sim. Muitos colegas estrangeiros e de países de elevado potencial admiraram-se com a taxa de penetração da Sport TV num país com um escasso poder de compra. É que os conteúdos que colocamos no ar são do melhor que há em qualquer modalidade. Esse é o compromisso que temos com os nossos subscritores: termos sempre e cada vez mais os conteúdos de topo seja em que área for do desporto.

Publicidade não é o nosso core-business

Briefing | Em que medida é que o aparecimento da Benfica TV obrigou a Sport TV a alterar a sua estratégia?

BT | São projetos completamente diferentes. A nossa linha de atuação é conhecida e continua a ser a mesma. Continuamos a ter centenas de conteúdos, 20 mil horas de emissão por ano...Não são coisas comparáveis.

Briefing | Em termos globais quais as tendências que deteta no mercado de pay tv ao nível do desporto? Vem aí nova tecnologia, as multiplataformas são o caminho...

BT | A nova tecnologia que está já em fase de experimentação vai proporcionar mais uma revolução. Veremos um jogador no campo e com o público ao fundo completamente focado e a ter quase um efeito que o 3D dá. No entanto, ela vai implicar, mais uma vez, a alguma migração de equipamento terminais ou seja, televisores. O grande benefício para o espectador vai resultar dessa definição, que é tanto maior e mais facilmente percetível quanto maior o ecrã.

Briefing | O streaming e o exemplo Netflix vão mudar alguma coisa no negócio da televisão?

BT | Já mudou. Somos um país que, curiosamente, em termos de auto estradas, uma das melhores da Europa – podemos não ter dinheiro mas ter estradas com fartura para circularmos através do país. Com a banda larga apetece dizer o mesmo – país pobre, com poucos habitantes, e apesar disso temos uma taxa de penetração da banda larga distribuída no país que faz inveja à esmagadora maioria dos países europeus. Daí que a capacidade de ver televisão no streaming com alguma qualidade, ou com boa qualidade (em alguns casos), vai alterando os hábitos de consumo das pessoas pois todos somos cada vez mais móveis e isso leva-nos a ver televisão nos mais diferentes pontos, o que não existia há alguns anos.

Briefing | De que forma é que o facto de hoje as pessoas poderem gravar os programas e vê-los às horas que querem vai alterar em termos de publicidade? Há quem defenda que o negócio de televisão terá de ser completamente reformulado sobretudo no caso dos canais generalistas. Mas isso também vai afetar os canais pagos?

BT | Não sei adivinhar o futuro mas há um equívoco, em geral, no que se refere à questão da publicidade em canais pagos. Esse não é o nosso core-business. Claro que é uma mais-valia e são bem-vindos os muitos parceiros que temos connosco mas não é aí que centramos os nossos esforços. Eles têm a ver com qualidade e tipo de conteúdos que damos aos subscritores. Esse é que é o nosso negócio. Nos canais generalistas é natural que de alguma forma sejam afetados como o foram a partir de momento em que houve a possibilidade de fazer zapping há anos atrás. Que vamos ter mudanças, não sei se fraturantes ou não, mas muitos significativas à medida que as novas gerações vão entrando no mercado consumidor, isso vamos ter. Todos estamos conscientes de que há uma mudança de comportamentos dos telespectadores, o que é normal pois todos mudamos.

Briefing | As recentes alterações acionistas na Controlinveste podem vir a ter reflexo na gestão da Sport TV?

BT | São coisas diferentes. A Sport TV tem dois acionistas de 50% e o mesmo acionista continua a ter a mesma posição. Não houve alteração.

Os número do host broadcaster

170 pessoas SPORT TV a trabalhar na operação (inclui apoio da Medialuso)
10 000m2 de área do TV Compound
1500 pessoas vão passar pelo TV Compound
50 Km de cabos
3 geradores de alta potência
33 câmaras na transmissão do jogo e recurso a helicópteros

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terça-feira, 27 maio 2014 10:13

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