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Director do Público sustenta que Cavaco deve "fundamentar as suas suspeitas" depois das eleições

Director do Público sustenta que Cavaco deve
O director do Público sustenta que o Presidente da República deve "fundamentar as suas suspeitas" depois das eleições sobre eventuais escutas, no editorial publicado hoje, e defende que caso Cavaco Silva não o faça "terá enfraquecido a sua autoridade".
domingo, 29 novembro -0001 23:23
No editorial de hoje do Público, intitulado "O caso das suspeitas de Belém não acabou ontem", José Manuel Fernandes destaca três questões que considera necessário discutir, sendo a segunda e "a mais importante", o "comportamento" da Presidência da República.

"Na verdade, ao permitir que esta questão assumisse a dimensão que assumiu, Cavaco Silva, que já iria estar no olho da tempestade depois das eleições, colocou-se no olho de outra tempestade antes delas. Por isso, das duas, uma: ou a seguir a 27 de Setembro fundamenta as suas suspeitas, e age em conformidade, ou se se limitar a iniciativas pífias terá enfraquecido a sua autoridade como Chefe de Estado, porventura de forma irremediável", defende José Manuel Fernandes.
O director do jornal sustenta que "ninguém perdoará se se perceber que as suspeitas ou não existiam, ou não tinham fundamento, ou eram simplesmente paranóicas".

Mas antes ainda da questão "mais importante", José Manuel Fernandes coloca outra: "A de saber se o afastamento de Fernando Lima corresponde ao assumir pela Presidência da República de que as notícias sobre as suas suspeitas de estar a ser vigiada eram falsas ou, então, exageradas".
Para o director do Público as declarações feitas por Cavaco Silva ainda em Agosto e na semana passada, "não permitem concluir que essas suspeitas não existem".

Mas José Manuel Fernandes vai mais longe ao defender que se o Presidente "as quisesse por fim desmentir teria ontem [segunda-feira] podido fazê-lo ao afastar o seu assessor das suas anteriores responsabilidades".
"De novo isso não aconteceu. Só aconteceu o que não podia deixar de acontecer: Fernando Lima deixou de ter condições pessoais e políticas para falar aos jornalistas, logo foi afastado das relações com a comunicação social", refere.
O director do Público levanta ainda uma terceira questão, "que não pode ser esquecida: a forma como este tema 'rebentou' num jornal, isto é, as condições em que correspondência interna do Público saiu do jornal e quem a levou a um jornal [Diário de Notícias] que não quis fazer investigação própria, ao contrário do Expresso".

No editorial, José Manuel Fernandes elenca os factos que considera essenciais sobre o caso das alegadas escutas.
"Sobre o comportamento dos vários órgãos de informação envolvidos já muito foi escrito. É matéria de opinião que envolve directamente o Público sobre a qual não nos pronunciaremos nem hoje, nem aqui. Relevante é analisar os factos políticos, não os factos mediáticos", escreve.
O editorial de hoje termina com um esclarecimento sobre as acusações feitas domingo nas páginas do jornal pelo Provedor do Leitor, Joaquim Vieira.
"Ao contrário do que afirmou o Provedor do Leitor, ninguém nesta empresa lhe 'vasculhou' a correspondência electrónica. O Público continua sim a ser o espaço de liberdade que lhe permitiu fazer as críticas que fez", conclui.

Fonte: Lusa

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