Media

Presidente do Obercom diz que empresas de Media gastaram muito sem resultados

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As empresas portuguesas de comunicação social fizeram nos últimos dez anos muitas experiências, gastando muito dinheiro sem consequências práticas na continuidade do negócio, especialmente na área de multimédia, disse à Lusa o presidente do Observatório de Comunicação.
domingo, 29 novembro -0001 23:23


"O que fizemos não foi diferente do que os outros fizeram. Talvez tivesse sido melhor parar um pouco antes de avançar", disse Gustavo Cardoso em entrevista à Lusa a propósito dos 10 anos do Observatório de Comunicação, um organismo que tem como objectivo estudar este mercado, antecipando até algumas tendências.

Nos últimos dez anos, explicou, foi feita muita experimentação.

"Os exemplos abundam e estão nos livros de contabilidade de todas as empresas do sector. Todos se endividaram e todos pagaram preços elevados pelo material", disse.

Depois, adiantou, gerou-se um sentimento inverso de que não valia a pena porque não há o retorno equivalente ao gasto.

Na opinião de Gustavo Cardoso, talvez não seja possível ter negócios de um milhão de euros de lucro, mas sim muitos negócios de 500, 250 ou 100 mil euros de lucro no final do ano.

"É tudo uma questão de escala", disse adiantando que pode haver pequenos projectos jornalísticos dirigidos por grupos de comunicação social com cinco jornalistas e que obtenham lucro nesta área mas nunca será tão grande como um projecto de raiz com por exemplo 100 jornalistas mas que também, provavelmente, não tem espaço no mercado.

"Pode não haver espaço para mais rádios, jornais ou canais de televisão mas é possível determinar segmentos que podem fazer sentido trabalhar com poucos custos desde que isso se multipliquem", frisou.

Uma aposta na multimedia não significa o abandono do modelo tradicional até porque, adiantou, o que funciona noutros mercados nao quer dizer que funcione em Portugal, país com algumas particularidades no contexto europeu.

"O modelo que funciona no Reino Unido e em Espanha não tem de funcionar em Portugal. É fundamental perceber o porquê porque essa é talvez a razao pela qual temos deitado algum dineiro fora, quer no sector publico quer no privado", disse.

Na opinião de Gustavo Cardoso, Portugal continua ainda a pensar demasiado em grandes projectos considerando-se que vão mudar o panorama.
Contudo, adiantou, Portugal é um país onde 60 por cento das pessoas não fazem uso da Internet e este grupo, ao contrário do que se pensa, tem poder económico.

"O que é preciso é direccionar os anúncios para este grupo. A maioria dos anúncios em Portugal são dirigidos a jovens, de literacia elevada e com praticas culturais urbanas, uma imagem que está na cabeça dos publicitários mas que não corresponde à realidade", disse.

Gustavo Cardoso considera que enquanto não se produzir media em todas as dimensões, audiovisual e imprensa escrita para toda a população não é possível escutar o mercado da comunicação social.

Fonte: Lusa

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