Media

A Vice volta a Portugal: "Temos os conteúdos que ninguém tem"

Produzir conteúdo e trabalhar com as marcas. Estas são estratégias da Vice, o grupo de media que acaba de juntar Lisboa aos mercados conquistados. O objetivo é simples: estar onde os jovens estiverem. É o que explica Gonzalo Pastor, diretor-geral da Vice Madrid.

sexta-feira, 29 janeiro 2016 13:46
A Vice volta a Portugal: "Temos os conteúdos que ninguém tem"


Chegou a Portugal, concretamente ao Porto, em 2010. Mas é em Lisboa que se materializa a segunda aposta da Vice em Portugal, com o novo, e agora único, escritório da marca de media, sob coordenação do chefe de redação Sérgio Felizardo. O mercado português está agora sob alçada da Vice Iberia, que conta com escritórios em Barcelona e em Madrid, onde Gonzalo Pastor assume a direção. Apesar de posicionada como produtora de conteúdos focada no público jovem, a Vice Media trabalha, também, com marcas enquanto agência de publicidade, que dá pelo nome de Virtue.

"Como meio de comunicação acabamos por ter contacto com a rua, com o que se passa com as pessoas, o que gostam e o que não gostam. E o que fazemos é transformar essa informação para que as marcas possam assim comunicar com os seus consumidores. Estas são as estratégias: produzir conteúdo e trabalhar com as marcas", afirma Gonzalo Pastor. Trata-se, assim, de uma linha que é seguida a nível global porque, explica o diretor-geral da seção de Madrid, as marcas se apercebem que a forma de a Vice comunicar é mais atual e fresca e que o público a entende, o que faz com que as marcas queiram juntar-se e comunicar através de conteúdos. "As marcas têm confiança em nós, e nós temos na audiência".

Este reconhecimento é algo que, em Portugal, tem vindo a crescer, muito devido ao trabalho de marca que tem vindo a ser feito neste mercado. "Foi algo que não correu bem no início, o que fez com que Portugal fosse um dos poucos países onde a marca Vice não era reconhecida imediatamente pelo público a que se dirige", explica. Mas a nova estratégia tem vindo a gerar resultados e, nos últimos meses, a Vice já sentiu um crescimento ao nível de engagement, mas, também, de visualização de conteúdos e de reconhecimento da marca em geral. Para isso, a entrevista aos Eagles of Death Metal, a banda que atuava no Bataclan aquando os atentados em Paris, desempenhou um papel fundamental, levando a que o público tivesse curiosidade em saber o que era a Vice. Mas, apesar do crescimento, os objetivos definidos para o mercado português ainda não foram atingidos. Para os alcançar, a Vice aposta na personalidade e atitude que – diz Gonzalo Pastor – é muito vincada e clara. "A nossa diferença face a outros meios é que somos muito mais transparentes e contamos as coisas de uma forma mais direta. O estilo, a linguagem, o tom, a forma de dizer as coisas e de as contar são mais atrativos". E é esta a estratégia que faz com que a Vice seja algo totalmente diferente dos meios de comunicação já existentes. Porquê? "Porque temos o que ninguém tem. Temos os conteúdos que ninguém tem, as entrevistas que ninguém tem, e as histórias que mais ninguém tem. E aí está a diferença e, nesse sentido, não temos concorrência". Um outro aspeto, adianta o diretor-geral, é a perda de confiança por parte dos meios de comunicação tradicionais.
Embora a Vice pareça estar dirigida ao público jovem, a ideia é que se torne num produto generalista. "Temo-nos apercebido que, quando o conteúdo é mais generalista, o público menos jovem mostra interesse".

Explica Gonzalo Pastor que os conteúdos produzidos pela Vice são interessantes para toda audiência e que podem ser transmitidos por outros meios. Prova disso é o programa "Vice on HBO" que tem sido transmitido na TVI24, através do "Observatório Mundo". Mas há aspetos comuns a todos os conteúdos produzidos pela Vice Media – o tom e a perspetiva. Uma preocupação que, segundo o diretor-geral, está sempre presente é a qualidade do conteúdo, que deve ser premium. Isto porque, com a democratização do acesso à informação, o público está cada vez mais habituado a produtos bem feitos e é cada vez mais exigente. "Eu costumo dizer que o premium é o mainstream, e nós somos muito fortes no premium".

Depois da versão portuguesa do portal Vice, que soma 200 mil visitantes por mês, o grupo prepara-se para lançar a Vice News em português, com foco também no Brasil. "Apercebemo-nos que aos jovens também lhes interessam as notícias, a política, as finanças. O que parece é que ninguém o está a contar de uma forma interessante, e numa linguagem percetível", aponta o diretor-geral. Mas o que torna o mercado português interessante para a Vice? A resposta é simples: onde houver jovens, a Vice vai lá estar. E o conceito de jovem – explica – já é um conceito alargado. "Costumamos falar em jovens adultos, porque, hoje em dia, uma pessoa de 40 anos é considerada jovem. O objetivo é ter uma rede global e ganhar a possibilidade de interatividade, sendo, por exemplo, possível pedirem conteúdos portugueses dos EUA e vice-versa. "O olhar não é diretamente ao mercado em si, mas à possibilidade que esse mercado tem".

Depois do portal Vice e do Vice News, o grupo prepara-se para lançar o Vice TV, um canal com 24h de emissão, produção 100% própria, com Spike Jones como diretor criativo. O Canadá será o primeiro país a receber o canal de cabo, mas o objetivo é, também, a expansão a nível global. "O negócio digital é muito forte e já o temos controlado em quase todos os países em que estamos e portanto o próximo passo é a televisão", conclui Gonzalo Pastor.

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